ONG leva formação a jornalistas de 80 rádios comunitárias em Moçambique

Jornalistas de cerca de 80 rádios comunitárias de norte a sul de Moçambique já receberam formação promovida por uma ONG moçambicana que quer levar informação de qualidade às populações rurais e também partilhar as histórias locais a nível nacional.

ONG leva formação a jornalistas de 80 rádios comunitárias em Moçambique

ONG leva formação a jornalistas de 80 rádios comunitárias em Moçambique

Jornalistas de cerca de 80 rádios comunitárias de norte a sul de Moçambique já receberam formação promovida por uma ONG moçambicana que quer levar informação de qualidade às populações rurais e também partilhar as histórias locais a nível nacional.

Esta organização não-governamental (ONG), chamada h2n, foi criada há três anos por repórteres moçambicanos e outros especialistas de várias áreas, como saúde ou direitos humanos, para apoiar os órgãos de comunicação social, disse à Lusa Rodrigues Tato, coordenador de campo da associação.

“Estamos a trabalhar com aproximadamente 80 rádios em todo o país. Temos rádios da zona sul, centro e norte do país”, relatou.

Segundo o jornalista, baseado na cidade moçambicana da Beira e que trabalha também como jornalista ‘freelance’, a ONG visa apoiar os ‘media’ com menos recursos financeiros, nomeadamente as rádios comunitárias, que têm “um papel importante nas comunidades”, aonde muitas vezes não chegam os órgãos de comunicação nacionais.

“As comunidades respeitam muito os jornalistas. Os jornalistas são uma espécie de ‘jet set’. (…) [As comunidades rurais] acreditam mais nos jornalistas do que nos governantes”, explicou o jornalista moçambicano.

Por isso, a h2n quer capacitar as rádios comunitárias para produzirem informação de qualidade sobre temas como saúde, nutrição, higiene, direitos humanos ou juventude, preparando-os também para promoverem a mobilização comunitária.

No âmbito da formação em jornalismo, explicou Tato, a h2n treina os jornalistas para falarem com os cidadãos e produzirem notícias, “porque muitas vezes eles fazem uma espécie de relatório”, mas não trazem “o sumo da notícia”.

Tato diz que os jornalistas saem da formação com capacidade para escrever, mas também produzir áudio e vídeo.

“As rádios comunitárias são uma espécie de viveiro. Nós formamos e depois as grandes organizações vêm buscá-los. Temos assessores de governantes que foram contratados nas rádios comunitárias por causa do ‘know how’ que a h2n lhes transmite”, contou.

Por outro lado, a organização prepara os jornalistas para mobilizarem a comunidade, transmitindo as melhores práticas.

Tato exemplificou que os jornalistas promovem debates nas comunidades, para os quais convidam membros da comunidade, mas também especialistas que alertam, por exemplo, para os riscos das queimadas descontroladas, e depois reproduzem esses debates na rádio e abrem linhas telefónicas para alargar o impacto da informação.

Além disso, a h2n trabalha também com as rádios a sua sustentabilidade financeira.

“Encontrámos algumas rádios que não conseguiam sobreviver, não conseguiam pagar a própria renda ou pagar a luz, a água”, recordou Tato, contando que a organização as ajuda a criar um plano de negócios, procurando fontes de rendimento.

Agora, muitas já conseguem controlar as suas finanças, pagar aos repórteres locais e algumas até já estão a “fazer outro negócio paralelo para a sustentabilidade da própria rádio”.

A ONG incentiva também as rádios comunitárias a explorar as tecnologias de informação, aproveitando as redes sociais para “chegarem mais longe” e serem ouvidas em todo o país.

E criou ainda uma plataforma, a Xipalapala Info, através da qual os noticiários das várias rádios comunitárias são partilhadas, além de ter camiões que circulam em todo o país para mostrar os vídeos e as reportagens feitas localmente.

“A ideia é tentar trazer as comunidades ao mundo global. Não só ficar numa ilha”, relatou.

Através do trabalho das rádios comunitárias, diz Tato, as comunidades conhecem os seus direitos de cidadania, aprendem sobre a promoção da saúde e biodiversidade e até sobre questões de género, já que os jornalistas são incentivados a ouvir as mulheres nas comunidades, onde muitas vezes elas resistem a falar sem a anuência do marido.

“Tudo começa com a promoção de género nos órgãos de comunicação social. As rádios comunitárias eram na sua maioria feitas por homens, mas nós encorajamos os gestores das rádios comunitárias a pegarem em vozes femininas (…). E tudo começa por nós também na h2n. É uma organização que é composta maioritariamente por mulheres e mulher e homem têm o mesmo tipo de salário e respeito mútuo”.

A h2n foi oficialmente registada em 2018, sucedendo a um programa de fortalecimento dos ‘media’ financiado pela cooperação norte-americana, que funcionou em Moçambique entre 2012 e 2019.

Segundo a sua página eletrónica, a h2n visa promover a mudança de normas sociais e comportamentos individuais através de informação mais eficaz.

FPA // JH

By Impala News / Lusa

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