Novo Banco: Gaioso diz desconhecer histórico da dívida da Promovalor gerida pela sua empresa

O presidente da C2 Capital Partners, Nuno Gaioso Ribeiro, disse hoje no parlamento desconhecer o histórico da dívida ao Novo Banco da Promovalor, empresa de Luís Filipe Vieira, dizendo que a gestora de capitais de risco apenas a gere.

Novo Banco: Gaioso diz desconhecer histórico da dívida da Promovalor gerida pela sua empresa

Novo Banco: Gaioso diz desconhecer histórico da dívida da Promovalor gerida pela sua empresa

O presidente da C2 Capital Partners, Nuno Gaioso Ribeiro, disse hoje no parlamento desconhecer o histórico da dívida ao Novo Banco da Promovalor, empresa de Luís Filipe Vieira, dizendo que a gestora de capitais de risco apenas a gere.

“A sociedade gestora que represento desconhece o histórico de financiamento entre o Novo Banco e o devedor e nunca teve qualquer participação acionista ou intervenção na gestão da sociedade devedora”, disse Nuno Gaioso Ribeiro na intervenção inicial na sua audição na Comissão Eventual de Inquérito Parlamentar às perdas registadas pelo Novo Banco e imputadas ao Fundo de Resolução.

Nuno Gaioso Ribeiro está a ser ouvido por ser gestor da dívida da Promovalor, empresa do presidente do Benfica Luís Filipe Vieira, ao Novo Banco, que segundo o também ex-vice-presidente do clube totaliza 219,7 milhões de euros.

“Desconheço, desconheço em absoluto, não tenho como conhecer — nem pelo exercício da atividade profissional, nem por conhecimento público — se existem perdas imputadas ao Fundo de Resolução relativamente ao fundo”, disse também o gestor no arranque da audição de hoje.

Com a constituição do Fundo de Investimento Alternativo Especializado, que comprou as dívidas da Promovalor ao Novo Banco em novembro de 2017, “foram adquiridos ao Novo Banco 133,9 milhões de euros de créditos e foram, ainda, reestruturados pelo Novo Banco (isto é, mantiveram-se no balanço do banco) financiamentos existentes de 85,8 milhões de euros, perfazendo a operação o montante total de 219,7 milhões de euros”.

“O Novo Banco ficou, exatamente, com 95,89% do capital total subscrito do fundo que é de 146,1 milhões de euros”, disse Nuno Gaioso Ribeiro aos deputados.

O gestor considerou que “no caso em concreto, tratando-se de créditos que foram aplicados em ativos imobiliários e turísticos com retornos financeiros de longo prazo e grande iliquidez, uma solução de execução ou venda rápida dos ativos ou dos créditos (e, provavelmente, parcial) parecia ser, objetivamente, desfavorável para o credor”.

Assim, a solução acabou por ser a constituição de “um fundo que adquiriu os créditos para, através destes, aceder à propriedade dos ativos, para os explorar, desenvolver e alienar a prazo, desejavelmente em melhores condições de mercado”.

Segundo Nuno Gaioso Ribeiro, esse modelo evitou a venda “descontrolada” de ativos, reforçou as garantias do Novo Banco junto dos ativos, “assegurou liquidez adicional para proteger os ativos perante ações de outros credores”, “não contemplou qualquer perdão de dívida ou de juros ao devedor” e “atribuiu prioridade ao Novo Banco na distribuição de capital e liquidez originada no fundo”

O gestor da C2 Capital Partners afastou também a hipótese de existência de conflitos de interesse, afirmando que “sem a vontade e a decisão do Novo Banco o fundo não existiria”, e a sociedade gestora não tem “poder decisório substantivo nesta operação”.

“Os interesses da sociedade eram e são em absoluto convergentes, estão totalmente alinhados, com os dos investidores: gerir o Fundo no melhor interesse destes, recuperar capital de acordo seguindo o plano contratual estabelecido”, justificou.

Segundo o gestor, os principais ativos do fundo são um conjunto de imóveis em Portugal e Espanha (53%), em Moçambique (21%) e no Brasil (26%).

Nuno Gaioso Ribeiro disse ainda que “têm existido dificuldades operacionais no fundo que podem comprometer, nesta conjuntura inesperada e no curto prazo, alguns objetivos previstos atingir ao fim de cinco anos”, decorrentes da demora da inclusão de ativos no fundo e outras relacionadas com “litígios complexos”, dificuldades “muito agravadas, por fim, pela pandemia”.

JE/JF // JNM

By Impala News / Lusa

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