NATO alerta para riscos vindos da China por “influência política” na tecnologia

Uma especialista da Organização do Tratado do Atlântico Norte alertou hoje para os riscos da tecnologia móvel de quinta geração desenvolvida na China e aplicada na União Europeia.

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NATO alerta para riscos vindos da China por “influência política” na tecnologia

Uma especialista da Organização do Tratado do Atlântico Norte alertou hoje para os riscos da tecnologia móvel de quinta geração desenvolvida na China e aplicada na União Europeia.

Bruxelas, 24 set 2019 (Lusa) — Uma especialista em cibersegurança da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) alertou hoje para os riscos associados à tecnologia móvel de quinta geração (5G) desenvolvida na China e aplicada na União Europeia (UE), pedindo “medidas urgentes” de segurança.

“Existe, obviamente, uma influência legal e política do Estado chinês e do Partido Comunista na indústria tecnológica. Sabemos que as leis chinesas de cibersegurança requerem que as empresas cooperem com os serviços secretos fornecendo informações, estando prevista proteção estatal às companhias que o façam”, afirmou a investigadora do Centro Cooperativo de Excelência em Defesa Cibernética da NATO, Kadri Kaska.

Falando numa conferência sobre resiliência digital promovida pelo centro de reflexão The Lisbon Council, em Bruxelas, a especialista assinalou que “uma das preocupações centra-se no facto de a Huawei estar a liderar a inovação no desenvolvimento da tecnologia 5G”.

“A Huawei tornou-se numa das maiores fornecedoras de tecnologia em todo o mundo e é, inclusive, a única companhia que disponibiliza rede 5G desta escala”, reforçou a responsável.

Kadri Kaska vincou, assim, que “as ligações das companhias tecnológicas ao Estado […] tornam necessário que os Estados adotem medidas de segurança”, nomeadamente na UE.

“Controlar uma infraestrutura desta dimensão significa controlar uma série de dados […], o que cria vulnerabilidades e riscos [para outros países], para as quais são necessárias medidas urgentes”, adiantou.

Ainda assim, Kadri Kaska reconheceu que, apesar das várias suspeitas de espionagem que têm recaído sobre a Huawei, nomeadamente referentes à instalação de portas traseiras nos equipamentos 5G para captação de dados, “nunca houve provas de que a empresa está a usar a tecnologia em prol do Estado chinês”.

“Também temos de ter presente o facto de que nenhuma tecnologia pode ser 100% segura”, disse.

Presente na ocasião, o comissário europeu para a União da Segurança, Julian King, referiu que “a tecnologia é, hoje em dia, uma questão geopolítica”.

“Precisamos de ter uma abordagem europeia para proteger a segurança das redes europeias de 5G porque implica uma massiva troca de dados”, notou.

Em causa estão, segundo o comissário, “infraestruturas críticas da UE”.

Assumida como uma prioridade desde 2016, a aposta no 5G já motivou também preocupações com a cibersegurança, tendo levado a Comissão Europeia, em março deste ano, a fazer recomendações de atuação aos Estados-membros, permitindo-lhes desde logo excluir empresas ‘arriscadas’ dos seus mercados.

Bruxelas pediu, ainda, que cada país analisasse os riscos nacionais com o 5G, o que aconteceu até junho passado, seguindo-se uma avaliação geral em toda a UE para, até final do ano, se encontrarem medidas comuns de mitigação das ameaças.

A Comissão Europeia está agora a ultimar a “avaliação coletiva” do riscos encontrados pelos Estados-membros, devendo publicar esta informação num relatório que será divulgado “nas próximas semanas”, revelou Julian King.

“Depois, avançaremos para a terceira fase [do processo], que é identificar ferramentas para mitigar estes riscos”, adiantou.

A Europa é o maior mercado da Huawei fora da China. De um total de 50 licenças que a empresa detém para o 5G, 28 são para operadoras europeias.

ANE // CSJ

By Impala News / Lusa

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