Moody’s corta ´rating´ da dívida sénior ordinária do BPI depois de nova lei

A Moody’s cortou o ‘rating’ da dívida sénior ordinária do BPI de Baa2 para Ba1 com ‘outlook’ (perspetiva) “estável”, depois da entrada em vigor de uma lei que dá preferência aos depósitos em caso de resolução de um banco.

Moody's corta ´rating´ da dívida sénior ordinária do BPI depois de nova lei

Moody’s corta ´rating´ da dívida sénior ordinária do BPI depois de nova lei

A Moody’s cortou o ‘rating’ da dívida sénior ordinária do BPI de Baa2 para Ba1 com ‘outlook’ (perspetiva) “estável”, depois da entrada em vigor de uma lei que dá preferência aos depósitos em caso de resolução de um banco.

Segundo um comunicado, enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), o banco recordou que “em março de 2019 entrou em vigor um novo quadro regulamentar em Portugal que estendeu a preferência creditícia a todos os depósitos relativamente à dívida sénior ordinária (dívida ‘senior unsecured’), reforçando a proteção dos depósitos num cenário de resolução”.

Neste âmbito, “a Moody’s reduziu o ‘rating’ do emissor e da dívida sénior ordinária (dívida ‘senior unsecured’) de longo prazo do banco de Baa2 para Ba1 com ‘outlook’ “estável”, uma vez que a extensão da preferência creditícia a todos os depósitos reflete-se numa redução do volume de instrumentos suscetíveis de absorver perdas ao nível da dívida sénior ordinária (dívida ‘senior unsecured’), em caso de resolução”.

Ainda assim, “o montante de dívida sénior ordinária (‘senior unsecured’) do banco BPI era de apenas 12 milhões de euros em 31 de março 2019”, de acordo com o mesmo comunicado, que acrescenta que “o ‘rating’ da outra dívida de curto prazo foi alterado de P-2 para Not Prime”.

Na mesma decisão, a Moody’s “reafirmou a classificação de investimento Baa1 dos depósitos de longo prazo do banco BPI, com ‘outlook’ “estável”.

A instituição destacou que “os depósitos de clientes representam a principal fonte de ‘funding’ [financiamento] do banco BPI, fonte que recentemente foi complementada com a emissão de obrigações hipotecárias que têm uma notação de Aa3”.

De acordo com o mesmo comunicado, a Moody’s realçou “a melhoria dos níveis de rentabilidade na atividade doméstica do banco, os adequados níveis de capital, a melhoria gradual dos indicadores de qualidade de risco de crédito, que comparam favoravelmente com o setor em Portugal, e um adequado perfil de liquidez”, garantiu o BPI.

O banco recordou ainda que “as agências internacionais de ‘rating’ S&P Global Ratings e Fitch Ratings atribuem classificação de investimento à dívida de longo prazo do Banco BPI, de BBB, em ambos os casos com ‘outlook’ “estável”, segundo a mesma nota.

Em dezembro do ano passado, a Moody’s já tinha alertado para o impacto desta nova lei nos ‘ratings’ da banca nacional.

Nessa altura, a agência manteve os ‘ratings’ dos bancos portugueses, mas mudou para negativo vários ‘outlooks’, devido à “implementação de um novo enquadramento legal” que dá preferência aos depositantes sobre os investidores em caso de resolução.

Para a Moody’s, a nova legislação poderia levar a que a futura insolvência de bancos fosse mais aparatosa e isso resultar em ‘ratings’ mais baixos para a dívida portuguesa sénior não garantida e por isso mudou o ‘outlook’ para negativo nestes instrumentos, em muitos casos”.

ALYN // CSJ

By Impala News / Lusa

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