Lucros do Grupo Montepio sobem de 1,6 ME para 6,1 ME em 2019

O grupo Montepio teve lucros de 6,1 milhões de euros em 2019, mais do triplo dos 1,6 milhões de 2018, segundo as contas consolidadas divulgadas pela Associação Mutualista Montepio Geral, que incluem reservas do auditor PWC.

Lucros do Grupo Montepio sobem de 1,6 ME para 6,1 ME em 2019

Lucros do Grupo Montepio sobem de 1,6 ME para 6,1 ME em 2019

O grupo Montepio teve lucros de 6,1 milhões de euros em 2019, mais do triplo dos 1,6 milhões de 2018, segundo as contas consolidadas divulgadas pela Associação Mutualista Montepio Geral, que incluem reservas do auditor PWC.

A mutualista — o topo do grupo Montepio — divulgou a informação sobre as contas consolidadas de 2019 nos documentos que acompanham a convocatória para a assembleia geral extraordinária marcada para 30 de setembro, mas que deverá ser realizada apenas em 15 de outubro, uma vez que não é provável que dia 30 estejam dois terços dos associados presentes.

No ano passado, a Associação Mutualista Montepio Geral teve lucros consolidados de seis milhões de euros, mais do triplo dos 1,6 milhões registados em 2018 (valor reexpresso).

Já em termos individuais, a mutualista tinha divulgado em junho que, em 2019, teve prejuízos de 408,8 milhões de euros (devido ao reforço de imparidades sobretudo para o banco Montepio, por imposição da auditora PWC).

O relatório e contas consolidado agora divulgado inclui a certificação legal de contas, a cargo da auditora PWC, referindo esta que “mantém, no essencial, mas com as devidas adaptações, as ênfases e a reserva por discordância que constaram da certificação legal de contas incidente sobre as contas individuais da Associação Mutualista Montepio”.

A auditora diz que mantém a “reserva por desacordo” face aos ativos por impostos diferidos registados nas contas da mutualista.

Em junho ficou a saber-se que a PWC considerava que a Associação Mutualista Montepio não tem condicões de recuperar os 800 milhões de euros em ativos por impostos diferidos registados nas contas, já que não deverá gerar nos próximos anos lucros suficientes que permitam recuperar o valor na íntegra.

Foi em 2017 que as contas da mutualista passaram a incorporar ativos por impostos diferidos no valor de 800 milhões de euros, o que lhe permitiu apresentar lucros consolidados consideráveis (831 milhões de euros).

Então, a Associação Mutualista Montepio Geral passou a ficar sujeita à aplicação de IRC (o imposto aplicado sobre os lucros das empresas), isto após um pedido de informação da própria ao fisco, o que permitiu beneficiar desses créditos fiscais, que quando foram conhecidos provocaram polémica, com críticas e pedidos de esclarecimento por parte de vários partidos (PSD, CDS-PP, PCP e BE).

Em conferência de imprensa em 01 de julho deste ano, o presidente da mutualista, Virgílio Lima, afirmou que a PWC tem uma interpretação diferente das normas contabilísticas quanto aos ativos por impostos diferidos (pelo que defendia uma redução do valor registado), o que levou à contratação de um outro auditor (a BDO) para dar a sua opinião.

Segundo o responsável, esse auditor concluiu que já tinham sido recuperados cerca de metade dos ativos por impostos diferidos constituídos e que os existentes serão recuperáveis no prazo de seis a sete anos.

A Associação Mutualista Montepio Geral – que no final de 2019 tinha 601.784 associados, menos 1,8% do que em 2018 – é o topo do grupo Montepio e tem como principal empresa o banco Montepio, que desenvolve o negócio bancário. Detém ainda negócio segurador (caso da Lusitânia) e outras empresas (dedicadas a residências de idosos, residências de estudantes, gestão de imobiliário, entre outras atividades).

Virgílio Lima é seu presidente desde dezembro de 2019, quando Tomás Correia (que foi presidente durante 11 anos) deixou o cargo.

A PWC substituiu este ano a KPMG como auditor da mutualista Montepio.

IM // JNM

By Impala News / Lusa

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