Jornalistas moçambicanos impedidos de assistir ao início do julgamento de Nini Satar

Jornalistas moçambicanos impedidos de assistir ao início do julgamento de Nini Satar

Jornalistas moçambicanos foram hoje impedidos de acompanhar o início do julgamento de Nini Satar, condenado em 2000 pelo assassínio do jornalista moçambicano Carlos Cardoso e que agora responde por falsificação de documentos.

Os jornalistas foram impedidos pelos guardas prisionais da cadeia de máxima segurança localizada na Machava, município da Matola, onde o julgamento decorre.

Duas horas após o início do julgamento, que começou às 08:00 locais (menos uma hora em Lisboa), os jornalistas foram convidados a entrar, mas sem repórteres de imagem.

Nini Satar é acusado de falsificação de passaporte, num esquema que também envolve um funcionário do Serviço de Migração de Moçambique e o seu sobrinho, cujo nome terá sido usado na falsificação do documento.

No final da sessão, os advogados de defesa dos réus, incluindo Flávio Menete, bastonário da Ordem dos Advogados, disseram à imprensa que não solicitaram que a audiência fosse à porta fechada.

Durante o julgamento, Nini Satar alegou que falsificou o passaporte para sair de Moçambique, porque corria risco de vida no país, depois de ter solicitado à Procuradoria-Geral um passaporte.

Nini Satar recusou regressar a Moçambique após ter obtido uma autorização judicial para tratamento médico no estrangeiro, na sequência da liberdade condicional, após cumprir metade dos 24 anos de prisão a que foi condenado em 2003 pelo homicídio do jornalista moçambicano Carlos Cardoso três anos antes.

Nini Satar acabou por ser capturado em julho de 2018 na Tailândia, em cumprimento de um mandado internacional.

O Tribunal Judicial da Cidade de Maputo pronunciou Nini Satar por seis crimes cometidos em 2016, nomeadamente duas tentativas de rapto, uso de armas proibidas, associação para delinquir, um roubo qualificado e rapto consumado.

A justiça moçambicana suspeita que Nini Satar seja um dos responsáveis pela onda de raptos que atingiu Maputo entre 2011 e 2014, visando principalmente homens de negócios ou familiares destes.

EYAC // SR

By Impala News / Lusa

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