Inquérito/CGD: Investifino atribui incumprimento à venda de ações da Cimpor pelo banco

O administrador executivo da Investifino José Manuel Fino, filho de Manuel Fino, disse no parlamento que a venda das ações da Cimpor pela CGD levou ao incumprimento do serviço de dívida.

Inquérito/CGD: Investifino atribui incumprimento à venda de ações da Cimpor pelo banco

Inquérito/CGD: Investifino atribui incumprimento à venda de ações da Cimpor pelo banco

O administrador executivo da Investifino José Manuel Fino, filho de Manuel Fino, disse no parlamento que a venda das ações da Cimpor pela CGD levou ao incumprimento do serviço de dívida.

Lisboa, 14 mai 2019 (Lusa) – O administrador executivo da Investifino José Manuel Fino, filho de Manuel Fino, disse hoje no parlamento que a venda das ações da Cimpor pela Caixa Geral de Depósitos (CGD) levou ao incumprimento do serviço de dívida.

A forma “totalmente imprevista e inusitada” como a CGD “decidiu imediatamente vender” ações da Cimpor em consequência da OPA da Camargo Corrêa, “apesar do preço baixo oferecido”, não permitiu à Investifino cumprir os seus compromissos com o banco público, disse José Manuel Fino durante a sua audição na comissão parlamentar de inquérito à CGD.

“Caso tivesse mantido essa possibilidade [de recompra das ações da Cimpor, negociada com a CGD], a Investifino teria reduzido a sua exposição à Caixa em pelo menos 50 milhões de euros”, defendeu José Manuel Fino no parlamento.

O administrador da Investifino contou a história das várias renegociações da dívida da empresa com a CGD, e revelou que até 2008 “a Investifino foi cumprindo as obrigações contratuais” com a CGD.

Posteriormente, a crise fez com que “a valorização dos títulos detidos pela Investifino, nomeadamente no BCP, se deteriorassem”, o que levou a que em 2009 a empresa tivesse acordado com a CGD “reduzir a sua exposição e manter a capacidade de no futuro fazer uma alienação”.

José Manuel Fino revelou que “a reestruturação foi concretizada” com uma “amortização da dívida” e venda de “64 milhões de ações da Cimpor” à Caixa, com uma “regularização dos juros vencidos até à data” e “opção de recompra durante três anos a um preço equivalente ao preço da aquisição”.

“Com esta reestruturação, a CGD viu a dívida da Investifino ser reduzida”, afirmou José Manuel Fino, e no âmbito dessa operação haveria a possibilidade “de recompra que lhe permitiria ter um bloco de ações na Cimpor e ter uma posição de charneira” na cimenteira.

José Manuel Fino disse ainda que “no início de 2012, não tendo a oportunidade a Investifino da recompra das ações da Cimpor desde 2009”, a empresa pediu à CGD uma extensão do acordo de reestruturação.

“Essa solicitação não foi aceite pela CGD”, tendo a opção de compra da Investifino sobre as ações da Cimpor expirado em fevereiro de 2012.

José Manuel Fino considerou que “de forma totalmente imprevista e inusitada, a CGD decidiu imediatamente vender aquele bloco de ações da Cimpor, apesar do preço baixo oferecido”, retirando à Investifino a hipótese de recompra.

“Apesar de tudo, [essa venda] gerou uma mais-valia de 50 milhões de euros” à Caixa, valor semelhante ao que a Investifino “teria reduzido a sua exposição à Caixa”, caso tivesse mantido a possibilidade de recompra das ações da Cimpor.

José Manuel Fino está acompanhado pelo irmão, Francisco Manuel Fino, que é administrador não executivo da Investifino, por um advogado e um assessor financeiro.

O pai, Manuel Fino, entrou na sala de audiências a meio da sessão, sentando-se no lugar dos assessores.

JE // JNM

By Impala News / Lusa

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