Guerra na Ucrânia empurrará mais quatro milhões de africanos para a pobreza extrema

O Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) estima que 30 milhões de africanos tenham sido empurrados para a pobreza extrema em 2021 devido à pandemia e prevê que a guerra da Ucrânia empurre outros quatro milhões até 2023.

Guerra na Ucrânia empurrará mais quatro milhões de africanos para a pobreza extrema

Guerra na Ucrânia empurrará mais quatro milhões de africanos para a pobreza extrema

O Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) estima que 30 milhões de africanos tenham sido empurrados para a pobreza extrema em 2021 devido à pandemia e prevê que a guerra da Ucrânia empurre outros quatro milhões até 2023.

Nas suas Perspetivas Económicas Africanas, hoje lançadas no âmbito dos encontros anuais do BAD em Acra, o banco sublinha que, apesar de um crescimento económico de 6,9% em 2021, os impactos da pandemia nas vidas e nas fontes de subsistência dos africanos continuaram a sentir-se no ano passado.

“O banco estima que cerca de 30 milhões de africanos tenham sido empurrados para a pobreza extrema em 2021 e que cerca de 22 milhões de empregos se tenham perdido nos países africanos nesse mesmo ano devido à pandemia”, lê-se no relatório.

O BAD alerta que estes resultados devem continuar este ano e no próximo, e estima que, contabilizando as perturbações económicas da guerra provocada pela invasão da Ucrânia pela Rússia, o número de africanos empurrados para a pobreza extrema poderá ser de 1,8 milhões em 2022 e 2,1 milhões em 2023.

Os trabalhadores do setor informal, sobretudo mulheres e jovens, deverão ser os mais afetados, concluem os economistas do BAD.

O BAD estima que as necessidades de financiamento adicional para apoiar a recuperação de África sejam de cerca de 432 mil milhões de dólares (405 mil milhões de euros) entre 2020 e 2022 (uma revisão em baixa da anterior estimativa de 484 mil milhões de dólares, 454 mil milhões de euros) o que se traduz numa média de 144 mil milhões (135 mil milhões de euros) por ano.

No relatório, o banco alerta também que o financiamento climático de África está abaixo dos compromissos feitos pelos países desenvolvidos e das necessidades do continente para adaptação e mitigação das alterações climáticas.

Entre 1,3 biliões e 1,6 biliões de dólares (1,2 e 1,5 biliões de euros) serão necessários entre 2020 e 2030 para implementar os compromissos do continente a nível da ação climática, o equivalente a entre 118,2 mil milhões (110 mil milhões de euros) e 145,5 mil milhões de dólares (135 mil milhões de euros) anuais.

O banco lembra que o financiamento climático global de África só aumentou 3 pontos percentuais em média entre 2010 e 2019, de 23% em 2010-2015 para 26% em 2016-19.

“Se esta tendência continuar, uma lacuna de financiamento de entre 99,9 mil milhões de dólares [93,6 mil milhões de euros] e 127,2 mil milhões de dólares [120 mil milhões de euros] por ano irá permanecer até 2030, provavelmente prejudicando os esforços de África para apoiar a resiliência climática e uma transição energética justa”, refere-se no relatório.

Os encontros anuais do BAD, o evento mais importante da instituição que tem 54 Estados-membros africanos e 27 não africanos, decorrem desde segunda-feira e até sexta-feira em Acra, sob o tema “Alcançar a Resiliência Climática e uma Transição Energética Justa para África”.

A guerra na Ucrânia, que hoje entrou no 91.º dia, causou já a fuga de mais de 14 milhões de pessoas de suas casas — mais de oito milhões de deslocados internos e mais de 6,6 milhões para os países vizinhos -, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e a imposição à Rússia de sanções que atingem praticamente todos os setores, da banca ao desporto.

FPA // LFS

Lusa/fim

By Impala News / Lusa

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