Greve dos motoristas «dispara» compra de jerricãs

A ameaça de greve dos motoristas de matérias perigosas está a originar uma «corrida» à compra de jerricãs para armazenar combustível, apesar de a lei não o permitir. As multas podem chegar aos 2.750 euros.

Greve dos motoristas «dispara» compra de jerricãs

Greve dos motoristas «dispara» compra de jerricãs

A ameaça de greve dos motoristas de matérias perigosas está a originar uma «corrida» à compra de jerricãs para armazenar combustível, apesar de a lei não o permitir. As multas podem chegar aos 2.750 euros.

A ameaça de greve dos motoristas de matérias perigosas está a originar uma «corrida» à compra de jerricãs para armazenar combustível, apesar de a lei não o permitir. As multas podem chegar aos 2.750 euros. «Isto tem sido uma loucura. Até aqueles que tínhamos em exposição foram vendidos», contou à Lusa um funcionário da loja de acessórios de automóveis de Portimão, no distrito de Faro. A mesma fonte referiu que, desde o início do mês, as vendas naquela loja da cidade algarvia «dispararam» e que a média por pessoa tem sido de três a quatro jerricãs.

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O mesmo cenário repete-se numa loja da mesma cadeia, mas em Braga, onde também já não existem jerricãs disponíveis. «O aumento da procura começou há cerca de 15 dias e neste momento está totalmente esgotado», disse à Lusa uma funcionária daquela loja. O aumento da procura e venda de jerricãs também se verificou num dos principais revendedores deste recipiente, com sede na cidade do Porto. Segundo dados enviados pela empresa à Lusa, entre o dia 01 de julho e o dia de hoje foram vendidos 16 mil jerricãs, mais de nove mil do que em igual período do ano transato.

Lei não permite armazenamento de combustíveis em jerricãs em edifícios

As pessoas que estão a armazenar combustível em jerricãs em casa estão em incumprimento da lei que regulamenta a matéria técnica de Segurança Contra Incêndio em Edifícios, Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC). De acordo com uma resposta enviada à Lusa pela ANEPC, o decreto-lei que regulamenta a matéria técnica de Segurança Contra Incêndio em Edifícios, refere que «nos locais de utilização no interior dos edifícios e dos recintos só é permitida a existência de gases combustíveis nas situações exclusivamente referentes a garrafas ou cartuchos de GPL e de gás distinto de GPL».

Lei prevê multas altas

A mesma portaria, já no artigo que diz respeito às «Arrecadações de Condomínios» refere a proibição de armazenar líquidos combustíveis, nomeadamente «gases combustíveis ou tóxicos», além de «líquidos combustíveis cujo ponto de inflamação seja inferior a 21º C (…) ou cujo ponto de inflamação esteja compreendido entre 21 e 55º C, em quantidades superiores a 10 litros» e ainda «líquidos combustíveis cujo ponto de inflamação seja superior a 55º C, em quantidades superiores a 20 litros». O armazenamento de líquidos e de gases combustíveis, em violação dos requisitos determinados para a sua localização ou quantidades permitidas, pode levar os infratores ao pagamento de coimas que vão dos 275 euros até aos 2.750 euros, no caso de pessoas singulares, ou até 27.500 euros, no caso de pessoas coletivas.

Governo decreta serviços mínimos entre 50% e 100%

O Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP) e o Sindicato Independente de Motoristas de Mercadorias (SIMM) convocaram uma greve a iniciar na segunda-feira, e por tempo indeterminado. Esta greve ameaça parar o país em pleno mês de agosto, uma vez que vai afetar todas as tipologias de transporte de todos os âmbitos e não apenas o transporte de matérias perigosas. O abastecimento às grandes superfícies, à indústria e serviços deve ser afetado.

O Governo decretou na quarta-feira serviços mínimos entre 50% e 100% para a greve dos motoristas de mercadorias que se inicia no dia 12 por tempo indeterminado. Os serviços mínimos serão de 100% para abastecimento destinado à REPA – Rede de Emergência de Postos de Abastecimento, portos, aeroportos e aeródromos que sirvam de base a serviços prioritários. O Governo decretou ainda serviços mínimos de 100% para abastecimento de combustíveis para instalações militares, serviços de proteção civil, bombeiros e forças de segurança.

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