Governo cabo-verdiano desafia Inforpress a afirmar-se como “referência” em África (C/ÁUDIO)

O secretário de Estado Adjunto do primeiro-ministro de Cabo Verde, Lourenço Lopes, que tem a tutela da Comunicação Social, desafiou hoje, na Praia, a agência pública de notícias Inforpress a afirmar-se como uma “referência” em África.

Governo cabo-verdiano desafia Inforpress a afirmar-se como

Governo cabo-verdiano desafia Inforpress a afirmar-se como “referência” em África (C/ÁUDIO)

O secretário de Estado Adjunto do primeiro-ministro de Cabo Verde, Lourenço Lopes, que tem a tutela da Comunicação Social, desafiou hoje, na Praia, a agência pública de notícias Inforpress a afirmar-se como uma “referência” em África.

Para o governante, aquela agência de notícias, totalmente detida pelo Estado cabo-verdiano, deve procurar ser “mais reconhecida e prestigiada pelos seus clientes e parceiros”.

“Eu desafio, e aqui a Lusa é um bom exemplo – nós devemo-nos inspirar nos bons exemplos -, que é a Inforpress se afirmar como uma agência de referência no quadro lusófono e africano”, afirmou Lourenço Lopes, na abertura da ação de formação “O Jornalismo no Século XXI”, promovida pela agência cabo-verdiana de notícias, ministrada por formadores da agência Lusa e com o apoio do instituto Camões e do Governo de Cabo Verde.

“E assim, estará a Inforpress, e também os outros órgãos aqui presentes, a dar um contributo inestimável, decisivo, para que Cabo Verde continue a afirmar-se como uma referência incontornável da liberdade de imprensa em África e no mundo”, sublinhou o secretário de Estado.

Esta ação de formação, a sexta realizada ao abrigo do mesmo programa de cooperação entre a Inforpress e a Lusa, visa promover o reforço da competência técnica do quadro de pessoal da agência e de outros órgãos de comunicação social cabo-verdianos, e deverá ser frequentada, até sexta-feira, por 46 profissionais cabo-verdianos do setor da comunicação social, com o objetivo de os ajustar ao novo paradigma no setor da comunicação social.

Na mesma intervenção, Lourenço Lopes destacou a importância deste ciclo de formação, iniciado em 2019, para reforço das capacidades técnicas e conhecimentos dos jornalistas e para um “combate inteligente à desinformação”, o qual passa ainda por outras ações já em preparação pelo Governo.

“Nos próximos meses vamos apostar no conceito de literacia mediática e vamos, em colaboração com o Ministério da Educação, promover uma conferência internacional sobre questões ligadas às ‘fake news’, à literacia mediática, e que contará com a parceria da agência Lusa e da RTP”, anunciou.

Sobre a formação que hoje se iniciou na Praia, envolvendo jornalistas de todas as ilhas cabo-verdianas, Lourenço Lopes destacou que se pretende “elevar o desempenho da Inforpress e dos outros órgãos”, através de uma “melhor participação dos profissionais, eticamente comprometidos e com os recursos necessários para realizar o seu trabalho”.

Assumiu que sobre a Inforpress o compromisso do Governo “é muito claro”: “Assinatura o quanto antes do contrato de serviço público entre o Estado e a agência de notícias Inforpress”.

O mesmo acontecerá com o Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) dos trabalhadores da Inforpress, que já está para aprovação pelo Governo, e prometeu que, em função das disponibilidades financeiras do Estado cabo-verdiano, avançará a “elaboração de um plano plurianual de investimentos” para a agência pública de notícias e para a Radio Televisão Cabo-verdiana (RTC).

Segundo o gestor único da Inforpress, José Furtado, a ação de formação que hoje arrancou, assegurada por dois jornalistas da agência Lusa, prevê a “partilha de experiência” em matéria de planeamento e cobertura jornalística, sobre o papel dos correspondentes, da complementaridade entre órgãos de comunicação social, liberdade de impressa, direitos e deveres dos jornalistas ou sobre o funcionamento das redações, entre outras áreas.

“De forma a poderem estar preparados para os desafios do dia a dia nas redações, quer dos jornais, quer da rádio, quer da televisão”, apontou.

José Furtado apontou que o maior desafio atual da Inforpress é a “sobrevivência financeira”, admitindo por isso a necessidade de encontrar formas alternativas de financiamento, com a disponibilização de outros produtos informativos, para não estar dependentes apenas da subvenção do Estado cabo-verdiano.

Paralelamente, a formação de quadros é igualmente prioritária: “Atualmente, um dos grandes desafios desta agência de notícias tem a ver com a capacitação dos seus jornalistas para o novo jornalismo, a integração das redações multimédia e o desenvolvimento de novos produtos. Esta ação de formação veio em boa hora e por isso um bem-haja a esta parceria com o instituto Camões, a Lusa e o Governo de Cabo Verde”.

Este ciclo de formações ministrado por jornalistas da agência Lusa tem o apoio do instituto Camões e, segundo Helena Guerreiro, adida para a Cooperação na Embaixada de Portugal na Praia, representou o “retomar”, pelo menos com Cabo Verde, da assiduidade na cooperação portuguesa neste setor.

“Não podendo eu, obviamente, comprometer-me com o que se seguirá, mas acredito que perante os bons resultados que acho que são por todos identificados, poderemos ter aqui o começo de alguma coisa de facto mais sustentada no futuro, daí a importância redobrada deste projeto”, concluiu Helena Guerreiro, também ao intervir na sessão de abertura desta formação.

PVJ // VM

By Impala News / Lusa

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