Fim de programas desportivos ajuda a “esbater” saída de Cristina Ferreira da SIC

O fim dos programas de desporto com comentadores que representam clubes de futebol, um “formato que se desgastou”, ajuda a SIC a “esbater” a saída de Cristina Ferreira, disse à Lusa Felisbela Lopes, investigadora e professora da Universidade do Minho.

Fim de programas desportivos ajuda a

Fim de programas desportivos ajuda a “esbater” saída de Cristina Ferreira da SIC

O fim dos programas de desporto com comentadores que representam clubes de futebol, um “formato que se desgastou”, ajuda a SIC a “esbater” a saída de Cristina Ferreira, disse à Lusa Felisbela Lopes, investigadora e professora da Universidade do Minho.

O fim dos programas de desporto com comentadores que representam clubes de futebol, um “formato que se desgastou”, ajuda a SIC a “esbater” a saída de Cristina Ferreira, disse à Lusa Felisbela Lopes, investigadora e professora da Universidade do Minho.

“A SIC podia anunciar isto em finais de agosto, anunciou agora porque cria expectativa. Que significado tem isto? O impacto da notícia da saída de Cristina Ferreira para a TVI esbate-se”, defendeu a especialista.

A SIC Notícias anunciou na passada segunda-feira que iria acabar com os programas de desporto “Play Off” e “O Dia Seguinte”, com comentadores que representam clubes de futebol, devido à “toxicidade” criada à volta deste género.

Felisbela Lopes, que foi co-autora de um trabalho académico sobre estes programas, referiu que esta questão tem de ser lida “com uma complexidade maior” e tendo em conta que se vive “um dos períodos de concorrência mais aguerrida entre a SIC e a TVI por causa da transferência de Cristina Ferreira”.

Recordando a história destes programas, que começou nos anos 90, a investigadora referiu que este é “um formato que se desgastou pelo acumular dos anos e é uma oportunidade para a SIC criar aqui um marco disruptivo, em que ganha notoriedade relativamente à TVI. A história da televisão documenta que, ao nível de engenharia da programação, quem inova com qualidade ganha as apostas”, salientou.

“Podemos ter o fim de programas com adeptos ligados aos clubes, mas vamos certamente ter programas com adeptos”, referiu Felisbela Lopes, salientando que o que acaba são “programas com adeptos com ligação estreita às direções dos clubes de futebol”.

“Depois de tantos anos passados, o formato merece uma renovação”, defendeu Felisbela Lopes, referindo que estes programas têm causado muita “polémica” e “danos ao mundo do futebol”.

No artigo que publicou sobre esta matéria, Felisbela Lopes deu conta de que estes programas, à data de publicação (2011), “constituem âncoras das grelhas dos três canais temáticos de informação, rivalizando entre si nos comentadores permanentes que conseguem fixar em estúdio”.

“Uma linha sobressai neste trabalho: quem participa nestes programas é uma elite de comentadores que se apresentam como adeptos do Futebol Clube do Porto, do Sporting e do Benfica, mas que mais não são do que uma confraria do comentário do futebol que semanalmente contribui para a construção de um espaço público cada vez mais rarefeito em torno daquilo que se discute no futebol”, salienta o artigo.

Em 27 de julho, a SIC Notícias disse que tinha decidido descontinuar os programas de desporto que assentam em comentadores que representam clubes, vulgarmente conhecidos como ‘os três grandes’ Benfica/Porto/Sporting, de acordo com declarações à Lusa do diretor de informação da Impresa, Ricardo Costa.

Os dois programas da grelha da SIC Notícias – “Play Off” e “Dia Seguinte” – terminam “na próxima semana”, adiantou.

“Vamos ter um modelo diferente à segunda-feira e outro ao domingo, ainda estamos a reorganizar as grelhas”, disse Ricardo Costa, quando questionado sobre que tipo de programas irá substituir o “Play Off” e o “Dia Seguinte”.

“A pandemia podia ter ajudado a que os agentes do futebol percebessem bem a situação em que o futebol, como toda a sociedade se encontra, mas infelizmente não foi isso que aconteceu. Ou seja, o regresso do futebol voltou ainda pior do que estava antes em termos de guerra entre os clubes”, salientou Ricardo Costa.

“Esse ambiente de toxicidade que se foi criando à volta deste tipo de programas, e para o qual contribui muito os próprios clubes e as suas máquinas de comunicação, coloca-nos perante uma situação de que chegou a altura de terminar este tipo de programas na SIC Notícias”, explicou à Lusa o diretor de informação da Impresa.

 

 

 

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