Exportações de petróleo de Angola em junho ao nível mais baixo desde 2008

As exportações de petróleo em Angola vão cair em junho para o valor mais baixo desde pelo menos 2008, com 991 mil barris diários, em resultado da falta de investimento no setor e dos poços em declínio.

Exportações de petróleo de Angola em junho ao nível mais baixo desde 2008

Exportações de petróleo de Angola em junho ao nível mais baixo desde 2008

As exportações de petróleo em Angola vão cair em junho para o valor mais baixo desde pelo menos 2008, com 991 mil barris diários, em resultado da falta de investimento no setor e dos poços em declínio.

De acordo com o manifesto das cargas de exportação, obtido pela agência de informação financeira Bloomberg, o segundo maior exportador de petróleo da África subsaariana vai exportar menos de metade do que disse ambicionar quando aderiu à Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), em 2007.

“O declínio da produção de Angola é o resultado de uma falta de investimento na exploração, mas também do abrandamento da aposta na exploração desses poços em declínio durante os últimos anos”, comentou o analista da consultora WoodMackenzie focado na África subsaariana, Dominic Smith.

“O perfil de produção de longo prazo de Angola vai continuar a cair se o investimento não subir significativamente”, alertou ainda o analista.

A produção de petróleo em Angola caiu de forma notória a partir de 2016, quando as petrolíferas internacionais cortaram drasticamente o investimento na sequência da queda dos preços de 2014, prejudicando principalmente os países onde a operação é mais cara devido às dificuldades técnicas de bombear petróleo das águas ultraprofundas.

A Nigéria continua a ser o maior produtor da África subsaariana, com Angola em segundo lugar desde que ultrapassou a Líbia em guerra, mas com a recuperação do país, a segunda posição de Angola está agora ameaçada, escreve a Bloomberg, notando que a grande maioria da produção destes dois países é para exportação e não para refinação.

Para além da concorrência da Líbia, Angola enfrenta também a ameaça das alterações climáticas, com a Agência Internacional de Energia a defender num relatório deste mês que se os países quiserem cumprir o objetivo de emitir zero dióxido de carbono em 2050, terão de parar já os investimentos nos novos projetos de petróleo e gás.

Um cenário que é uma má notícia para Angola, cujo petróleo representa mais de 90% das exportações, mas também para Moçambique, que aposta nos projetos de gás para garantir a sustentabilidade das finanças públicas e o desenvolvimento económico.

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By Impala News / Lusa

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