Empresas portuguesas em Luanda à espera do melhor ano de negócios pós-crise

Empresas portuguesas em Luanda à espera do melhor ano de negócios pós-crise

As empresas portuguesas que exportam para Angola acreditam que 2018 será o mais positivo nos negócios, após três anos de crise, e quase 40 apostam em força na Feira Internacional de Luanda (FILDA), que arrancou hoje.

Luanda, 10 jul (Lusa) – As empresas portuguesas que exportam para Angola acreditam que 2018 será o mais positivo nos negócios, após três anos de crise, e quase 40 apostam em força na Feira Internacional de Luanda (FILDA), que arrancou hoje.


É o caso da J. Dinis e Filhos, empresa que produz rebuçados e pastilhas em Viana do Castelo e que tem o mercado angolano como destino de 10% da produção anual. Em 2018 volta a apostar na FILDA, a maior feira angolana, após a estreia um ano antes.


“É um mercado que consideramos com grande potencial, embora esteja a passar por algumas dificuldades, mas sentimos que essas dificuldades estão a ser ultrapassadas e daí a nossa presença, para reforçar a quota de mercado, estar mais presentes”, explicou à Lusa Álvaro Castro, gestor de exportação da empresa, sob a designação de “Drops Nazaré”.


Há sete anos que os rebuçados da empresa estão à venda em Angola e após a retração de 2015, no pico da crise angolana, o crescimento dos negócios tem sido anual, sobretudo a após a FILDA de 2017.


O clima em Angola é de mudança, economicamente mais favorável com o aumento das receitas da exportação de petróleo, e isso, garante, vive-se nos negócios: “Nós sentimos que os clientes que já temos aqui no mercado em Angola estão a aumentar as vendas, com mais intensidade. O mercado está a abrir, é muito importante e daí a nossa presença, nos maus e nos bons momentos”.


Já Manuel Rio, administrador da portuguesa Sitemaster, estreia-se na FILDA de 2018, mas há cinco anos que instala equipamentos para rádios em Angola. Já são mais de duas dezenas de emissoras, sobretudo nas províncias de Luanda e da Huíla, e a retoma que se sente está a impulsionar os negócios.


“Angola tem um potencial enorme e quando conseguirmos ultrapassar a questão das divisas é um mercado em que podemos fazer uma grande implantação”, aponta o administrador da Sitemaster.


Manuel Rio acrescenta que há uma “necessidade enorme” em Angola deste tipo de equipamentos, tecnologicamente avançados, e que o objetivo é “aumentar significativamente” as vendas para o país, que atualmente representam 5% do total.


“Muito sinceramente, achamos que as coisas começaram a mudar alguma coisa e há uma maior flexibilidade da banca no acesso a divisas [para pagar as importações por Angola], coisa que não acontecia no ano passado. Portanto, é a altura certa de apoiar”, garante.


A presença da comitiva portuguesa na FILDA é organizada este ano pela Associação Empresarial de Portugal (AEP), que trouxe 19 empresas, mas outras cerca de 20, já com atividade em Angola, têm espaços próprios na edição de 2018, entre cerca de 370 expositores, angolanos e estrangeiros.


Ao fim de oito anos, José Santos decidiu fazer a FS Baby, uma têxtil de Porto de Mós, de roupa de bebé, voltar à FILDA.


“Estamos a tentar outra vez, se calhar já devíamos ter vindo antes”, confessa, apontando que o mercado angolano, sem promoção desde a presença na última FILDA, vale 5% das exportações, coleções de roupa para bebés até aos dois anos.


“Estamos cá para reforçar o mercado. Temos potencial, temos qualidade, temos preço, temos condições para continuar a vender para Angola”, afirma José Santos, administrador da FS Baby, negócio que partilha com a esposa e que exporta 95% da produção.


“Este é um sinal de confiança, que Angola tem potencial e que estamos cá para fazermos o que for possível”, assume.


A partir de Torres Vedras, a Azeol exportou para Angola, em 2017, cerca de 150 contentores de azeite, óleos alimentares, atum e azeitonas. Um volume importante, dentro das exportações da empresa, mas que, como Gonçalo Correia recorda, já foram cerca de 300 contentores, em 2014.


“Dado o enquadramento económico e a dificuldade que todos nós que exportamos para Angola temos, tem-nos corrido francamente bem. Nós, no ano passado, acabamos com uma quota em azeite de 32% [entre toda a venda de azeite português para Angola]”, explicou o gestor da Azeol para o mercado angolano.


Assume, contudo, que há agora “mais confiança na economia angolana” e sobretudo “seriedade de todo o processo” de venda.


A expetativa, aponta Gonçalo Correia, é que 2018 seja o melhor ano de negócios com Angola, após a crise.


“Já foi melhor, neste momento temos uma queda em vendas absolutas para Angola, de 2014 para 2018, de cerca de 40%. De qualquer das formas, é um mercado com muita importância e a queda não é nossa, é de todo o setor”, remata.


A 34.ª edição da FILDA decorre entre hoje e sábado, na Zona Económica Especial Luanda-Bengo, sob o lema “Diversificar a Economia, Desenvolver o Setor Privado”, numa promoção do Mistério da Economia e Planeamento de Angola.



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By Impala News / Lusa

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