Empresa pública de energia sem dinheiro para combustível deixou bairros de Bissau às escuras

Empresa pública de energia sem dinheiro para combustível deixou bairros de Bissau às escuras

Várias zonas da capital da Guiné-Bissau estiveram sem energia durante horas nos últimos três dias por falta de dinheiro na empresa pública de eletricidade para alimentar os geradores, disse à Lusa fonte da instituição.

Bissau, 01 fev (Lusa) – Várias zonas da capital da Guiné-Bissau estiveram sem energia durante horas nos últimos três dias por falta de dinheiro na empresa pública de eletricidade para alimentar os geradores, disse à Lusa fonte da instituição.


A empresa de Eletricidade e Águas da Guiné-Bissau (EAGB) necessita diariamente de cerca de 100 mil litros de gasóleo para manter em funcionamento os geradores que fornecem energia a Bissau.


Entre sexta-feira e domingo, a companhia procedeu a cortes durante várias horas e houve bairros inteiros que ficaram às escuras e sem água canalizada (por falta de eletricidade nas bombas de captação).


O diretor-geral da EAGB, René Barros, disse que, por agora, a situação está resolvida, mas pode voltar a acontecer se o governo não comparticipar o aluguer dos geradores, que é suportado pelas receitas próprias da empresa.


René Barros referiu que a firma multinacional que fornece os geradores na Guiné-Bissau é a mesma que opera em vários países vizinhos, em que os estados subvencionam o contrato de aluguer.


René Barros explicou que a EAGB paga mensalmente 250 milhões de francos CFA (381 mi euros) de aluguer, o que diz ser “incomportável”, tendo em conta que a energia está a ser vendida “abaixo do preço de produção”.


“É como se a empresa gastasse 10 mil para produzir um quilowatt de energia e o vendesse a sete mil”, detalhou Barros, que falou na necessidade de a EAGB equilibrar as suas contas para poder responder às necessidades dos residentes de Bissau.


O diretor-geral acrescentou que a empresa tem uma divida acumulada equivalente a 930 mil euros e nem sabe como saldá-la.


Afirma ser “inevitável” que venha a acontecer um aumento de preços, medida ensaiada no último ano, mas anulada pela justiça na sequência de uma queixa da Associação de Consumidores.


Cerca de 60% da energia é consumida pelo Estado, principal cliente da EAGB, no entanto há atrasos no pagamento, adiantou o diretor-geral.


René Barros referiu que a Guiné-Bissau terá que encontrar alternativas ao modelo atual que passem pela produção solar, hidroelétrica ou a partir de biomassa.


MB

By Impala News / Lusa


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