Dow Jones perde 6% e anula ganhos acumulados desde posse de Trump

A bolsa nova-iorquina fechou em forte baixa com o emblemático Dow Jones a terminar abaixo dos 20 mil pontos, anulando assim todos os ganhos acumulados desde a tomada de posse de Donald Trump como Presidente dos EUA.

Dow Jones perde 6% e anula ganhos acumulados desde posse de Trump

Dow Jones perde 6% e anula ganhos acumulados desde posse de Trump

A bolsa nova-iorquina fechou em forte baixa com o emblemático Dow Jones a terminar abaixo dos 20 mil pontos, anulando assim todos os ganhos acumulados desde a tomada de posse de Donald Trump como Presidente dos EUA.

Os resultados definitivos da sessão indicam que o emblemático Dow Jones Industrial Average desvalorizou 6,30%, para os 19.898,92 pontos, depois de ter chegado a desvalorizar 10,9% durante o dia.

Assim, este índice caiu abaixo do nível em que se situava quando Trump chegou presidência dos EUA, em 20 de janeiro de 2017. Uma má notícia para o inquilino da Casa Branca, que tem feito do comportamento da economia norte-americana e dos mercados financeiros um dos seus principais argumentos de campanha.

Hoje foi mais um dia de medo em Wall Street, com os investidores alarmados com as consequências do novo coronavírus, apesar das centenas de milhares de milhões de dólares disponibilizados pelas autoridades para procurar atenuar o choque da epidemia.

As quedas dos outros principais índices foram um pouco mais baixas do que a do Dow, mas importantes, em todo o caso.

O tecnológico Nasdaq perdeu 4,70%, para os 6.989,84 pontos, e o alargado S&P500 recuou 5,18%, para as 2.398,10 unidades.

Sinal do extremo nervosismo dos investidores, as transações foram suspensas durante 15 minutos quando o S&P500 registava uma descida de sete por cento, o que desencadeou automaticamente um mecanismo de interrupção das trocas, que tem a função, teórica, de permitir que os intervenientes no mercado bolsista recuperam alguma tranquilidade e equilíbrio.

Este mecanismo, designado ‘curto-circuito’, teve hoje a sua quarta utilização desde a segunda-feira da semana passada.

O aumento do número de casos de contaminação pelo novo coronavírus, com a doença a afetar mais de 200 mil pessoas no mundo, e as medidas drásticas da contenção impostas um pouco por todo o lado, afligem os investidores desde há várias sessões.

Mas agora (nos EUA) “tornou-se mais uma crise de confiança no Governo Trump do que outra coisa”, considerou Gregori Volokhine, de Meeschaert Financial Servisses.

O banco central dos EUA, a Reserva Federal (Fed), “muito ativo e muito poderoso”, faz tudo o que pode para continuar a fornecer liquidez ao mercado, para que funcione corretamente, sublinhou este especialista.

E o Governo de Donald Trump apresentou ao Congresso um plano de ação económica no montante de 1,3 biliões (milhão de milhões) de dólares (1,2 biliões de euros).

“Os investidores viram como se passou na Itália e em França, com a quarentena, e entendem que é a única forma de parar a epidemia. Ora, o Governo norte-americano não ousa tomar esta medida e arrisca-se assim a prolongar a agonia”, avançou Volokhine.

Os investidores também foram abalados hoje pela forte subida da taxa de rendimento da dívida dos EUA a 10 anos, que evoluía a 1,2%, na altura do fecho da sessão, o que compara com os 0,7% de segunda-feira.

“Além da debandada dos mercados bolsistas (…), os mercados obrigacionistas, um pouco por todo o mundo, parecem ter perdido a confiança na capacidade dos governos de financiarem as medidas de apoio orçamental que têm proposto”, observou Carl Weinberg, de HFE.

Outra razão para enervar os investidores foi dada pela precipitação das cotações dos barris de petróleo, que caíram 24% em Nova Iorque, que fechou abaixo dos 20 dólares, e 13% em Londres, perto dos 25 dólares. Estes barris estão agora a cotar nos seus níveis mais baixos desde 2002 e 2003, respetivamente.

RN // SR

By Impala News / Lusa

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