CV Interilhas com quase milhão e meio de passageiros em três anos em Cabo Verde

A CV Interilhas transportou quase um milhão e meio de passageiros em Cabo Verde em três anos de concessão do transporte marítimo de passageiros e mercadorias, segundo dados avançados à Lusa pela empresa liderada pelo grupo português ETE.

CV Interilhas com quase milhão e meio de passageiros em três anos em Cabo Verde

CV Interilhas com quase milhão e meio de passageiros em três anos em Cabo Verde

A CV Interilhas transportou quase um milhão e meio de passageiros em Cabo Verde em três anos de concessão do transporte marítimo de passageiros e mercadorias, segundo dados avançados à Lusa pela empresa liderada pelo grupo português ETE.

A concessão, por 20 anos, iniciou-se em 19 de agosto de 2019, após concurso público internacional, e até ao final de julho último já tinham sido transportados pelos navios da CV Interilhas, em 12.105 viagens a ligar todas as ilhas de Cabo Verde, 1.368.781 passageiros, 138.830 viaturas, 167.948 toneladas de mercadorias.

Na ponte do navio Interilhas, um dos cinco da atual frota da empresa, Benvindo Basílio, comandante da marinha marcante, 63 anos, já comandou “praticamente todos” os navios de passageiros de Cabo Verde desde 1983 e vê na previsibilidade dos horários e no aumento das frequências que agora servem as nove ilhas habitadas do arquipélago “um ponto positivo” do novo modelo de transporte marítimo.

“Os passageiros, a maioria, estão satisfeitos”, garante o atual comandante do navio Interilhas, em entrevista à Lusa durante a habitual viagem em que serve a ilha de São Nicolau.

Ainda assim, admite que por muito bem que o serviço até vá correndo, sempre que surge uma avaria tudo fica mais difícil de explicar aos passageiros. Foi o caso em julho, com três navios da frota em doca em simultâneo, o que acabou por condicionar as viagens no arquipélago naquele mês.

“Podemos ter dez frequências sem interrupção, mas a partir do momento que há uma interrupção, já há dificuldade e reclamações”, lamenta.

Ainda assim, garante ser um comandante de navio “muito orgulhoso” na profissão, apesar de “alguns sustos” já vividos no mar.

“O nosso mar é um mar vivo, temos muito vento, que às vezes cria dificuldades, principalmente na manobra do navio”, explica Benvindo Basílio, embora admita a constante necessidade de ajustes nos horários em algumas ilhas, cuja viagem por terra ainda é demorada, a partir do respetivo desembarque no porto.

A CV Interilhas é liderada (51%) pela Transinsular, empresa do grupo português ETE, que desde que assumiu a concessão já adquiriu dois navios para as ligações marítimas interilhas em Cabo Verde. Integram ainda o capital social da CV Interilhas (49%) vários armadores cabo-verdianos que antes da concessão asseguravam isoladamente as ligações marítimas, fornecendo também os navios à concessionária.

A bordo do navio Interilhas, na partida de Tarrafal de São Nicolau, segue Edson Monteiro, 31 anos, que trabalha naquela ilha há sete anos e regressa anualmente de férias a Santo Antão por via marítima. Garante que a regularidade destas ligações, com horários previamente anunciados, contrariamente ao que acontecia antes, fez mudar estas viagens “para muito melhor” nos últimos três anos.

“Antes tinha de marcar as férias com muita antecedência, o barco passava aqui quinzenalmente, então tinha de programar bem ou ficava por cá. A CV Interilhas veio, facultou horários e agora já consigo planear melhor”, afirma Edson, agradado por ver a “facilidade” com que também a produção agrícola passou a ser escoada por via marítima de São Nicolau para outras ilhas.

Sérgio da Luz, 33 anos, é fotógrafo profissional e ao fim de uma semana em serviço em São Nicolau está de regresso à ilha de São Vicente também no navio Interilhas. Sem rodeios, elogia a mudança nos últimos três anos, sobretudo na fiabilidade dos horários e no aumento das frequências, nomeadamente para as ilhas que antes não tinham o mesmo nível de ligações.

“Há mais ligações e a qualidade melhorou, então é uma viagem mais relaxada, sem problema”, afirma, embora admita que ainda “há percalços” em algumas viagens, ao nível de atrasos.

“Mas melhorou muito”, assegura.

No primeiro ano de operações, 2019, de 19 de agosto a 31 de dezembro, a CV Interilhas realizou 1.775 viagens e transportou 217.604 passageiros. No ano seguinte, e com os efeitos da limitações impostas pela pandemia de covid-19, realizou 3.843 viagens e transportou 354.229 passageiros, números que, apesar das restrições que se mantiveram em vigor, cresceram para 517.541 passageiros em 4.239 viagens em 2021.

Este ano, os cinco navios da frota da CV Interilhas já realizaram, até final de julho, 2.248 viagens, transportando 279.407 passageiros, 27.182 viaturas e 36.760 toneladas de carga, segundo os números da empresa.

PVJ // JH

By Impala News / Lusa

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