Covid-19: Tráfego aéreo controlado por Cabo Verde duplicou em junho

Os voos controlados pela FIR Oceânica do Sal aumentaram para 2.049 em junho, mais do dobro face ao mesmo mês de 2020, segundo dados da empresa pública cabo-verdiana ASA.

Covid-19: Tráfego aéreo controlado por Cabo Verde duplicou em junho

Covid-19: Tráfego aéreo controlado por Cabo Verde duplicou em junho

Os voos controlados pela FIR Oceânica do Sal aumentaram para 2.049 em junho, mais do dobro face ao mesmo mês de 2020, segundo dados da empresa pública cabo-verdiana ASA.

De acordo com um boletim estatístico (janeiro a junho) da empresa pública Aeroportos e Segurança Aérea (ASA), ao qual a Lusa teve hoje acesso, globalmente, este tráfego totalizou 10.600 sobrevoos no primeiro semestre, uma quebra de 29% face ao mesmo período de 2020 (15.034) e menos 46% face a 2019 (27.951), neste caso antes dos efeitos da pandemia de covid-19 no tráfego aéreo.

Desde abril de 2020 (mínimo histórico de 512 sobrevoos) que o tráfego aéreo controlado pela FIR (região de informação de voo) Oceânica do Sal crescia todos os meses, até cair de dezembro para janeiro (para 1.838) e depois de janeiro para fevereiro (1.424), dois meses marcados pela reposição das restrições nas viagens internacionais, sobretudo nos países europeus, com novas vagas da pandemia.

Entretanto, cresceu em maio para 2.038 (622 em 2020 e 4.751 em 2019) e em junho para 2.049 (831 em 2020 e 4.849 em 2019), o valor mensal mais alto desde o início da pandemia.

“A partir de abril de 2020 houve a suspensão da maioria dos voos comerciais a nível mundial. Tais comportamentos justificam as variações deste ano. Durante este semestre continuam os sucessivos avanços e recuos nos processos de abertura de fronteiras nos países europeus e as respetivas restrições à circulação impostas pelos governos desses países para a América e África, influenciando diretamente o tráfego de sobrevoos na nossa FIR”, refere o relatório da ASA, apontando que no final do primeiro semestre de 2021 registaram-se menos 4.434 sobrevoos (-29%), face a 2020.

Contudo, reconhece que é possível “verificar que em abril, maio e junho deste ano, as variações já são positivas face ao período homólogo”, tendo em conta as fortes restrições que estavam em vigor nos mesmos meses de 2020.

A gestão desta FIR é uma das principais fontes de receitas do setor aeronáutico de Cabo Verde. Os rendimentos da ASA com o setor da navegação aérea cresceram 19% de 2017 para 2018, para 2.945 milhões de escudos (26,6 milhões de euros), o equivalente a 43% de todas as receitas da empresa pública que gere os aeroportos do país.

A FIR corresponde a um espaço aéreo delimitado verticalmente a partir do nível médio do mar, sendo a do Sal — que existe desde 1980 – limitada lateralmente pelas de Dacar (Senegal), Canárias (Espanha) e Santa Maria (Açores, Portugal).

Toda esta área está sob jurisdição das autoridades aeronáuticas cabo-verdianas, tendo a FIR sido criada em 1980.

A localização estratégica da FIR do Sal coloca-a “na encruzilhada dos maiores fluxos de tráfego aéreo entre Europa e a América do Sul e entre a África Ocidental e a América do Norte e Central e as Caraíbas”, explicou anteriormente a ASA.

O pico histórico mensal do movimento na FIR Oceânica do Sal registou-se em julho de 2019, com um total de 5.424 aeronaves controladas, equivalente a 175 sobrevoos diários.

O Centro de Controlo Oceânico do Sal funciona no Aeroporto Internacional Amílcar Cabral, na ilha do Sal, tendo sido inaugurado em 24 de junho de 2004.

PVJ // VM

By Impala News / Lusa

Impala Instagram


RELACIONADOS