Covid-19: Mais de 80% das empresas cabo-verdianas com quebras no segundo trimestre

Mais de 80% das empresas cabo-verdianas registaram redução no volume de negócios no segundo trimestre devido à pandemia de covid-19, afetando sobretudo o setor do turismo, segundo um estudo hoje divulgado pelo INE.

Covid-19: Mais de 80% das empresas cabo-verdianas com quebras no segundo trimestre

Covid-19: Mais de 80% das empresas cabo-verdianas com quebras no segundo trimestre

Mais de 80% das empresas cabo-verdianas registaram redução no volume de negócios no segundo trimestre devido à pandemia de covid-19, afetando sobretudo o setor do turismo, segundo um estudo hoje divulgado pelo INE.

De acordo com o inquérito rápido trimestral às empresas para avaliar os impactos da covid-19 no arquipélago, realizado pelo INE, no período de abril a junho, 83% das empresas inquiridas admitiram uma “redução no seu volume de negócios devido à pandemia”.

As restrições no âmbito do estado de emergência, diferenciado por ilhas, de abril a maio, para conter a transmissão da doença (75% das respostas) e as dificuldades nas entregas de encomendas (72%) foram apontadas “como as principais causas do forte impacto no volume de negócios”.

Ainda assim, no estudo do INE, há empresas que registaram um aumento do volume de negócios no segundo trimestre e cerca de 40% estimaram que esse acréscimo foi inferior a 10%.

Questionadas sobre as expectativas em relação ao fim da crise pandémica provocada pela pandemia de covid-19, quase 34% das empresas inquiridas perspetivaram para a partir de 2022 e 60,4% em 2021, enquanto aproximadamente 6% ainda admitiram que ainda este ano.

As empresas inquiridas neste estudo atestaram ainda que a pandemia “teve impacto na redução no número de pessoal ao serviço”, sendo os setores do turismo e comércio os mais “afetados”, em várias avaliações.

O turismo garante cerca de 25% do PIB de Cabo Verde, com um recorde de 819 mil turistas em 2019, mas o arquipélago está encerrado a voos internacionais desde 19 de março, para conter a pandemia de covid-19, com reflexos na economia nacional e a perspetiva de uma taxa de desemprego a duplicar para quase 20% até final do ano.

O levantamento do INE conclui que o regime de ‘lay-off’ em vigor desde abril “foi fortemente apontado pelas empresas como sendo uma das medidas muito relevantes do Governo”, nomeadamente por três em cada quatro inquiridas, mas o sistema de teletrabalho acabou por ser “pouco utilizado”.

Mais da metade das empresas inquiridas (54%) afirmou que não tiveram pessoas no sistema de teletrabalho naquele período.

Cerca de 26% das empresas estimaram que no terceiro trimestre o volume de negócios “irá manter-se igual” ao do anterior e 80,3% admitiram que o número de pessoal ao serviço permanecerá inalterado.

“Contudo, as empresas dos setores do turismo e das instituições financeiras e de seguros são as que mais acreditam que no terceiro trimestre o número de pessoal ao serviço irá reduzir contrariamente à opinião das empresas do setor da construção e atividade imobiliária”, lê-se no inquérito rápido trimestral às empresas para avaliar os impactos da covid-19.

Trata-se de um inquérito de periodicidade trimestral e de âmbito nacional, abrangendo as ilhas de Santiago, São Vicente, Sal e Boa Vista, que segundo o INE acolhem mais de 90% das empresas ativas no país, cobrindo os principais setores da atividade económica.

Como amostra, o estudo recorreu a inquéritos a 350 empresas.

Cabo Verde conta com um acumulado de 6.717 casos diagnosticados de covid-19 desde 19 de março e 71 óbitos associados à doença, no mesmo período.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de um milhão e sessenta e três mil mortos e mais de 36,5 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

PVJ // PJA

By Impala News / Lusa

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