Cabo Verde lança plataforma para financiar projetos sustentáveis com mínimo de 181 mil euros

A BVC – Bolsa de Valores de Cabo Verde lançou hoje a primeira plataforma para subscrição de obrigações para investimentos em projetos sustentáveis, em valores mínimos de 181 mil euros, estando aberta às empresas e investidores nacionais e regionais.

Cabo Verde lança plataforma para financiar projetos sustentáveis com mínimo de 181 mil euros

Cabo Verde lança plataforma para financiar projetos sustentáveis com mínimo de 181 mil euros

A BVC – Bolsa de Valores de Cabo Verde lançou hoje a primeira plataforma para subscrição de obrigações para investimentos em projetos sustentáveis, em valores mínimos de 181 mil euros, estando aberta às empresas e investidores nacionais e regionais.

Denominada “Blu-X”, a primeira plataforma do tipo a nível mundial vai ser alojada no ‘site’ da BVC, que vai listar os títulos sustentáveis emitidos no arquipélago e na região da África Ocidental para mobilizar capital para financiamento de projetos sustentáveis.

Segundo o presidente da BVC, Miguel Monteiro, a página vai permitir que instrumentos sustentáveis, nomeadamente títulos azuis ou verdes, sejam comercializadas, através de financiamento de instituições financeiras, seguradoras, segurança social, outras empresas e público em geral, com taxas de juros até 5%.

“Todos nós sabemos que a questão do ambiente é fundamental, e quando há instrumentos que permitem fazer investimentos, mitigando os eventuais problemas no ambiente, essa deve ser a escolha no futuro”, salientou Monteiro, no âmbito de uma apresentação, na cidade da Praia.

Segundo o responsável, Cabo Verde está a inovar, com uma plataforma exclusivamente dedicada para que os empresários e os investidores possam investir e obter financiamento que leve em conta as questões ambientais, mas tendo o seu rendimento salvaguardado.

Além do país, a “Blu-X” estará aberta a empresários e investidores africanos, segundo Miguel Monteiro, dando conta que teve cofinanciamento do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

“Pelo facto de ser uma plataforma aberta à região e a nível mundial, pensamos que poderá levar que o empresariado nacional também veja como uma oportunidade”, disse o presidente da BVC, explicando que a grande diferença entre este tipo de instrumentos e os tradicionais é o facto de o financiamento ter uma finalidade, que são projetos sustentáveis.

“Aqui traz uma questão de credibilidade e de transparência que é algo sempre bom ao nível do mercado de capitais”, referiu, prevendo que a plataforma esteja a funcionar até final deste ano, para que no próximo os empresários e investidores possam aceder aos financiamentos.

Os valores mínimos para as ofertas públicas de subscrição de obrigações são 20 milhões de escudos (181 mil euros), ainda segundo o presidente, e não existem valores máximos.

“Ou seja, o limite é a imaginação, desde que sejam projetos viáveis, que tragam rentabilidade, que quem financia veja o seu capital devolvido e com juros”, concluiu.

Durante a mesma apresentação, o presidente da Câmara de Comércio de Sotavento, Jorge Spencer Lima, considerou que a plataforma é uma “solução inovadora” de acesso ao financiamento, lembrando que esse é um dos grandes constrangimentos do ambiente de negócios no país.

Se por um lado os bancos dizem que tem excesso de liquidez e que muitos projetos não são “bancáveis”, os empresários reclamaram do excesso de burocracia para aceder a créditos, numa “falha do mercado” que para o líder dos patrões de Sotavento merece a intervenção do Estado.

Em maio, a BVC anunciou que iria realizar no mês seguinte a primeira emissão de obrigações sociais (‘social bonds’) a favor da Morabi – Cooperativa de poupança e crédito, para, entre outros, promover maior inclusão social, criação de empregos, apoiar as mulheres chefes de famílias nos seus pequenos negócios e promover maior sustentabilidade e desenvolvimento do país.

Na altura, o presidente da BVC disse que Cabo Verde tem um “grande potencial” para o desenvolvimento do ‘mercado social bonds’ e o processo em curso da Morabi é apenas um exemplo da forma como o país pode materializar com eficácia o seu propósito de sustentabilidade.

Por sua vez, o ministro da Família e Inclusão Social, Fernando Elísio Freire, disse que, com a pandemia de covid-19, exige-se formas criativas de desenvolvimento, sublinhando que as obrigações sociais podem ir mais além e alavancar a economia social e solidária.

Já o vice-primeiro-ministro e ministro das Finanças, Olavo Correia, garantiu toda a disponibilidade do Governo para criar um quadro legal incentivador, por entender que as obrigações sociais são uma “excelente oportunidade” para melhorar o mercado financeiro e de capital e tornar a economia “mais inclusiva”.

RIPE // LFS

By Impala News / Lusa

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