BES – Em Liquidação mais do que duplicou prejuízos para 547 ME em 2020

O BES — Em Liquidação teve prejuízos de 547,47 ME em 2020, mais do dobro dos registados em 2019, e agravou os capitais próprios para 6,906 mil milhões de euros, segundo o relatório e contas.

BES - Em Liquidação mais do que duplicou prejuízos para 547 ME em 2020

BES – Em Liquidação mais do que duplicou prejuízos para 547 ME em 2020

O BES — Em Liquidação teve prejuízos de 547,47 ME em 2020, mais do dobro dos registados em 2019, e agravou os capitais próprios para 6,906 mil milhões de euros, segundo o relatório e contas.

Os prejuízos de 2020 (547,47 milhões de euros) representam mais do dobro dos verificados em 2019 (251,719 milhões de euros).

Já o capital próprio do Banco Espírito Santo (BES) — Em liquidação representava em 2020 (6,906 mil milhões de euros) um agravamento de 548 milhões de euros face ao que tinha em 2019 (cerca de 6,358 mil milhões de euros).

Segundo o relatório e contas disponibilizado na página da Internet do banco em liquidação, os prejuízos de 547,47 milhões de euros apurados em 2020 refletem, “em boa medida, os encargos associados aos passivos existentes, bem como um significativo reforço das provisões, no montante líquido de 336,141 milhões de euros decorrentes das respostas às impugnações das listas de credores reconhecidos e não reconhecidos”.

Depois de ter feito a lista de credores reconhecidos e não reconhecidos, no ano passado a comissão liquidatária do BES – Em Liquidação teve de responder às impugnações feitas pelos credores não reconhecidos.

Segundo o relatório e contas, foram analisadas 1.946 impugnações de credores feitas junto do Tribunal de Comércio e foi, na sequência disso, que foram aumentadas as provisões que concluiu ser necessário “proceder ao reforço das provisões” em 337,819 milhões de euros.

Assim, no total, o BES – Em Liquidação tem 1.879 milhões de euros em ‘Outras Provisões’, um valor que servirá para cobrir responsabilidades, caso das responsabilidades com dívida vendida a clientes pelo BES, processos de fraude na Suíça, contingências fiscais, garantias prestadas ou ainda responsabilidades que venham a surgir em processos que estão em curso na Justiça contra o BES.

Já em ativos, o BES detém 177,4 milhões de euros (menos cerca de três milhões do que em 2019), dos quais 96,5 milhões de euros em aplicações em bancos e 57 milhões em instrumentos financeiros.

Na resolução do BES, em agosto de 2014 foi criado o Novo Banco para onde forma transferidos os depósitos, os trabalhadores do BES e os ativos considerados menos problemáticos (um tema que desde então tem sido alvo de muito debate face aos prejuízos elevados do Novo Banco e recurso de dinheiros públicos). Já no BES (então designado ‘BES mau’) ficaram os ativos considerados ‘tóxicos’ (caso de participações como BES Angola, BES Miami, Aman Bank – Líbia), assim como os acionistas.

Em dezembro de 2015, o Banco de Portugal passou também para o BES cerca de 2.000 milhões de euros obrigações que aquando da resolução (agosto de 2014) tinham ficado a cargo do Novo Banco, pelo que as possibilidades de quem as detém receber o investimento é diminuta (o que deu origem a processos judiciais contra o Banco de Portugal e o Estado português, desde logo por grandes fundos de investimento).

Atualmente, os gestores do BES — em liquidação (cujo presidente da comissão liquidatária é César Bento de Brito) gerem o processo de liquidação do banco, gestão da massa insolvente, das participações detidas, os pedidos dos credores e acompanhamento de processos judiciais.

É provável que a massa insolvente do BES seja francamente insuficiente para fazer face aos pedidos de credores reconhecidos.

Ainda segundo o relatório e contas de 2020, o BES — Em Liquidação tem nove trabalhadores, incluindo três em funções diretivas.

IM // JNM

By Impala News / Lusa

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