Batata de Moçambique alimenta o Maláui

Batata de Moçambique alimenta o Maláui

Em Mulanguene, no interior centro de Moçambique, produz-se batata com fartura, mas os produtores não têm estradas para a escoar e são obrigados a vendê-la ao desbarato, no Maláui, país vizinho.

A batata-reno é uma das fontes de subsistência e de rendimento em Mulanguene, distrito de Angónia, província de Tete, no centro de Moçambique – e por estes dias é também uma fonte de frustração.

“O que nos leva a colocar a batata no Maláui é a falta de mercado local, a falta de estradas para podermos escoar a produção para a vila Ulongué”, explica Gertrude Bonde, moçambicana que responde à Lusa em chichewa, língua falada no Maláui.

A agricultora de 53 anos descreve, por um lado, o drama da falta de transporte e queixa-se da degradação das vias de acesso para transferir toneladas de batata produzida em Mulanguene para o mercado moçambicano.

Por outro lado, a kwacha do Maláui é uma moeda fraca em relação ao metical, moeda moçambicana, pelo que a venda naquele país, ali mesmo ao lado, não cobre os custos de produção, refere, num relato semelhante ao de outros agricultores.

Os campos de produção de Mulanguene distam 48 quilómetros de Ulongué, a sede da região de Angónia, mas o percurso faz-se por uma estrada de pó, serpenteada e esburacada, fazendo com que uma viagem de ida, num carro, demore três horas, cenário que retrai a entrada de transportes para o escoamento da batata para os principais mercados de Moçambique.

Os mesmos campos ficam a 10 minutos dum movimentado mercado no Maláui, junto ao asfalto da principal estrada que liga o norte e sul daquele país.

“Nós vendemos a produção ao Maláui por sofrimento”, disse à Lusa Holess Gresson, um agricultor, sustentando que “o preço da venda é outro sofrimento, porque não compensa”.

Uma saca de 25 quilos de batata é vendida no mercado malauiano a 2.000 kwachas (cerca de 166 meticais, dois euros) um terço do preço praticado em Ulongué, Moçambique, refere.

Já o produto processado no Maláui, revendido em Moçambique em forma de finas fatias de batata, em embalagens de plástico com quantidades não superiores a 40 gramas, custa cerca de 20 meticais (30 cêntimos de euro) – ou seja, o valor por grama é maior.

Cristóvão Silvério, outro moçambicano que, como a maioria da população, pratica agricultura de subsistência, carrega uma quantidade de cenoura numa bicicleta para atravessar a fronteira para o mesmo mercado do Maláui, acrescentando que toda a sua produção é absorvida por aquele mercado.

A fragilidade da fronteira formal em Mulanguene também ajuda: a separação resume-se a uma estaca que atravessa a estrada de pó, pendurada pelas extremidades, ao lado de uma guarita com um guarda.

A população adapta-se também à falta de ligação ao resto de Moçambique e usa sobretudo a kwacha nas transações do dia-a-dia.

Uma outra agricultora, Lúcia Malisane, disse à Lusa que esta conjuntura tem sido um entrave para aumentar os campos de produção, um crescimento suspenso por falta de compensação na venda da batata.

O governo provincial de Tete tem um plano para a montagem de uma fábrica para processamento da batata, a ser instalada entre os distritos de Angónia e Tsangano, os maiores produtores.

No entanto, o investimento está dependente de um financiamento, disse à Lusa uma fonte estatal.

AYAC // VM

By Impala News / Lusa

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