Banco central revê em alta previsão de crescimento de Cabo Verde para 6,6% este ano

O Banco de Cabo Verde (BCV) reviu em alta a previsão de crescimento económico do arquipélago para este ano, para 6,6%, face à evolução favorável das atividades económicas e retoma turística, prevendo 5,6% para 2022.

Banco central revê em alta previsão de crescimento de Cabo Verde para 6,6% este ano

Banco central revê em alta previsão de crescimento de Cabo Verde para 6,6% este ano

O Banco de Cabo Verde (BCV) reviu em alta a previsão de crescimento económico do arquipélago para este ano, para 6,6%, face à evolução favorável das atividades económicas e retoma turística, prevendo 5,6% para 2022.

Na apresentação do Relatório de Política Monetária de outubro de 2021, esta manhã, na cidade da Praia, o governador do BCV, Óscar Santos, afirmou que a mais recente projeção do banco central aponta para um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) “em torno de 6,6%” em 2021, uma revisão em alta, de 0,8 pontos percentuais, face às projeções divulgadas em abril.

“Com a economia a crescer, a taxa média anual da inflação deverá aumentar para 1,6% até o final do ano, refletindo o perfil ascendente dos preços das matérias-primas energéticas e a sua transmissão aos preços internos com a atualização em alta dos preços administrados de combustíveis, da eletricidade, o aumento da procura interna e algum condicionamento na oferta de alguns produtos”, explicou o governador.

Estas “perspetivas económicas mais otimistas” são justificadas, disse, com “a evolução mais favorável da atividade económica” e face “à expectativa de alguma retoma do turismo no último trimestre, no pressuposto de controlo da situação pandémica no país”.

“A aceleração do processo de vacinação em curso continuará a ser determinante para conter a propagação da doença da covid-19, permitindo antecipar o alívio das restrições à atividade económica e propiciando um cenário favorável para o crescimento da economia nacional”, apontou.

Afirmou também que “os impactos da crise sanitária, embora temporários, afiguram-se persistentes”, pelo que “não é possível perspetivar para o final de 2022 o retorno do crescimento do PIB aos níveis registados antes da pandemia, devendo tal acontecer apenas em 2023”, concluiu ainda.

O governador acrescentou que para 2022 o BCV prevê, agora, uma “moderação do crescimento para cerca de 5,6%”.

“O ritmo de crescimento do PIB deverá desacelerar, refletindo algum aperto da política orçamental, com a redução gradual das medidas orçamentais excecionais destinadas às empresas e às famílias mais vulneráveis e a mobilização endógena de recursos para fazer face às pressões do lado das despesas públicas”, admitiu Óscar Santos.

Referiu que se perspetiva igualmente o aumento da taxa de inflação em 2022, que deverá atingir 1,9%, “tendo em conta o efeito desfasado da inflação importada nos preços internos, o impacto da previsão de agravamento do IVA e de alguns direitos de importações de bens, bem como a atualização em alta dos preços da eletricidade”, desde outubro de 2021 e “com maior efeito em 2022”.

“Num cenário mais adverso, em que é assumida a hipótese de materialização de um conjunto de riscos descendentes, o crescimento poderá situar-se nos 4,7%. Os fatores associados relacionam-se com o comportamento do consumo, o ritmo de recuperação das exportações de turismo, e os efeitos da crise no crescimento através do possível impacto no desemprego e na falência de algumas empresas”, reconheceu ainda o governador do BCV.

A taxa de inflação média aumentaria, neste cenário, fixando-se em 2022 em cerca de 2,7%, acrescentou.

“Os impactos da crise sanitária, embora temporários, afiguram-se persistentes, o que não permite perspetivar, para o final de 2022, o retorno do crescimento do PIB aos níveis registados antes da pandemia, devendo tal acontecer apenas em 2023”, concluiu ainda.

Para o governador do BCV, as finanças públicas de Cabo Verde “constituem uma preocupação adicional, num cenário de reduzida margem orçamental”.

“As contas públicas registaram um agravamento devido, essencialmente, ao efeito conjugado do aumento das despesas correntes de funcionamento, e da queda das receitas fiscais, das outras receitas e dos donativos face aos impactos económicos e sociais da crise pandémica, em que se observa uma redução significativa nas receitas públicas e uma pressão extraordinária sobre as despesas”, alertou.

Num contexto “de recuperação da procura interna” e “de um aumento dos preços das matérias-primas energéticas e não energéticas” no mercado internacional, Óscar Santos alertou que “as pressões inflacionistas, em Cabo Verde, dão sinais de algum aumento”.

“Particularmente, a taxa de inflação homóloga, aumentou de 0% em março para 2,4% em agosto. A taxa de variação média dos últimos 12 meses do índice de preços no consumidor cifrou-se em 0,5%, mantendo, no entretanto, a tendência de estabilidade e moderação, característica dos últimos anos”, observou.

As contas externas do país, reconheceu o governador, mantêm a “tendência de agravamento”, enquanto “reflexo da substantiva redução das exportações, principalmente de serviços ligados ao turismo e transportes, num contexto onde as importações também reduziram, mas a um ritmo muito inferior”.

Ainda assim, sublinhou que as reservas do país “mantiveram-se num nível relativamente confortável”, permitindo financiar 6,9 meses de importações de bens e serviços projetadas para 2021.

PVJ // JH

By Impala News / Lusa

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