Banco central de Moçambique prevê recessão de até 1% este ano

O administrador do Banco de Moçambique Jamal Omar disse hoje num encontro dos banqueiros centrais lusófonos que as previsões macroeconómicas mais recentes apontam para uma recessão económica este ano, entre 0,5% e 1% do Produto Interno Bruto.

Banco central de Moçambique prevê recessão de até 1% este ano

Banco central de Moçambique prevê recessão de até 1% este ano

O administrador do Banco de Moçambique Jamal Omar disse hoje num encontro dos banqueiros centrais lusófonos que as previsões macroeconómicas mais recentes apontam para uma recessão económica este ano, entre 0,5% e 1% do Produto Interno Bruto.

“Os desenvolvimentos mais recentes indicam que os 2,2% de crescimento económico para este ano estimados em abril podem não ocorrer porque no segundo trimestre, na sequência de todo o processo de confinamento, tivemos um crescimento negativo de 3,3%, algo que nunca tínhamos visto na história recente do país”, disse o administrador do banco central moçambicano na intervenção na sessão inicial dos XXX Encontros de Lisboa entre os governadores dos países de língua portuguesa, que hoje decorre em formato virtual.

“Há a indicação de que isto [o crescimento negativo] pode continuar no terceiro e quarto trimestres, embora em magnitudes inferiores, o que a acontecer, significa que provavelmente podemos terminar o ano com uma contração do PIB na ordem de 0,5% a 1%”, apontou o administrador do banco central.

As novas estimativas confirmam a degradação da atividade económica em Moçambique face ao início da pandemia, quando a generalidade das instituições financeiras internacionais e consultoras anteviam que Moçambique seria uma exceção no panorama de recessão que atravessa a África subsaariana em geral, e a África Austral, em particular.

“Olhando para o que era a visão de quase todo o mundo no primeiro trimestre deste ano, havia boas perspetivas para Moçambique, porque estávamos com uma economia mais debilitada comparativamente a outras, devido à catástrofe dos ciclones de 2019, e havia todo um esforço que estava a ser feito, com desembolsos internacionais, e antevíamos um ano de esperança e recuperação económica”, lembrou Jamal Omar.

Abordando várias preocupações trazidas pela pandemia de covid-19 neste país lusófono africano, o banqueiro central disse que há “perspetivas muito negativas em relação à dívida” e ao crédito malparado, apontando ainda “a insegurança militar, que acaba desaguando na economia através da retração dos investimentos”, mas sem prejudicar o o cronograma dos grandes investimentos no norte do país, que continua a ser cumprido.

Em África, há 37.680 mortos confirmados em mais de 1,5 milhões de infetados em 55 países, segundo as estatísticas mais recentes sobre a pandemia naquele continente.

Entre os países africanos que têm o português como língua oficial, Angola lidera em número de mortos e Moçambique em número de casos. Angola regista 208 mortos e 5.958 casos, seguindo-se a Guiné Equatorial (83 mortos e 5.062 casos), Moçambique (68 mortos e 9.639 casos), Cabo Verde (71 mortos e 6.624 casos), Guiné-Bissau (39 mortos e 2.385 casos) e São Tomé e Príncipe (15 mortos e 921 casos).

O Brasil é o país lusófono mais afetado pela pandemia e um dos mais atingidos no mundo, ao contabilizar o segundo número de mortos (mais de cinco milhões de casos e 148.957 óbitos), depois dos Estados Unidos.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de um milhão de mortos no mundo desde dezembro do ano passado.

MBA // PJA

By Impala News / Lusa

Impala Instagram


RELACIONADOS