Aumenta para 280 número de taxistas em protesto no Porto

Aumenta para 280 número de taxistas em protesto no Porto

O número de taxistas hoje concentrados no Porto em protesto contra a nova lei das plataformas eletrónicas de transporte em veículos descaracterizados subiu de 100 para 280, segundo uma contagem feita pelos promotores da manifestação pelas 12:00.

De acordo com Carlos Lima, da Federação de Táxis do Porto, o aumento da adesão dos motoristas ao protesto que decorre na avenida dos Aliados prende-se com o facto de só agora, cerca das 12:00, uma parte dos taxistas poder deslocar-se ao local, porque até então teve serviços marcados durante a manhã, para transporte de pessoas ao hospital, por exemplo.

“Uma parte deles teve de cumprir serviços diários como levar pessoas ao hospital ou para fazerem análises. Só agora puderam juntar-se a nós, como de resto estava previsto”, explicou.

Carlos Lima acrescentou que, a estes motoristas, somam-se ainda os que estiveram “a garantir os serviços mínimos e que, uma vez terminado o turno, rumaram aos Aliados”.

Os 280 táxis preenchem meia avenida, ocupando uma das duas faixas de rodagem em ambos os sentidos de circulação, no troço compreendido entre o edifício da Câmara do Porto e os cruzamentos com a rua Elísio de Melo (sentido descendente) e do Dr. Magalhães Lemos (sentido ascendente).

Os agentes da PSP presentes no local têm garantido que o trânsito flua na única faixa de rodagem disponível naquela zona da avenida.

Os taxistas estão concentrados desde as 06:00 naquela avenida em protesto contra a entrada em vigor, em novembro, da lei que regula as quatro plataformas eletrónicas de transporte que operam em Portugal – Uber, Taxify, Cabify e Chaffeur Privé.

Vítor Oliveira, taxista há 30 anos no Porto, considerou à Lusa que o setor “esteve sempre preparado” para servir a população, afirmando que tal acontece “há décadas” na cidade.

“A questão de terem vindo alternativas [aos táxis] é bem-vinda, até porque melhora o nosso serviço e as pessoas gostam, e contra isso nada. O que acontece é que, como em qualquer atividade, é preciso estar legitimado e credenciado para o fazer, algo que as plataformas não fazem, porque não são elas quem trabalha, mas sim os prestadores que não estão habilitados para o fazer”, criticou.

Considerando-se “vítima de um serviço precário que atua na cidade do Porto desde 2014”, o taxista lembrou que a lei que regula a atividade das plataformas eletrónicas de transporte em veículos descaracterizados “só vai sair a 01 de novembro”, culpando, por isso, a tutela por uma “atividade ilegal” em Portugal.

“No Porto, neste momento, há 700 táxis licenciados e há 1.000 carros a trabalhar para as plataformas”, relatou o motorista, adiantando que a concorrência, “desde 2014, tem feito decrescer o negócio entre 40 e 50%” na cidade.

Taxista no Porto há 42 anos, José Peixoto admitiu à Lusa que quando as plataformas chegaram a Portugal o “setor não estava preparado”, mas culpou o Governo por isso.

“Se elas [plataformas] tivessem as mesmas armas que nós as coisas estavam equilibradas. Mas não pagam impostos, carros, aluguer e nós pagamos tudo, somos obrigados a ter tudo”, vincou o taxista.

Insistindo que o setor “tem melhorado as frotas automóveis”, vincou que os “clientes querem ser bem servidos” e que “pelo que tem visto [a qualidade do serviço prestado por veículos descaracterizados] não é aquilo que as pessoas dizem”.

Os taxistas manifestam-se hoje em Lisboa, Porto e Faro contra a entrada em vigor, em novembro, da lei que regula as quatro plataformas eletrónicas de transporte em veículos descaracterizados que operam em Portugal – Uber, Taxify, Cabify e Chaffeur Privé.

Desde 2015, este é o quarto grande protesto contra as plataformas que agregam motoristas em carros descaracterizados, cuja regulamentação foi aprovada, depois de muita discussão, no parlamento, em 12 de julho.

Um dos principais ‘cavalos de batalha’ dos taxistas é o facto de na nova regulamentação as plataformas não estarem sujeitas a um regime de contingentes, ou seja, a existência de um número máximo de carros por município ou região, como acontece com os táxis.

A dois dias da manifestação, o Governo enviou para as associações do táxi dois projetos que materializam alterações à regulamentação do setor do táxi, algo que os taxistas consideraram “muito poucochinho”, defendendo que o objetivo do Governo foi “desviar as atenções” da concentração nacional de hoje.

 

 

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