ANTRAM diz que reunião no Ministério com motoristas “não existe” e “é uma farsa”

Para a ANTRAM, a reunião destina-se a “ludibriar o povo português sobre uma alegada disponibilidade do sindicato para negociar”. A reunião de segunda-feira “não existe”, “é uma farsa”.

ANTRAM diz que reunião no Ministério com motoristas

ANTRAM diz que reunião no Ministério com motoristas “não existe” e “é uma farsa”

Para a ANTRAM, a reunião destina-se a “ludibriar o povo português sobre uma alegada disponibilidade do sindicato para negociar”. A reunião de segunda-feira “não existe”, “é uma farsa”.

Lisboa, 03 ago 2019 (Lusa) — O porta-voz da ANTRAM disse hoje que a reunião de segunda-feira no Ministério das Infraestruturas “não existe” e que “é uma farsa” do sindicato com o objetivo de “ludibriar” os portugueses sobre uma alegada disponibilidade para negociar.

“A ANTRAM [Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias] não estará nessa reunião porque essa reunião simplesmente não existe”, disse à Lusa o advogado e porta-voz da associação, André Matias de Almeida.

“Essa reunião é uma farsa que se destina, mais uma vez, a ludibriar a comunicação social e o povo português sobre uma alegada disponibilidade deste sindicato [de Mercadorias de Matérias Perigosas] para negociar”, acrescentou o advogado.

As declarações do representante da ANTRAM contrariam as do vice-presidente do Sindicato Nacional de Mercadorias de Matérias Perigosas (SNMMP), Pedro Pardal Henriques, que afirmou hoje à Lusa que na segunda-feira iria apresentar “várias propostas” numa reunião a ter lugar no Ministério das Infraestruturas.

Contactada pela Lusa, fonte oficial do Ministério liderado por Pedro Nuno Santos recusou-se a falar sobre o assunto.

André Matias de Almeida assegurou, no entanto, que “a ANTRAM não foi convocada, não recebeu nenhum aviso de nenhuma convocatória de nenhuma reunião”, nem pelo SNMMP nem pelo ministério.

Questionado sobre a abertura para negociar novas propostas apresentadas pelos sindicatos, o porta-voz da ANTRAM disse que a associação “está sempre disponível para negociar, desde que não seja sob chantagem e sob pressão e isso implica o levantamento do pré-aviso de greve”.

“Não só esta nova proposta do sindicato de matérias perigosas é uma farsa na justa medida em que não implica nenhuma redução, pelo contrário, implica um aumento de 150 euros face à proposta inicial, como por outro lado não levanta o pré-aviso de greve sabendo que isso é uma chantagem total à negociação”, defendeu André Matias de Almeida.

“Isto não é nenhuma forma de chegar a um entendimento, isto é tão somente e exclusivamente uma tentativa de lavar a cara perante a comunicação social e perante a opinião pública portuguesa”, acrescentou o porta-voz da ANTRAM.

O vice-presidente do SNMMP disse ter “várias propostas” para apresentar numa reunião na segunda-feira no Ministério das Infraestruturas e sublinhou que a estrutura sindical sempre quis evitar a greve.

“Existem várias propostas que nós queremos apresentar ao senhor ministro das Infraestruturas [Pedro Nuno Santos] e à ANTRAM”, disse à Lusa Pedro Pardal Henriques.

A proposta, adiantou Pardal Henriques, passa por aumentar o salário base dos motoristas para mil euros até 2025, com indexação ao crescimento do salário mínimo nacional, o que permite “um prazo mais dilatado, quer para que as empresas possam cumprir com aquilo que ficar estabelecido no contrato coletivo de trabalho, quer para que haja a paz social que o país necessita”.

“A questão é que a ANTRAM não se quer sentar com os sindicatos, não quer ouvir propostas e quer colocar o país neste estado de alerta”, acusou o dirigente sindical, garantindo que o sindicato pretende encontrar uma solução que evite a greve.

A greve convocada pelo SNMMP e pelo Sindicato Independente dos Motoristas de Mercadorias (SIMM), que começa em 12 de agosto, por tempo indeterminado, ameaça o abastecimento de combustíveis e de outras mercadorias.

O Governo terá de fixar os serviços mínimos para a greve, depois de as propostas dos sindicatos e da ANTRAM terem divergido entre os 25% e os 70%, bem como sobre se incluem trabalho suplementar e operações de cargas e descargas.

DF // EA

By Impala News / Lusa

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