Ações do HSBC caem para mínimo de 25 anos devido a alegada fraude

As ações do HSBC atingiram um mínimo de 25 anos hoje, em Hong Kong, após relatos de que o banco pode enfrentar sanções de Pequim e acusações de ter permitido a passagem de quantias astronómicas de ‘dinheiro sujo’.

Ações do HSBC caem para mínimo de 25 anos devido a alegada fraude

Ações do HSBC caem para mínimo de 25 anos devido a alegada fraude

As ações do HSBC atingiram um mínimo de 25 anos hoje, em Hong Kong, após relatos de que o banco pode enfrentar sanções de Pequim e acusações de ter permitido a passagem de quantias astronómicas de ‘dinheiro sujo’.

As ações do gigante bancário perderam mais de 4% no início da sessão, caindo para 29,60 dólar de Hong Kong (cerca de 3,23 euros), o nível mais baixo desde 1995, uma vez que os investidores questionam a capacidade do banco de continuar as operações na China e Hong Kong, dois dos seus principais mercados.

O diário nacionalista chinês de língua inglesa Global Times relata que o grupo poderia ser um dos primeiros a ser colocado numa “lista de entidades não fiáveis” por Pequim, como parte de medidas de represália contra certos países estrangeiros, em primeiro lugar e, sobretudo, os Estados Unidos.

O artigo questiona o papel do HSBC na investigação sobre a Huawei por Washington e a detenção no Canadá, a pedido dos Estados Unidos, da diretora financeira do gigante chinês, Meng Wanzhou.

A inscrição do HSBC numa tal lista poderia implicar sanções que vão desde multas a restrições de atividades ou a entrada de equipamento e pessoal na China.

“Se a empresa for classificada como não confiável pela China, o que parece seguro dado que é um artigo do Global Times, o banco enfrentará dificuldades para os seus negócios na China”, disse à Bloomberg Banny Lam, um perito da CEB International Investment Corp.

“Podem ter dificuldade em expandir os seus negócios na China continental, onde investiram tanto nos últimos anos”, afirmou.

Outra desilusão para o grupo fundado no século XIX em Hong Kong, então uma colónia britânica, foi o facto de ter sido nomeado no domingo por uma investigação do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ), entre vários gigantes bancários que alegadamente permitiram aos criminosos utilizar as suas contas durante anos para transferir ‘dinheiro sujo’.

“Os lucros das mortíferas guerras contra a droga, as fortunas desviadas dos países em vias de desenvolvimento e as poupanças duramente ganhas roubadas como parte de um esquema Ponzi foram todas permitidas dentro e fora destas instituições financeiras, apesar dos avisos dos próprios funcionários dos bancos”, afirma a investigação, levada a cabo por 108 meios de comunicação internacionais de 88 países.

A investigação baseia-se em milhares de “relatórios de atividades suspeitas” (SAR) enviados ao serviço de polícia financeira do Tesouro dos Estados Unidos, FinCen, por bancos de todo o mundo.

O ICIJ, que denuncia deficiências na regulamentação do setor, diz que o banco “continuou a obter lucros graças a atores poderosos e perigosos” ao longo das duas últimas décadas.

O HSBC tem-se defendido dizendo aos jornalistas que sempre respeitou as suas obrigações legais de denunciar atividades suspeitas.

Outro grupo cotado em Hong Kong, Standard Chartered, também perdeu quase 4% na sessão d hoje depois de ter sido nomeado no inquérito.

As ações do HSBC perderam metade do seu valor desde o início do ano devido ao duplo impacto da pandemia e da deterioração das relações entre a China e os Estados Unidos. O lucro líquido do grupo caiu 77% por cento no primeiro semestre do ano.

O HSBC gera a grande maioria dos seus lucros na Ásia, sendo a China e Hong Kong dois dos seus principais mercados de crescimento. Por conseguinte, é particularmente vulnerável às crescentes tensões entre Pequim e Washington sobre uma série de questões.

MC // MSF

By Impala News / Lusa

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