E se Lisboa sofrer um grande sismo? Conheça o plano da Proteção Civil

E se Lisboa sofrer um grande sismo? Conheça o plano da Proteção Civil

A Proteção Civil tem um plano especial detalhado caso a capital seja alvo de um sismo de grande dimensão. Este plano tem em conta desde a evacuação da população até à retirada de possíveis cadáveres.

Portugal vive com o fantasma de um próximo grande sismo, desde o trágico terramoto de 1755. Mas esta ameaça não representa apenas um medo herdado do passado. De acordo com a Proteção Civil existe de facto «um forte potencial sísmico na região da Grande Lisboa».

Neste sentido, por questões de prevenção e segurança, a Proteção Civil elaborou um plano de emergência específico, caso ocorra um sismo. O «Plano Especial de Emergência de Proteção Civil para o risco sísmico na área Metropolitana de Lisboa e Concelhos Limítrofes»,  traduz-se num «instrumento de suporte para a gestão operacional», para dar uma resposta eficaz na iminência desta catástrofe natural.

Este plano mobiliza a atuação de dezenas de entidades e é avaliado e testado de dois em dois anos. Conheça os 4 eixos essenciais deste plano.

1. Condições necessárias para que o plano seja ativado

Antes de mais, é necessário compreender que este é um plano extremamente complexo e que exige uma resposta sincrónica entre várias entidades a grande escala. Por isso, o sismo tem de «preencher vários requisitos» para a sua implementação seja ativada.

Entre as várias características, é necessário que a magnitude do sismo seja igual ou superior a 6,1 na Escala de Richer, ou que o evento sísmico seja sentido na área metropolitana de Lisboa (independentemente do local de registo do epicentro) e que tenha uma intensidade igual ou superior a  VIII na Escala de Mercalli.

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2. A decisão de ativar o plano

Apesar de serem necessárias certas condições para ativar o plano, a decisão de concretização do mesmo compete à Comissão Nacional da Proteção Civil (um órgão da instituição presidido pelo Secretário de Estado da Administração Interna) ou sob a ordem do próprio Governo português, através de uma declaração de calamidade.

3. Primeiros momentos e primeiros passos

Como em qualquer plano, os primeiros momentos da implementação do mesmo são cruciais para que se desenrole como previsto. Neste sentido, o plano de emergência convoca 56 agentes diferentes com objectivos e ações muito distintas. As primeiras autoridades a serem contactadas são as Forças Armadas, GNR, PSP, Bombeiros, o INEM, o Instituto de Medicina Legal, a Cruz Vermelha, e outras instituições de escuteiros, telecomunicações e de apoio social.

Cada órgão tem uma missão pormenorizada de ação divida, essencialmente, para ajudar directamente zonas afectadas. Por exemplo, ao INEM para além da assistência médica no local e transporte de vítimas, também é definida a tarefa de montar hospitais de campanha. A certas empresas de construção é pedida a cedência de máquinas para remover destroços. À PJ e ao Instituto de Medicina Legal compete a identificação de cadáveres e recolha dos mesmos, e a empresas de serviços como a água, luz e telecomunicações é encaminhado o pedido de restabelecimento de linhas afectadas, com maior urgência.

Todas estas forças são organizadas em equipas dividas também por objectivos, cada uma composta por três elementos de várias instituições requeridas. Com tarefas distintas, estes grupos operacionais dividem-se por: Equipas de Reconhecimento e Avaliação da Situação, cujo objetivo é percorrem as áreas afectadas e fazerem uma análise das primeiras consequências da catástrofe natural. As Equipas de Avaliação Técnica, compostas maioritariamente por especialistas em infraestruturas, que têm como missão recolher dados sobre que edifícios, redes de comunicação e serviços estão danificados e em que grau de segurança se encontram os mesmos. Com as informações prestadas pelos dois conjuntos de equipas referidas são encaminhados para o local Grupos Sanitários e de ApoioGrupos Logísticos de Reforço que se responsabilizam pelas primeiras necessidades das vítimas, desde cuidados médicos e recolha de corpos de vítimas mortais, até à evacuação de certos locais e ao abastecimento de água.

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4. Apoios e coordenação

Transportes

Neste cenário, os transportes de Lisboa têm igualmente um papel crucial na resposta a um sismo desta escala, tanto para prestar apoio às autoridades em ação, como para a continuação da circulação na área metropolitana de Lisboa.

Assim, LusoponteCP e a Fertagus, ANA AeroportosTranstejo e a Soflusa e o metro de Lisboa são algumas das empresas cujo apoio neste plano é imperativo.

A Lusoponte dedicar-se-á a reportar e gerir a circulação na ponte Vasco da Gama e 25 de Abril. A CP e a Fertagus ficarão responsáveis pela evacuação de pessoas. A Ana Aeroportos, para além do apoio em operações realizadas por meios aéreos, pela dimensão das instalações irá acolher, temporariamente, feridos ou armazenar cadáveres. A Transtejo e a Soflusa, que prestam serviços na travessia do Tejo, terão de ceder embarcações e prestar apoio nas operações de busca ou salvamento. E por último, o metro de Lisboa, apesar de ser evacuado e encerrado o mais rapidamente possível, deverá disponibilizar plantas dos túneis subterrâneos, para prestar também apoio no processo de busca e salvamento.

Comunicações 

As comunicações gerais do país e, em particular, entre elementos a realizarem missões devem estar operacionais, para que este plano possa atingir os seus objectivos. Nas últimas situações de emergência houve várias falhas preocupantes. Posto isto, para que as comunicações não sejam afectadas existem várias entidades responsáveis pela preservação das mesmas, nomeadamente, a SIRESP SA, responsável pelo restabelecimento das comunicações de emergência, com cerca de 149 estações móveis que asseguram o serviço, a PT, com o dever de restabelecer as comunicações telefónicas e a MEO, a Vodafone e a NOS deverão estar coordenadas com as autoridades, para restabelecer as redes de comunicação móveis.

Coordenação 

A coordenação de todas estas operações é realizada pela Comissão Nacional de Proteção Civil, que em articulação com o Governo, estará reunida nas instalações da ANPC, em Carnaxide. Caso esta estrutura seja danificada ou destruída pelo sismo, a comissão reunirá na Base Aérea 1, em Sintra. Será ainda criado um posto de comando nacional, num local a definir após a catástrofe, que será responsável pela gestão operações de socorro, em específico.

Para além da capital, o plano abrange os municípios de Alenquer, Amadora, Arruda dos Vinhos, Azambuja, Cascais, Lisboa, Loures, Mafra, Odivelas, Oeiras, Sintra, Sobral de Monte Agraço, Torres Vedras e Vila Franca de Xira (distrito de Lisboa), Benavente, Cartaxo e Salvaterra de Magos (distrito de Santarém), Alcochete, Almada, Barreiro, Moita, Montijo, Palmela, Seixal, Sesimbra e Setúbal (distrito de Setúbal).

 

 

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