Caso real | «Descobri que era adotada quando tinha 14 anos»

Os meus pais tiveram de me dizer a verdade. O meu mundo desmoronou. Senti-me fora do meu corpo! Não estava a acreditar que vivi uma mentira durante tantos anos…

Caso real | «Descobri que era adotada quando tinha 14 anos»

Caso real | «Descobri que era adotada quando tinha 14 anos»

Os meus pais tiveram de me dizer a verdade. O meu mundo desmoronou. Senti-me fora do meu corpo! Não estava a acreditar que vivi uma mentira durante tantos anos…

Em plena adolescência a minha vida mudou… aquilo que tinha como garantido desapareceu. Aquilo que foi a minha realidade durante 14 anos desmoronou-se em segundos. Posso dizer, sem pudores, que sempre fui de boas famílias… os meus avós e os meus pais têm posses, o que fez com que nunca me faltasse nada e fosse vista sempre como a menina ricalhaça do grupo de amigos. Mas eles sempre brincaram com a situação e eu nunca levei a mal. Tinha também um agregado familiar maravilhoso. Uns pais extraordinários, um irmão mais velho que amo de coração, uns tios, avós e primos incríveis.

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Quando cheguei à adolescência, as coisas começaram a meter-me confusão

Mas à medida que fui crescendo, algumas questões foram surgindo. Havia fotos da minha mãe grávida do meu irmão, mas não havia minhas. Diziam que as tinham perdido quando mudámos de casa… e sempre que puxava determinados temas relacionados com a minha fase de bebé, mudavam sempre de assunto. Obviamente que quando cheguei à adolescência, as coisas começaram a meter-me confusão e certo dia, depois de mais um momento em que mudaram de assunto sobre algo que questionei, me “passei” da cabeça e quis saber o que se passava. Quis saber por que nada jogava uma coisa com outra! Nada batia certo!

Os meus pais tiveram de me dizer a verdade. Eu era adotada! Caiu-me tudo ao chão! O meu mundo desmoronou! Senti-me fora do meu corpo! Não estava a acreditar que vivi uma mentira durante tantos anos… a minha vida toda foi uma mentira! Eu sou, afinal de contas, filha da minha “tia”, irmã da minha mãe, que faleceu três meses após o meu nascimento. Sou fruto de uma relação casual que ela teve com um amigo numas férias “loucas” e que ele nunca quis assumir a paternidade. Deu o nome, mas recusou qualquer responsabilidade em relação a mim.

Senti-me desprezível e a “bastarda” da família

 Depois da morte dela, os meus pais (afinal adotivos), decidiram ficar comigo. A família apoiou. Entre muitas questões burocráticas – não vos vou explicar tudo senão não saio daqui – passei a ser filha deles. Adotaram-me… e nunca me contaram! Nunca NINGUÉM me contou. Foi um segredo tão bem guardado que nunca deu para desconfiar. Sigilo total! Até à aquele dia!…

Confesso que foi horrível. Senti-me desprezível e a “bastarda” da família. Nunca me deveriam ter escondido esta realidade. Deveria ter sabido de tudo desde pequenina para não apanhar este choque! Foi o pior momento da minha vida…

Tornei-me numa adolescente problemática

Ganhei uma revolta grande e tornei-me numa adolescente problemática. Tive muitas consultas de psicologia e psiquiatria, até que, anos mais tarde, já em idade adulta, acalmei e aceitei, a muito custo, a realidade.

Hoje tenho 35 anos e sou uma pessoa bem resolvida. A mágoa? Está cá sempre, mas superei o choque. Os meus pais continuam a ser pessoas muito presentes! Aliás! Toda a minha família! Mas não… continuo a não entender como se esconde algo do género! Jamais o faria e aconselho a quem me lê, a nunca o fazer, porque é um desgosto enorme a quem está “deste lado”.

Texto: Ana J.

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