World Press Photo lamenta ‘apagão’ em Macau de exposição que exibia protestos em Hong Kong

O diretor de Exposições da Fundação World Press Photo adiantou que vários dias depois de a exposição ter sido encerrada de forma prematura, sem aviso prévio, continuam a não ser claras as razões que levaram ao fecho da mostra organizada localmente pela Casa de Portugal e sublinhou a importância da liberdade de expressão no trabalho que a fundação realiza.

World Press Photo lamenta 'apagão' em Macau de exposição que exibia protestos em Hong Kong

World Press Photo lamenta ‘apagão’ em Macau de exposição que exibia protestos em Hong Kong

O diretor de Exposições da Fundação World Press Photo adiantou que vários dias depois de a exposição ter sido encerrada de forma prematura, sem aviso prévio, continuam a não ser claras as razões que levaram ao fecho da mostra organizada localmente pela Casa de Portugal e sublinhou a importância da liberdade de expressão no trabalho que a fundação realiza.

Macau, China, 08 out 2020 (Lusa) — A Fundação World Press Photo lamentou hoje o ‘apagão’ em Macau da exposição que exibia imagens dos protestos em Hong Kong.

“Embora as razões para o encerramento permaneçam pouco claras, estamos a acompanhar as notícias dos ‘media’ locais nas quais se sugere que pode ser o resultado de pressão externa sobre o conteúdo da exposição” que reúne “o melhor do jornalismo visual do ano passado”, afirmou Laurens Korteweg.

“Apoiar as condições para a liberdade de expressão, liberdade de investigação e liberdade de imprensa é uma parte fundamental do nosso trabalho. Lamentamos o encerramento prematuro da nossa exposição anual em Macau. A nossa colaboração com a Casa de Portugal Macau sempre foi positiva e esperamos poder regressar a Macau”, acrescentou o mesmo responsável.

A fundação sublinhou ainda que “todas as fotografias premiadas nas categorias individuais são exibidas e uma seleção de imagens é feita para todas as histórias premiadas” e que “o conteúdo da exposição anual World Press Photo é o mesmo para todos os locais de exibição e os parceiros não podem escolher quais imagens a ser incluídas na exposição”.

A exposição em causa foi inaugurada a 25 de setembro e deveria decorrer até 18 de outubro, mas no passado fim de semana as portas já estavam fechadas, sem aviso prévio.

A presidente da Casa de Portugal, a associação que organiza há anos a mostra em Macau, contactada pela Lusa, escusou-se a explicar as razões para o encerramento da mostra. Amélia António limitou-se a dizer que “questões de gestão interna não são para discutir em público”.

A Associação de Imprensa em Língua Inglesa e Portuguesa de Macau (AIPIM) também lamentou o encerramento antecipado da exposição da World Press Photo em Macau “por motivos ainda por esclarecer”.

“Se o encerramento estiver relacionado com pressões em torno de algumas fotografias da exposição, a AIPIM considera que estaremos perante algo de grave e um episódio preocupante que sinaliza uma erosão do espaço de liberdade de expressão”, assinalou a associação, salientando que “a exposição da World Press Photo reúne o melhor fotojornalismo a nível mundial e que a presença desta exposição em Macau ao longo dos últimos anos tem sido prestigiante para a cidade, valorizando a projeção do fotojornalismo de qualidade e da liberdade de imprensa”.

O único deputado português da Assembleia Legislativa (AL), José Pereira Coutinho, disse em declarações à Lusa, que “é evidente que a presidente da Casa de Portugal sofreu pressões para acabar com a exibição” e “é evidente que foi por causa das imagens dos protestos de Hong Kong”.

Para outro deputado, Sulu Sou, também do campo pró-democracia na AL, o caso levanta muitas interrogações que, caso não sejam respondidas pelo Governo, podem levar o público a questionar se não se tratou de censura política.

Aquele que é o deputado mais novo na AL salientou ainda que em Macau tem sido palco de algumas ‘coincidências’, como o caso da proibição da exposição sobre o massacre de Tiananmen.

“Não queremos ver mais atividades destas a serem travadas em Macau”, disse, defendendo ainda: “A liberdade e direitos humanos são como o ar, se o perdemos morremos”.

Já o deputado Au Kam San disse à Lusa que “se o encerramento do exibição tem uma relação com as fotos alusivas aos protestos em Hong Kong” então tal “absolutamente não deveria acontecer”.

O membro da AL, que viu este ano a exposição sobre o massacre de Tiananmen a ser proibida pelas autoridades, que alegaram o risco pandémico associado, defendeu que “o Governo tem a responsabilidade de esclarecer o público” e que, tendo em conta o princípio ‘Um País, Dois Sistemas’ que vigora no território, “isso vai afetar a imagem de Macau”.

A Fundação Macau, através da qual o Governo patrocinou a exposição, limitou-se a afirmar, numa resposta à Lusa, que teve conhecimento do fecho antecipado da exposição “por causa de um problema de gestão interna da Casa de Portugal”.

À semelhança de Hong Kong em 1997, para Macau foi acordado em 1999 um período de 50 anos com elevado grau de autonomia, a nível executivo, legislativo e judiciário. A fórmula ‘um país, dois sistemas’ foi originalmente proposta pelo líder chinês Deng Xiaoping, no final dos anos 1970, como solução para reunificar Taiwan.

JMC/MIM/CZL // JH

By Impala News / Lusa

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