Coronavírus | Negócios locais de portugueses em Macau fecham por falta de clientes

O surto do coronavírus está a contaminar os negócios locais portugueses em Macau, roubou clientes e a esperança de recuperar, em alguns casos, a saúde financeira que os protestos em Hong Kong já tinham comprometido.

Coronavírus | Negócios locais de portugueses em Macau fecham por falta de clientes

Coronavírus | Negócios locais de portugueses em Macau fecham por falta de clientes

O surto do coronavírus está a contaminar os negócios locais portugueses em Macau, roubou clientes e a esperança de recuperar, em alguns casos, a saúde financeira que os protestos em Hong Kong já tinham comprometido.

O surto do coronavírus está a contaminar os negócios locais portugueses em Macau, roubou clientes e a esperança de recuperar, em alguns casos, a saúde financeira que os protestos em Hong Kong já tinham comprometido. “Não tenho palavras. Não sei, não sei. O impacto [é] de 100% para quase 0%”, disse à Lusa Santos Pinto, dono de um restaurante que habita há trinta anos a rua que mais turistas atrai na ilha da Taipa, “O Santos”.

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É dos poucos restaurantes abertos. Meia dúzia deles, ligados à restauração, já fechou portas. Na casa, habitualmente cheia, há um casal sentado a uma mesa. Hoje, a contabilidade está feita: há mais empregados do que refeições servidas.

“Este fim de semana ainda vou estar aberto. Na segunda-feira talvez vá fechar porque (…) não vem aqui ninguém. O que estou aqui a fazer?”, pergunta, perto de uma fotografia em que o próprio surge acompanhado do vocalista dos Rolling Stones, um dos muitos famosos que já visitaram o restaurante.

“Noutros tempos, no tempo da SARS [Síndrome Respiratória Aguda Grave, que matou 774 pessoas em todo o mundo], a situação nunca foi tão grave, ou pelo menos tão explosiva”, lembrou o benfiquista que fez da sua casa quase um santuário para os adeptos das ‘águias’.

“Tinha um grupo que chamava os solteiros, divorciados e os mal casados. Vinham aqui sempre, 15, 20 pessoas. Neste momento não sei onde é que eles andam”, lamenta.

À semelhança de Santos Pinto, Manuela Salema ainda estava a recuperar do impacto que os protestos na cidade vizinha de Hong Kong tiveram no seu negócio de importação/exportação de produtos portugueses, quando a epidemia apareceu para infetar toda a contabilidade.

“Quando nós finalmente começámos a ver alguma luz ao fundo do túnel, esperançados novamente … isto foi a gota de água. Não há ninguém, não temos clientes nenhuns”, sublinha a dona do “Cool-Thingz & PortugueseSpot”, numa das ruas da velha Taipa que há pouco mais de duas semanas fervilhava de movimento.

É preciso recordar-se do que aconteceu antes de 1999, “com as tríades e mortes nas ruas” de Macau para tentar explicar por que razão evitaria dizer que este é um momento trágico.

Mas a antiga funcionária pública que se aventurou na criação do próprio negócio, familiar, a pensar também nas duas filhas, depressa admite “o momento muito complicado na vida normal das pessoas, na vida dos empresários, das lojas”.

Há conservas de atum e de sardinha, cerâmica, vinhos, compotas e têxteis impregnados de algum tipo de ‘ADN português’ na loja, mas desapareceram os clientes.

“Tudo está vazio, enfim, é um impacto extraordinário, e eu não sei onde vamos parar”, confessa, outrora habituada aos clientes chineses, de Singapura, Taiwan, Japão e da Coreia do Sul, que desembarcavam na loja a partir de Hong Kong, agora apenas perturbada, quanto muito, pelo ruído de uma obra que decorre duas casas abaixo.

A loja, esclarece, “está semiaberta para aqueles que precisarem alguma coisa”, para um café, uma sandes e até uma máscara, se a farmácia estiver fechada. Já aconteceu antes: “Temos um sentido de cidadania”, justifica.

Uns metros mais à frente, o restaurante “A Petisqueira” não mais abriu as portas após um período de férias que coincide normalmente com o do Ano Novo Lunar.

Eusébio Tomé deveria abrir hoje meter a chave na porta e voltar a servir refeições. A falta de clientes e algumas empregadas Filipinas que estão no seu país impedidas de viajar para a China, numa proibição preventiva das autoridades que também inclui Macau, estragou-lhe os planos.

“Agora não sei quando vou abrir. É esperar mais uma ou duas semanas, ver o que acontece e esperar que as minhas empregadas consigam regressar a Macau para trabalhar”, resume, conformado o português.

Noutra rua, outro negócio da restauração luso fechado. A cervejaria portuguesa Portugália. Quase em frente, “A Toca” ainda tem uma tarja com a qual se tentava seduzir os turistas e locais, com o pretexto de um festival dedicado ao polvo e ao bacalhau, mas as luzes estão apagadas e a porta não abre.

Na terça-feira, dia em que o chefe do Governo anunciou o fecho dos casinos, a população adivinhou que as medidas do Governo começavam a ganhar, de facto, o estatudo de excecionais.

Poucas horas foram necessárias para o cenário de paralisação económica fosse óbvio.

Uma das primeiras medidas do Governo de Macau para reduzir o risco de contágio foi a de enviar milhares de funcionários públicos para casa, onde continuam a trabalhar, mas à distância.

Macau, onde existem atualmente nove pessoas infetadas com o coronavírus, anunciou também o encerramento de espaços culturais e desportivos, parques, jardins e espaços de lazer, bem como de todo o tipo de negócios, o que praticamente está a paralisar a economia.

Na rua, carrinhas equipadas com altifalantes passam durante todo o dia uma gravação que serve para incentivar as pessoas a permanecerem em casa face ao momento crítico do surto que já matou 636 pessoas na China e infetou mais de 31 mil.

Cinco hotéis em Macau fecham temporariamente as portas

As autoridades de Macau disseram hoje que cinco hotéis em Macau já encerraram temporariamente devido aos poucos turistas na capital mundial do jogo por causa do surto do novo coronavírus.

Quatro hotéis já tinham fechados as portas no dia anterior, hoje foi a vez do Hotel Sofitel anunciar que se encontra encerrado, disse a chefe do departamento de licenciamento e inspeção da Direção dos Serviços de Turismo de Macau, Inês Chan, em conferência de imprensa.

Na quinta-feira, o Governo de Macau já tinha anunciado o encerramento de quatro hotéis: the Four Seasons Hotel, Grand Harbour Hotel, St. Regis Macao e o Conrad Macao.

Este encerramento vem na sequência da queda drástica das taxas de ocupação nos hotéis em Macau. Macau já registou dez casos de novo coronavírus, um dos quais já teve alta médica na quinta-feira.

A China elevou hoje para 636 mortos e mais de 31 mil infetados o balanço do surto de pneumonia provocado por um novo coronavírus (2019-nCoV) detetado em dezembro passado, em Wuhan, capital da província de Hubei (centro), colocada sob quarentena.

Além do território continental da China e das regiões chinesas de Macau e Hong Kong, há outros casos de infeção confirmados em mais de 20 países. Na Europa, o número de casos confirmados chegou quinta-feira a 31, com novas infeções detetadas no Reino Unido, Alemanha e Itália.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou em 30 de janeiro uma situação de emergência de saúde pública de âmbito internacional, o que pressupõe a adoção de medidas de prevenção e coordenação à escala mundial.

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