Vírus: Estudantes angolanos na China reclamam de falta de apoio da embaixada

Estudantes angolanos na China, cujo número se estima ser superior a 200, reclamam da falta de apoio da embaixada de Angola no país asiático, que enfrenta uma epidemia causada pelo novo coronavírus, desde o final do ano passado, em Wuhan.

Vírus: Estudantes angolanos na China reclamam de falta de apoio da embaixada

Vírus: Estudantes angolanos na China reclamam de falta de apoio da embaixada

Estudantes angolanos na China, cujo número se estima ser superior a 200, reclamam da falta de apoio da embaixada de Angola no país asiático, que enfrenta uma epidemia causada pelo novo coronavírus, desde o final do ano passado, em Wuhan.

As preocupações dos estudantes começaram a ser divulgadas através de vídeos nas redes sociais, focando a falta de alimentos, de produtos higiénicos, nomeadamente máscaras, bem como a possibilidade de retirada essencialmente da cidade de Wuhan, capital da província de Hubei (centro), o epicentro da epidemia.

Em declarações hoje à agência Lusa, o estudante angolano Luís Leite, na cidade de Quanzhou (sudeste, a cerca de mil quilómetros), disse que a embaixada contactou os estudantes pedindo que acatassem os conselhos das autoridades chinesas em relação ao vírus, mas não passou disso.

“É um passo”, disse Luís Leite, porque “pelo menos ouviu a aflição dos estudantes”, mas é necessário agir.

“De palavras nós estamos fartos, nós queremos atos, porque estamos a ver amigos de outros países com as suas embaixadas a reagirem, e a nossa não”, referiu.

Segundo o estudante do curso de engenharia eletrónica e telecomunicações, a preocupação maior prende-se com a proteção contra a doença.

“Comida não é o mais essencial, a nossa proteção é a maior preocupação. Precisamos de materiais de higiene, como máscaras, lixívia, sabão”, salientou.

Luís Leite, há seis anos na China, que chegou ao país asiático por conta própria, tendo depois ganhado uma bolsa do Governo chinês, contou, a título de exemplo, que há embaixadas que montaram tendas e locais de acolhimento para proteção, onde os estudantes vão buscar suplementos e medicamentos.

“As tais ditas máscaras, porque até dentro de casa temos que fazer uso delas, principalmente em Wuhan”, frisou.

O estudante contou que vive na escola e foram fechadas as portas: “Ninguém entra e ninguém sai”, estando em quarentena.

“[Se] aqui, onde o vírus não afetou significativamente, está assim, imagine-se em Wuhan, como é que estão os nossos colegas”, desabafou.

Na segunda-feira, o embaixador de Angola na China, João Salvador Neto, disse, em declarações à Televisão Pública de Angola (TPA), que falou pessoalmente, no dia 24 de janeiro, com estudantes de várias cidades chinesas, nomeadamente de Wuhan, tendo obtido a informação de que não há nenhum cidadão nacional afetado.

“Na cidade de Xangai também contactei pessoalmente uma estudante, em Xiamene, e na cidade de Beijing [Pequim], estamos a referir estas cidades porque são as que têm uma maior concentração de estudantes e merecem uma atenção muito, muito especial”, referiu em embaixador.

João Salvador Neto avançou que as recomendações foram no sentido de que todos os estudantes e residentes angolanos na China devem cumprir, acatar e observar as medidas preventivas que têm sido constantemente anunciadas pelas autoridades chinesas e pelos meios de comunicação e “acreditar no trabalho que, de forma muito séria, estão a desenvolver no sentido de combaterem esta epidemia”.

A Lusa contactou hoje o Ministério das Relações Exteriores de Angola para reagir às preocupações e denúncias dos últimos dias dos estudantes na China, mas o assunto foi remetido para mais tarde.

A China elevou para 106 mortos e mais de 4.000 pessoas infetadas com o Coronavírus detetado no final do ano em Wuhan, capital da província de Hubei (centro).

O anterior balanço apontava para 80 mortos e mais de 2.700 infetados.

NME/RCR // JH

By Impala News / Lusa

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