Vila Berta em Lisboa classificada como conjunto de interesse público

A Vila Berta, em Lisboa, construída no início do século XX e classificada como imóvel de interesse público desde 1996, está a partir de hoje classificada como conjunto de interesse público, segundo uma portaria publicada em Diário da República.

Vila Berta em Lisboa classificada como conjunto de interesse público

Vila Berta em Lisboa classificada como conjunto de interesse público

A Vila Berta, em Lisboa, construída no início do século XX e classificada como imóvel de interesse público desde 1996, está a partir de hoje classificada como conjunto de interesse público, segundo uma portaria publicada em Diário da República.

A revisão da classificação da Vila Berta reflete os critérios relativos “ao caráter matricial do bem, ao seu interesse como testemunho notável de vivências e factos históricos, ao seu valor estético, técnico e material intrínseco, à sua conceção arquitetónica e urbanística, e à sua extensão e ao que nela se reflete do ponto de vista da memória coletiva”, lê-se no diploma do Governo.

Assinada pela secretária de Estado Adjunta e do Património Cultural, Ângela Carvalho Ferreira, a portaria procede à “revisão da classificação, de IIP [Imóvel de Interesse Público] para CIP [Conjunto de Interesse Público], com a consequente fixação das restrições julgadas convenientes, bem como à fixação da respetiva zona especial de proteção [ZEP]”.

Entre as restrições determina-se que “só são admitidas obras de consolidação e conservação que preservem a identidade estilística e arquitetónica do conjunto classificado” e é criada uma área de sensibilidade arqueológica (ASA), correspondente a todo o conjunto, em que “qualquer operação de natureza urbanística – licenciamento ou outra – com impacte ao nível do subsolo deve ser sujeita a acompanhamento arqueológico”.

“A ZEP tem em consideração a envolvente urbanística do conjunto, caracterizado por quarteirões irregulares, de distintas cronologias, de forma a constituir um contributo para a afirmação do modelo específico e do traçado mais regular da Vila Berta na relação que detém com o seu enquadramento”, é referido no diploma do Governo.

Com mais de um século de existência, a Vila Berta foi alvo de obras recentes de requalificação e preservação, que se iniciaram em junho de 2015, com o objetivo de ‘lavar a cara’ do exterior desta área, com intervenções nas fachadas dos 16 edifícios habitacionais, substituindo os materiais danificados como estruturas em ferro, melhorando a cablagem da instalação elétrica e comunicações e pintando todas as paredes do edificado.

No arranque das obras, Estêvão Tojal, representante da Associação de Defesa do Património da Vila Berta (ADPVB) e bisneto do empresário que construiu este espaço habitacional entre 1908 e 1911, Joaquim Francisco Tojal, disse que a vila surgiu de “um investimento imobiliário para arrendamento” para alojar o grande fluxo de familiares que migraram para Lisboa para trabalhar nas fábricas.

A entrada através de uma serventia pública, as varandas com vasos de flores e os azulejos nas paredes compõem ‘o postal’ da Vila Berta.

As obras de requalificação e preservação da Vila Berta tiveram o apoio do programa BIP/ZIP (Bairros e Zonas de Intervenção Prioritária) da Câmara Municipal de Lisboa, através da candidatura “Amo-te Berta”, vencedora da edição de 2014, com o financiamento de 50 mil euros para defender e preservar o património, envolvendo os proprietários e moradores.

Além da revisão da classificação da Vila Berta, o Governo decidiu classificar, segundo duas outras portarias também publicadas hoje em Diário da República, como monumento de interesse público a antiga unidade industrial “A Napolitana”, localizada na freguesia de Alcântara, em Lisboa, e como sítio de interesse público o Sítio Arqueológico do Alto da Vigia, na freguesia de Colares, em Sintra, distrito de Lisboa.

 

SSM // VAM

By Impala News / Lusa

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