Uvas do Alentejo sofreram

Uvas do Alentejo sofreram “escaldão”

A produção de vinho no Alentejo deveria aumentar 15% este ano, mas o “escaldão” provocado pela recente onda de calor foi “generalizado” e compromete esse objetivo, disse hoje o presidente da Comissão Vitivinícola Regional Alentejana.

“Estávamos à espera de um aumento de produção na ordem dos 15%, mas este ‘escaldão’, que está um pouco generalizado por todo o Alentejo, vai ter efeitos nessa previsão”, admitiu à agência Lusa o responsável da CVRA, Francisco Mateus.

O real efeito do “escaldão” sofrido pelas uvas, em que o calor, o vento quente e a falta de humidade noturna fizeram com que os bagos “desidratassem e mirrassem, como se cozessem”, só vai ser possível apurar “dentro de mais alguns dias”, acrescentou, escusando-se, para já, a quantificar o prejuízo.

“O que sei é que já não vamos ter 15% de aumento de produção, mas vamos aguardar para ver se mantemos algum crescimento ou se ficamos igual ao ano passado. Espero bem que não, porque já tivemos três anos consecutivos de perdas”, afirmou.

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Contactado pela Lusa, Óscar Gato, enólogo da Adega Cooperativa de Borba (Évora), com cerca de 300 associados e 2.300 hectares de vinha, assumiu que “alguns viticultores” sofreram “perdas de produção” devido ao “escaldão”, mas também considerou prematuro adiantar valores.

“Já temos alguma informação, que nos tem chegado nos últimos dias, de alguns viticultores que, nitidamente, têm alguma perda com a ‘queima’ de uvas, mas é muito precoce fazer um balanço porque ainda precisamos de analisar uma área maior”, referiu.

“Estas coisas têm algumas repercussões um bocadinho mais alargadas no tempo”, frisou, explicando que “pode haver bagos ou cachos queimados, mas ainda não se notarem esses efeitos”.

Segundo o enólogo, os prejuízos dependem de vários fatores e a Adega Cooperativa de Borba tem “muitos hectares de vinha, uns em pequenas parcelas, outros em áreas maiores e cerca de 40 castas diferentes de uvas”.

“Há castas mais sensíveis do que outras e também depende muito dos solos, há uns mais pobres, outros mais férteis, e da exposição solar da vinha”, pelo que “podemos ter viticultores com um prejuízo maior e outros com uma pequena quebra”, sublinhou, realçando que só com a vindima, a partir da última semana de agosto, é que será possível ter uma noção mais real.

A Casa Agrícola Alexandre Relvas (CAAR), no concelho de Redondo (Évora) e que arrancou hoje a campanha de vindimas, também não avança percentagens, mas assume a quebra devido à recente onda de calor.

“Não consigo ainda quantificar porque nem só o calor faz mal à vinha, o vento faz muito pior e, no Alentejo, ouve zonas mais afetadas pelo vento do que outras”, afirmou à Lusa Alexandre Relvas, responsável da CAAR, que tem cerca de 350 hectares de vinhas, em Redondo, Vidigueira e Borba.

Mas, apesar da “alguma quebra” provocada pelo “escaldão”, a produção desta empresa deve subir este ano, já sem a situação de seca que afetou as videiras nos anos anteriores.

“O nosso ano passado foi muito mau porque as plantas vinham num ciclo de sequeiro há três anos, em que não tínhamos água. Por isso, esta colheita, mesmo com este ataque do calor, vai ser superior à do ano passado”, frisou Alexandre Relvas.

 


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