Universidade de Macau adquiriu manuscrito de embaixada lusa à China há 300 anos

A Universidade de Macau adquiriu um raro manuscrito português com o relatório da embaixada enviada pelo rei D. João V à China em 1725, que irá ser traduzido para chinês para facilitar a pesquisa académica.

Universidade de Macau adquiriu manuscrito de embaixada lusa à China há 300 anos

Universidade de Macau adquiriu manuscrito de embaixada lusa à China há 300 anos

A Universidade de Macau adquiriu um raro manuscrito português com o relatório da embaixada enviada pelo rei D. João V à China em 1725, que irá ser traduzido para chinês para facilitar a pesquisa académica.

“A nossa ideia é transcrever este livro para português e depois iremos traduzir. Ao mesmo tempo, o livro estará disponível online”, disse hoje o vice-reitor da universidade, Rui Martins, na apresentação pública do manuscrito.

O relatório oficial da embaixada do rei D. João V ao imperador chinês Yongzheng no século 18 “reapareceu” há cerca de seis meses no mercado internacional, disse o académico português.

O manuscrito foi adquirido através da Fundação para o Desenvolvimento da Universidade de Macau, num momento que António Vasconcelos de Saldanha, professor do Departamento de História da universidade descreveu como “muito emocionante”.

Há apenas dois exemplares conhecidos do relatório, sendo que o outro se encontra na Biblioteca da Ajuda, em Lisboa.

O documento é muito importante porque deriva da única embaixada europeia recebida por Yongzheng e contém a única informação escrita numa língua europeia e recolhida diretamente na China sobre a corte deste imperador chinês, sublinhou António Vasconcelos de Saldanha.

“É o equivalente a um astrónomo descobrir um novo planeta”, explicou o académico.

“Este será provavelmente um dos mais antigos manuscritos existentes em Macau que demonstram a histórica relação de mais de 500 anos entre a China e Portugal”, sublinhou Rui Martins.

A carta de D. João V, entregue pelo líder da embaixada, Alexandre Metello, ao imperador Yongzheng em 1727, foi preservada no Arquivo Histórico Principal da China, na capital, Pequim.

Segundo o diretor adjunto da instituição, Han Yongfu, a carta menciona os presentes enviados pelo rei português, incluindo armas de fogo e “vinho tinto”. O imperador chinês respondeu enviando para Portugal objetos valiosos como gengibre, chá e porcelana.

O Arquivo Histórico Principal da China tem um acervo de mais de mil documentos históricos sobre os laços diplomáticos entre Portugal e a China, disse Han Yongfu.

Numa mensagem enviada para a apresentação do manuscrito, o responsável disse esperar que o reaparecimento do documento possa ajudar “a promover o estudo das relações sino-portuguesas”.

VQ // JH

By Impala News / Lusa

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