UNITA exige que Presidente angolano reforce condições de trabalho nos hospitais

O grupo parlamentar da UNITA, maior partido da oposição angolana, exigiu hoje ao Presidente da República, João Lourenço, o reforço das condições de trabalho nos hospitais, que nos últimos dias entraram em “evidente colapso”.

UNITA exige que Presidente angolano reforce condições de trabalho nos hospitais

UNITA exige que Presidente angolano reforce condições de trabalho nos hospitais

O grupo parlamentar da UNITA, maior partido da oposição angolana, exigiu hoje ao Presidente da República, João Lourenço, o reforço das condições de trabalho nos hospitais, que nos últimos dias entraram em “evidente colapso”.

A posição foi expressa num comunicado, alusivo à “dramática situação sanitária em Angola”, que nas últimas semanas, em diversas províncias do país, sobretudo em Luanda e em Benguela, é caracterizada pelo aumento exponencial do número de pacientes afetados principalmente pela malária, a principal causa de morte de angolanos. 

O documento caracteriza ainda o estado da saúde em Angola como de enorme afluência de doentes, ultrapassando a capacidade instalada nas unidades sanitárias, com longos tempos de espera para o atendimento dos pacientes e uma exiguidade de camas, levando a que sejam acomodados dois ou mais doentes na mesma cama, com doentes no chão, sendo preocupante também o caso dos pacientes pediátricos. 

A insuficiência de medicamentos essenciais e de material descartável nas diversas unidades sanitárias, particularmente nos hospitais municipais, sendo os pacientes obrigados a comprar medicamentos nas farmácias localizadas ao redor dos hospitais é igualmente descrita pelos deputados. 

A sobrecarga de trabalho dos médicos, enfermeiros e outro pessoal de saúde são igualmente consequências do elevado índice de doenças que afetam a população, o que tem levado a uma “elevada mortalidade em diversos hospitais, atingindo sobretudo crianças, geralmente afetados por grave incidência de malnutrição”, referem. 

“Toda esta situação advém de fatores sobejamente conhecidos por todos nós angolanos, nomeadamente: o deficiente saneamento do meio que levou ao acumular do lixo em Luanda e noutras localidades, a persistência de charcos que permite o desenvolvimento das larvas do mosquito”, lê-se na nota.

Outro fator apontado reside no “deficiente abastecimento de medicamentos e de material gastável nas unidades sanitárias, particularmente nos centros de saúde e nos hospitais municipais, motivando o elevado afluxo de doentes aos hospitais secundários e terciários, por impossibilidade de resposta dos hospitais de primeira linha”. 

Perante a “grave situação sanitária em que o país se encontra”, acrescenta o comunicado, a União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) reconhece o enorme esforço que está a ser desenvolvido pelos médicos, enfermeiros e outro pessoal da saúde, tendendo a reduzir os efeitos nefastos provocados por esta situação.

Por outro lado, recomenda às autoridades sanitárias a ouvirem os conselhos dos profissionais de saúde, representados em organizações, nomeadamente o Sindicato dos Médicos e a Ordem dos Enfermeiros, que preocupados com a situação vigente, há muito tornaram pública a sua preocupação, mostrando os principais estrangulamentos do sistema e propondo vias de solução aos problemas existentes. 

Ao Presidente da República exigem também o reforço de verbas aos serviços de saúde de modo a permitir que possam enfrentar com mais eficácia a situação “que está a pôr em risco a vida de demasiados cidadãos”. 

“Face ao evidente colapso de todo o sistema de saúde do nosso país, apela ao esforço conjugado de todos no sentido de urgentemente exigir-se ao executivo a convocação de uma conferência nacional para a reforma profunda de todo o sistema de saúde do nosso país”, frisa o grupo parlamentar da UNITA. 

Segundo as autoridades sanitárias angolanas, nos últimos dias milhares de pessoas têm acorrido aos hospitais devido a síndromes febris associados à malária, dengue e chikungunya, sem que médicos e enfermeiros tenham capacidade para atender a média diária de 2.000 casos.

A malária é uma doença endémica em Angola e a principal causa de morte, internamentos e abstenção laboral e escolar. 

 

NME // LFS

Lusa/Fim 

 

By Impala News / Lusa

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