Temporada Gulbenkian 2022/23 com Maria João Pires, Kissin, Uchida, Saramago e Djaimilia

Os pianistas Maria João Pires, Daniil Trifonov, Evgeni Kissin, Grigory Sokolov, Leif Ove Adsnes, Mitsuko Uchida e Víkingur Ólafsson são alguns dos protagonistas da próxima temporada Gulbenkian Música, hoje anunciada, a decorrer de setembro a junho de 2023.

Temporada Gulbenkian 2022/23 com Maria João Pires, Kissin, Uchida, Saramago e Djaimilia

Temporada Gulbenkian 2022/23 com Maria João Pires, Kissin, Uchida, Saramago e Djaimilia

Os pianistas Maria João Pires, Daniil Trifonov, Evgeni Kissin, Grigory Sokolov, Leif Ove Adsnes, Mitsuko Uchida e Víkingur Ólafsson são alguns dos protagonistas da próxima temporada Gulbenkian Música, hoje anunciada, a decorrer de setembro a junho de 2023.

Numa programação que assinala os centenários de Iannis Xenakis e de José Saramago, destaca-se igualmente a estreia de “Os dias mais longos e os mais curtos”, do britânico Eugene Birman, sobre texto de Djaimilia Pereira de Almeida, assim como o regresso ao universo de Olivier Messiaen, com “A transfiguração de Nosso Senhor Jesus Cristo”, obra-chave do compositor francês, encomendada pela Fundação Calouste Gulbenkian, nos anos 1960.

A meio-soprano Joyce DiDonato, o barítono Peter Mattei, os pianistas Arcadi Volodos, Alexander Kantorow, Gabriela Montero, Roger Muraro e Piotr Anderszewski, o agrupamento Graindelavoix e os ensembles Pygmalion e Asko/Schoenberg são outros nomes que se destacam, a par do Ictus Ensemble e do Collegium Vocale Gent, que apresentam, em versão de concerto, a ópera “Einstein on the Beach”, de Philip Glass, com narração de Suzanne Vega.

O Coro e a Orquestra Gulbenkian, que voltam a ter uma digressão internacional, desta vez por salas de Viena, Munique e Colónia, mobilizam maestros como John Nelson, Myung-Whun Chung e Pedro Amaral, assim como os anteriores titulares Lawrence Foster e Loronzo Viotti, além da maestrina ucraniana Oksana Lyniv, a primeira mulher a dirigir no Festival de Bayreuth, dedicado a Wagner, como aconteceu na abertura da edição do ano passado, que nos últimos meses tem sido uma voz na afirmação do seu país contra a invasão russa.

No total, somam-se mais de 120 espetáculos e mais de 80 diferentes programas, entre concertos, recitais e transmissões de ópera do ‘Met’, em Nova Iorque, numa temporada hoje anunciada em pleno, superando os constrangimentos da pandemia e as previsões trimestrais que marcaram os anúncios dos dois últimos anos, para uma programação a cumprir entre o próximo dia 10 de setembro, com o concerto da Orquestra Gulbenkian, no Vale do Silêncio, no âmbito do festival Lisboa na Rua, e 03 de junho de 2023, data da última transmissão de ópera do ‘Met’, com “A Flauta Mágica”, de Mozart, dirigida por Nathalie Stutzmann.

O Grande Auditório abre as portas à temporada em 14 de setembro, para a estreia absoluta de “Os dias mais longos e os mais curtos”, pelo Coro Gulbenkian, sob a direção de Jorge Matta. A obra resulta de uma encomenda da fundação ao britânico Eugene Birman, que aborda “uma questão central” para o compositor, “ampliada pela pandemia: quão essencial é a criação artística para as sociedades contemporâneas”.

Nascido em 1987, formado em Oxford, na Julliard e na Columbia, em Nova Iorque, antigo discípulo de compositores como Azio Corghi e John Adams, com uma escrita de “qualidade dramática” e “intensa emoção”, como a BBC a definiu, Birman tem por hábito “abordar temáticas socialmente relevantes”, das crises financeiras aos conflitos das fronteiras russas, como o fez em “Nostra Culpa” (2013) e “Russia: Today” (2020).

A celebração do centenário de Iannis Xenakis (1922-2001) tem a primeira etapa no dia 16 de setembro, com Pedro Amaral a dirigir o Coro e a Orquestra Gulbenkian. O programa cruza universos que definiram a contemporaneidade, ao juntar Pierre Boulez (“Messagesquisse”) a Xenakis (“Anastenaria” e “Pithoprakta”) e ao mestre de ambos, Olivier Messiaen (“Chronochromie”).

Dois dias mais tarde, um espetáculo concebido pelo percussionista Tomás Moital reúne outras das mais emblemáticas obras do compositor de origem grega: “Rebonds (A-B)”, “Okho”, “Psappha”, “Voyage absolu des Unari vers Andromède” e “Pour la Paix II”.

O espetáculo “Polytope 2022”, a 02 e 03 de dezembro, traduz-se na reconstituição moderna de “Polytope de Cluny”, 50 anos após a sua conceção inicial, pelo coletivo nu/thing, com design visual da ExeriensS. A obra combina música, artes visuais e arquitetura, a formação inicial de Xenakis.

O centenário do compositor, a quem a Gulbenkian encomendou mais de uma dezena de obras, será ainda assinalado por uma exposição coproduzida pela Philharmonie de Paris — Cité de la Musique, o Centro de Arte Moderna e o Programa Gulbenkian Cultura.

Maria João Pires inaugura o ciclo Grandes Intérpretes a 22 de setembro, com o Concerto para dois pianos, K.365, de Mozart, que interpreta com o pianista e maestro Ricardo Castro. São acompanhados pela Orquestra Neojiba, projeto de “desenvolvimento social pela música” fundado pelo regente em 2007. O programa inclui ainda obras de Carlos Gomes, Heitor Villa-Lobos e a estreia portuguesa de “Kamarámusik”, de Jamberê Cerqueira.

O ciclo Grandes Intérpretes, que segue até ao fim da temporada, prossegue a 22 de outubro com “Mein Traum” (“Meu sonho”), espetáculo concebido pelo maestro Raphaël Pichon, com base num filme dedicado a Franz Schubert e Robert Schumann, pelo Ensemble Pygmalion e o barítono Stéphane Degout.

Este ciclo inclui ainda a pianista Mitsuko Uchida, a dirigir a Mahler Chamber Orchestra, em obras de Mozart e Schoenberg (09 de janeiro), Evgeny Kissin, a solo, com um programa dedicado a Johann Sebastian Bach, Mozart, Debussy e Rachmaninov (08 de fevereiro), e o recital de canção de câmara de Peter Mattei, com o pianista David Fray, no ciclo “Winterreise” (“Viagem de Inverno”), de Schubert (27 de fevereiro).

Joyce DiDonato encerra o ciclo Grandes Intérpretes e a temporada, em 02 de junho, com a orquestra Il Pomo d’Oro, o maestro Maxim Emelyanychev e o programa “Eden”, que combina de mais de três séculos, do primeiro Barroco de Biagio Marini e Francesco Cavalli, à contemporaneidade que vai de Charles Ives e Aaron Copland a Rachel Portman.

Grandes intérpretes marcam igualmente o Ciclo de Piano, que inclui Daniil Trifonov (10 de outubro), Alexandra Dovgan (28 de outubro), Víkingur Ólafsson (07 de novembro), Leif Ove Andsnes (15 de novembro), Alexandre Kantorow (14 de março) e Grigory Sokolov (20 de março).

Este ciclo abre-se a uma nova edição do Festival Pianomania, nos dias 08 a 13 de dezembro, com Denis Kozhukhin, Nelson Goerner, Andreï Korobeinikov, Gabriela Montero e Arcadi Volodos.

Com mais de 50 atuações, nesta temporada, a Orquestra Gulbenkian reencontra o maestro Lorenzo Viotti, que se mantém como maestro convidado principal, para um programa com obras de Brahms, Mozart e Peteris Vasks, com o clarinetista Andreas Ottensamer (14 e 15 de outubro), com o qual parte em digressão europeia. Viotti dirigirá mais tarde a 6.ª Sinfonia de Gustav Mahler (17 e 18 de fevereiro).

O maestro Myung-Whun Chung, o pianista Roger Muraro e o violoncelista Varoujan Bartikian oferecem “uma das mais impressionantes criações” de Messiaen, “La Transfiguration de Notre Seigneur Jésus-Christ”, em 27 e 28 de abril, com o Coro e a Orquestra Gulbenkian. Perto de 53 anos após a estreia da obra, no Coliseu dos Recreios, em junho de 1969, os músicos tomam os lugares então ocupados Sergio Baudo, Yvonne Loriod e Mstislav Rostropovich, respetivamente.

Myung-Whun Chung e Muraro, antigo discípulo de Loriod, protagonizam uma das mais premiadas gravações atuais da obra.

O regresso d’”A Transfiguração” assinala o centenário da primeira diretora do Serviço de Música da Gulbenkian, Madalena de Azeredo Perdigão (1923-1989), principal dinamizadora da encomenda, em 1965, e do processo que levou à estreia, quatro anos depois.

No programa da Orquestra Gulbenkian, o violinista Pinchas Zukerman será maestro e solista da Sinfonia Concertante para violino, viola e orquestra de Mozart (10 e 11 de novembro); a maestrina ucraniana Oksana Lyniv dirige o Concerto de Ano Novo (05 e 06 de janeiro); John Nelson, a “Missa Solemnis”, de Beethoven (02 e 03 de março); o maestro Gábor Káli, o Concerto n.º 5, “Imperador”, também do mestre de Bona, com o pianista Piotr Anderszewski, como solista (19 e 20 de janeiro); e Lawrence Foster, antigo titular, regressa para reger a 9.ª Sinfonia, “Coral” (25 e 26 de maio).

O Concerto de Natal, com o maestro Peter Dijkstra, reúne as três últimas cantatas da “Oratória de Natal”, de Bach, e o Concerto de Páscoa opta pela “Paixão Segundo São Mateus”, também do Mestre de Leipzig, sob a direção de Martina Batic.

A música de John Williams é retomada com “O Regresso de Jedi”, da saga “Star Wars”, sob direção de Ludwig Wicki (12, 13 e 14 de janeiro).

No fim de semana de 11 e 12 de março, um programa dedicado a Canções Ibéricas reúne peças portuguesas, pela soprano Ana Quintans e o pianista Filipe Raposo, catalãs (Àngel Òdena e Miquel Ortega), bascas (Miren Urbieta-Veja e Rubén Fernández Aguirre) e galegas (Borja Quiza e Fernando Briones).

Na Música Antiga, os Graindelavoix, sob a direção de Björn Schmelzer, surgem duas vezes: primeiro, num programa em torno de Josquin des Prez (04 de outubro), depois, na “Missa do Terramoto”, de Antoine Brumel (16 de maio).

Na ópera, o centenário de José Saramago (1922-2022) é assinalado a 17 e 18 de novembro, com a estreia da peça “Don Giovanni ou o dissoluto absolvido”, do Nobel da Literatura, conjugada com a ópera “Don Giovanni”, de Mozart. A obra de Lorenzo Da Ponte condena o libertino; Saramago, redime-o.

A ideia do confronto das duas visões em palco partiu do maestro Nuno Coelho, que dirige a orquestra. A encenação é de Jean Paul Bucchieri.

Antes, em 20 de setembro, a compositora Jamie Man estreia em Portugal “Zelle – wenn es dunkel wird” (“Zelle – quando escurece”), que combina o drama de uma mulher sob interrogatório policial, a fotografia de Masao Yamamoto, o cinema de David Lynch e a tradição do teatro nô, do Japão. A própria compositora rege o Asko/Schoenberg Ensemble, seis anos após a primeira audição de “Play: Episodes in Subspace”, com que respondeu a uma encomenda da Gulbenkian.

“Einstein on the Beach”, de Philip Glass, será apresentada em 26 de novembro, em versão de concerto, com direção de Tom De Cock e cenografia da artista Germaine Kruip.

Os concertos de abertura da temporada, de 10 a 20 de setembro, são de entrada gratuita.

A programação integral dos diferentes ciclos da temporada, abarcando ainda os Solistas da Orquestra, os Concertos de Domingo, o Festival Noruz, do Médio Oriente, e as transmissões da Metropolitan Opera, fica disponível a partir das 10:00 de hoje, no ‘website’ da Fundação.

MAG // TDI

By Impala News / Lusa

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