Teatro Experimental do Porto estreia versão de “Hamlet” de Koltés no palco do Rivoli

O espetáculo “O dia da matança na história de Hamlet”, uma versão da peça de Shakespeare do dramaturgo francês Bernard-Marie Koltès, vai estrear-se na sexta-feira, no Teatro Rivoli, no Porto, pela mão do Teatro Experimental do Porto.

Teatro Experimental do Porto estreia versão de

Teatro Experimental do Porto estreia versão de “Hamlet” de Koltés no palco do Rivoli

O espetáculo “O dia da matança na história de Hamlet”, uma versão da peça de Shakespeare do dramaturgo francês Bernard-Marie Koltès, vai estrear-se na sexta-feira, no Teatro Rivoli, no Porto, pela mão do Teatro Experimental do Porto.

O texto vem da fase de juventude de Koltès (1948-1989) e condensa os acontecimentos de “Hamlet” em quatro personagens – Hamlet, Ofélia, Gertrud e Claudius – e num só dia, o ‘dia da matança’, numa versão “rápida e voraz, e muito violenta”, explicou à Lusa o encenador, António Júlio.

“Não é por acaso que o espetáculo se centra num núcleo familiar. Na história original, também é assim, mas aqui é mais evidente. É uma família que é um reflexo do país, do lugar, do estado, e que, ao ser arruinada e desfazer-se, matando-se uns aos outros, acaba tudo, o país, o Estado”, comenta.

Apesar de ter morrido com 41 anos, Koltès é considerado uma das vozes mais significativas da dramaturgia europeia do século XX, mesmo que esta versão ‘condensada’ de Hamlet tenha sido enjeitada pelo autor, que “considerou que o trabalho anterior a ‘Noite antes da Floresta’ não devia ser considerado”.

“Creio que ele também estivesse a experimentar-se na escrita. Talvez hoje quisesse mudar o texto. Aqui, reescreve e redistribui muito do texto, atribuindo-as a estas quatro, num exercício muito livre. Verteu para estas quatro personagens [o texto] e centrou toda a ação numa problemática de família”, reforça António Júlio.

Se esta encenação reconheceu “Shakespeare em Koltès”, um exercício “mais curioso foi, ao ler Shakespeare, reconhecer Koltès”, sendo que o encenador admite “uma expectativa de como o público vai receber o texto”.

Por um lado, se há um grupo de pessoas “que já conhecem a história” e conhecem várias das frases icónicas do espetáculo do ‘Bardo’, outros há “que a ouvirão pela primeira vez”, configurando duas experiências diferentes.

“Os primeiros vão perceber que estas personagens são feitas de frases de outros, e tivemos, à falta de melhor expressão, muitas vezes a sensação de estarmos perante ‘Frankensteins’, corpos construídos de pedaços de outros corpos”, refere.

Num texto que tem uma “estranheza” muito própria, que foi “compreendida e aceitada pelos atores”, o dramaturgo francês segue a estrutura clássica de cinco atos e uma abordagem cronológica do último dia da peça original.

A partir da tradução de Alexandra Moreira da Silva, a encenação de António Júlio tem em Júlia Valente, Maria do Céu Ribeiro, Paulo Calatré e Paulo Mota o elenco, com música de José Alberto Gomes e cenografia e figurinos de Catarina Barros, numa coprodução do Teatro Experimental do Porto e do Teatro Municipal do Porto.

“O dia da matança na história de Hamlet” é apresentada no Rivoli pelas 21:00 de sexta-feira, no sábado, às 19:00, e, no domingo, tem início pelas 17:00.

SIYF // MAG

By Impala News / Lusa

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