Sobreiro vai ser protagonista de quatro bandas desenhadas em Odemira

O sobreiro vai ser o protagonista de quatro bandas desenhadas a publicar em Odemira (Beja), num projeto que pretende consciencializar para o declínio desta espécie e do montado, disseram hoje os coordenadores à agência Lusa.

Sobreiro vai ser protagonista de quatro bandas desenhadas em Odemira

Sobreiro vai ser protagonista de quatro bandas desenhadas em Odemira

O sobreiro vai ser o protagonista de quatro bandas desenhadas a publicar em Odemira (Beja), num projeto que pretende consciencializar para o declínio desta espécie e do montado, disseram hoje os coordenadores à agência Lusa.

O projeto Histórias à Sombra do Montado, coordenado por Hugo Tornelo e Rita Gonzalez, reúne “quatro histórias independentes”, impressas em formato de jornal e de livro, que serão distribuídos de forma gratuita no concelho de Odemira, previsivelmente no mês de setembro.

“É um registo que dá desde miúdos a graúdos. Por isso, foi o registo que achámos que seria interessante para trazer uma abordagem um bocadinho diferente e que chegasse a todos. Esse foi o grande objetivo, prestar uma homenagem ao sobreiro e ao montado de sobro” na região de Odemira”, explicou Hugo Tornelo.

A ideia é aproveitar o formato para “tocar um bocadinho o lado de sensibilização”, assim como promover “as boas práticas de regeneração do sobreiro e do montado” que, sustentou Hugo Tornelo, “estão à mão de todos”.

“O que vai acontecer”, atalhou Rita González, “é que o montado vai ser falado onde vão ser distribuídos os jornais”.

“Vai ser assunto de conversa. As pessoas vão falar sobretudo sobre as sugestões de boas práticas que nós também colocamos nos jornais. É esse o objetivo, que as pessoas falem, comentem e depois possam pôr em prática. São pequenos gestos, mas que podem fazer a diferença”, acrescentou.

Segundo Hugo Tornelo, vão ser editados “cerca de 10 mil jornais”, para serem distribuídos “por todo o concelho de Odemira, em cafés, estabelecimentos e em vários sítios onde as pessoas estão”.

Cada jornal terá, no final, “sete boas práticas para a regeneração do montado”, para, “de forma acessível, as pessoas perceberem o que pode ser feito”.

O livro, por sua vez, “vai ser distribuído na Biblioteca Municipal de Odemira e nas bibliotecas dos agrupamentos escolares”.

“Ao contrário do jornal, no final, [o livro] tem atividades para serem feitas dentro e fora da sala de aula com os alunos, sobre o montado, para um conhecimento maior sobre o ecossistema do montado e do sobreiro”, adiantou o coordenador do projeto.

A escolha dos autores das histórias e dos ilustradores foi feita de forma a conseguir “registos diferentes, tanto a nível do ilustrador, como de quem escreve”.

“Teve muito a ver com a sua qualidade. Temos nomes, a nível de escrita, como Afonso Cruz, João Afonso, Ana Margarida de Carvalho e Ana Bárbara Pedrosa. Nomes conhecidos, um ou outro mais jovens, outro já bastante conhecido a nível de literatura nacional e internacional”, comentou o diretor criativo.

Em termos da ilustração, os coordenadores de Histórias à Sombra do Montado procuraram também “registos diferentes”.

“Temos a Joana Afonso, que tem um certo tipo de registo, a Marta Teives, o Nuno Saraiva, que também é bastante conhecido, e o João Maio Pinho, com um registo mais a preto e branco”, revelou.

A ideia foi “criar um objeto artístico e literário”, no qual as pessoas se pudessem “identificar e rever”.

Para isso, “os ilustradores e escritores fizeram a pesquisa de campo”, ou seja, estiveram na região de Odemira para se inspirarem “naquilo que viram para fazer as histórias e as desenhar”.

“Na realidade, as pessoas vão identificar-se e rever-se nos locais, se calhar até nas próprias histórias”, assumiu Hugo Tornelo.

O montado de sobro “é um dos ecossistemas mais ricos do mundo” e Portugal concentra “34% da área mundial, num total de 736 mil hectares”, de acordo com o projeto, apoiado pela Câmara de Odemira e pelo Programa LIFE, da Comissão Europeia.

O sobreiro é espécie protegida, desde 2002, e reconhecido como árvore nacional em Portugal, desde 2011. Mas as alterações climáticas e más práticas agrícolas enfraquecem a espécie e provocam a sua mortandade, pelo que o “montado está em declínio”, alertou o projeto.

SYL // RRL

By Impala News / Lusa

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