Síndrome pós-covid deixa 10 crianças internadas nos cuidados intensivos

Hospital de Santa Maria teve internados nos cuidados intensivos pediátricos uma dezena de crianças com Síndrome Inflamatória Multissistémica.

Síndrome pós-covid deixa 10 crianças internadas nos cuidados intensivos

Síndrome pós-covid deixa 10 crianças internadas nos cuidados intensivos

Hospital de Santa Maria teve internados nos cuidados intensivos pediátricos uma dezena de crianças com Síndrome Inflamatória Multissistémica.

O Hospital de Santa Maria já teve internados nos cuidados intensivos pediátricos uma dezena de crianças e jovens com Síndrome Inflamatória Multissistémica. A maioria tinha passado de forma assintomática pela infeção pelo novo coronavírus.

A diretora da Unidade de Cuidados Intensivos (UCI) pediátricos, Marisa Vieira, explica que este síndrome – uma resposta exagerada do sistema imunitário – tem aparecido cerca de quatro semanas após a infeção.

Nestes 10 casos, quatro deles já este ano, as crianças/jovens precisaram deste internamento “porque tiveram falência cardíaca importante” e houve um caso mais grave em que o doente teve de estar ligado ao ECMO (sistema que pode substituir os pulmões e o coração).

Como estes doentes não tinham tido quaisquer sintomas de covid-19, não havia nenhum teste positivo realizado anteriormente e foi apenas pela análise serológica no hospital que se percebeu que tinham tido contacto com o vírus.

“O que havia era infeção anterior em contexto familiar, com pais ou avós que tinham sido positivos ao novo coronavírus quatro a seis semanas antes”, afirmou.

Febre alta, diarreia e vómitos

A febre alta (39,5 graus) e que não cede facilmente (reaparece de quatro em quatro ou de seis em seis horas) é dos primeiros sintomas a manifestar-se.

Além da febre, estes doentes apresentavam ainda “uma componente gastrintestinal importante, com dor abdominal, diarreia e vómitos“. Em alguns casos, “alguma disfunção cardiovascular, com sensação de desmaio e falta de força”, explicou em declarações à Agência Lusa.

Marisa Vieira contou que a criança mais nova que ali esteve internada com esta síndrome tinha sete anos e a mais velha 17. Na segunda-feira, estava nos cuidados intensivos a recuperar um jovem de 16 anos.

Uma vez que a maioria das crianças/jovens não desenvolve sintomas associados à infeção pelo novo coronavírus, Marisa Vieira aconselha os pais a estarem atentos pois este síndrome pode dar sinais entre três e seis semanas após infeção.

A diretora da Cardiologia pediátrica do Santa Maria, Mónica Rebelo, explica que estes casos de síndroma inflamatório multissistémico é uma das formas de “compromisso cardiovascular” que resulta da infeção.

“A que nós temos encontrado mais frequentemente é a disfunção miocárdica com dilatação do coração e com insuficiência cardíaca e, por isso, os doentes surgem com quadros de hipotensão, com necessidade de internamento nos cuidados intensivos e muitas vezes com necessidade de algum tipo de suporte inotrópico” [para ajudar o coração a contrair].

Embora estas situações na fase aguda possam ser graves, Mónica Rebelo sublinha que, “felizmente, a grande maioria – no caso do Santa Maria 100% – tem corrido bem e os doentes têm recuperado na sua totalidade“.

Nos primeiros seis meses “a nossa recomendação é que não haja retoma do exercício físico regular ou, pelo menos, com alguma intensidade, e que, obviamente de acordo com as alterações iniciais, também vai ser diferente de doente para doente”, disse.

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