Sindicato cabo-verdiano denuncia despedimentos ilegais no maior hospital do país

O presidente do Sindicato Nacional dos Enfermeiros e Técnicos de Saúde (SNETS) de Cabo Verde, José Manuel Vaz, denunciou hoje o despedimento de 22 funcionários contratados pelo Hospital Agostinho Neto, o maior do país, e pede intervenção governamental.

Sindicato cabo-verdiano denuncia despedimentos ilegais no maior hospital do país

Sindicato cabo-verdiano denuncia despedimentos ilegais no maior hospital do país

O presidente do Sindicato Nacional dos Enfermeiros e Técnicos de Saúde (SNETS) de Cabo Verde, José Manuel Vaz, denunciou hoje o despedimento de 22 funcionários contratados pelo Hospital Agostinho Neto, o maior do país, e pede intervenção governamental.

Em conferência de imprensa na cidade da Praia, o dirigente sindical adiantou que os 22 funcionários, a maioria administrativos e pessoal auxiliar, 18 deles com contratos com mais de um ano, foram despedidos em dezembro, após diálogo com a administração.

“A nosso ver trata-se de uma medida muito negativa e no tempo inapropriado para a nossa cultura”, salientou o presidente do sindicato.

Em dezembro, o diretor do Hospital Agostinho Neto (HAN), Júlio Andrade, disse que não houve despedimentos no maior hospital do país, explicando que os técnicos tinham contratos de substituição de funcionários que foram de férias ou pediram licença.

“Acreditam que 22 pessoas realmente foram de férias ou pediram licença sem vencimento ao mesmo tempo?”, questionou José Manuel Vaz, dizendo não ser verdade que se trate de contratos de substituição.

Segundo o presidente do SNETS, uma das medidas que poderia resolver este problema seria a abertura de concursos, pese embora o próprio dizer que já não acredita nesta via.

E justificou com um concurso aberto em que mais de 100 enfermeiros estão a trabalhar, mas há mais de oito meses que estão à espera por uma nomeação, não usufruindo dos direitos como funcionários do quadro.

“Despede-se um funcionário, com toda a pressa para se poder fazer o concurso, o concurso é feito, depois fica seis, sete, oito meses à espera para serem empregados. Acho que isso não é solução”, afirmou o enfermeiro líder sindical.

José Manuel Pereira Vaz notou que os despedimentos aconteceram numa altura em que o Governo “tem falado muito” no aumento do emprego, mas “nunca se pronuncia sobre o desemprego e os despedimentos”.

Além de denunciar o caso na imprensa, o presidente apelou os seus associados a participarem no sábado na manifestação organizada União Nacional dos Trabalhadores Cabo-verdianos – Central Sindical (UNTC-CS), a maior central sindical do país, em que o SNETS é filiado.

Sem descartar outras formas de luta, disse que o sindicato vai pedir a intervenção da Direção-Geral do Trabalho (DGT) de Cabo Verde para resolver esta questão laboral.

O presidente do SNETS afirmou que o Hospital Agostinho Neto carece de equipamentos essenciais, nomeadamente de imagiologia e anestesia, referindo ainda a necessidade de forte intervenção no bloco operatório central e de um melhor tratamento dos seus funcionários.

O dirigente sindical disse ainda que vários funcionários sofreram corte de salários com valores superiores a 20 mil escudos (181 euros), porque são obrigados a trabalhar uma hora a mais por dia e 22 horas por semana em relação a outras estruturas a nível nacional.

“O HAN é o único a obrigar os técnicos de saúde, os administrativos e o pessoal auxiliar a trabalharem o horário superior às outras estruturas e o Governo não diz nada, o Ministério da Saúde não diz nada, deixando assim estes colaboradores ao Deus dará”, lamentou.

RIPE // JH

By Impala News / Lusa

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