Seis meios aéreos e 70 operacionais combatem mais um fogo em Cabril

Seis meios aéreos e 70 operacionais combatem mais um fogo em Cabril

Setenta operacionais e seis meios aéreos combatem hoje um incêndio em Cabril, a freguesia do distrito de Vila Real com o maior número de ignições e com um reforço de patrulhamento e vigilância.

Montalegre, Vila Real, 01 out (Lusa) — Setenta operacionais e seis meios aéreos combatem hoje um incêndio em Cabril, a freguesia do distrito de Vila Real com o maior número de ignições e com um reforço de patrulhamento e vigilância, disse fonte dos bombeiros.

O alerta para o fogo que lavra na aldeia de Lapela, na freguesia de Cabril, distrito de Vila Real, e que está inserida na área do Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG), foi dado às 14:48 e para o local foram mobilizados mais de 70 operacionais, 12 viaturas e seis meios aéreos.

O comandante dos bombeiros voluntários de Salto, Hernâni Carvalho, que falava à agência Lusa antes de ir para o terreno, referiu que, desde 15 de maio até hoje, foram registadas 34 ignições em Cabril, a freguesia “com o maior número de ocorrências no distrito de Vila Real”.

É uma freguesia prioritária, com povoamento florestal e que está inserida no PNPG. As 15 aldeias desta freguesia ficam também distantes do quartel dos bombeiros, sendo que Lapela dista quase 30 quilómetros de Salto.

O responsável explicou que muitos destes incêndios “são complicados”, porque lavram em zonas da serra com acessos muito reduzidos, de terreno acidentado e declives acentuados.

Às vezes, acrescentou, os operacionais têm que “fazer deslocações superiores a uma hora a pé para chegarem ao local”.

Hernâni Carvalho afirmou que “grande parte das ignições ocorre entre as 19:00 e as 00:00”, uma hora que considera “estranha” e em que os meios aéreos ou já não podem atuar ou possuem um curto espaço de tempo para atuar.

“Tenho a certeza que, pelo número de ocorrências e pela hora em que a maior parte delas ocorre, há claramente aqui mão criminosa e uma tentativa deliberada de queimar”, salientou.

Para o comandante, há uma “intenção clara de queimar e de destruir”.

“Não me parece a mim, pessoalmente, que este tipo de incêndios esteja ligado ao uso ancestral do fogo para renovação de pastagens, porque grande parte destes incêndios ocorre em povoamentos florestais e alguns deles até, curiosamente ou não, com candidaturas aprovadas para se iniciarem os trabalhos de limpeza”, acrescentou.

A atenção das autoridades tem estado centrada nesta freguesia e, segundo Hernâni Carvalho, a Polícia Judiciária (PJ) tem efetuado diligências neste território e a GNR tem reforçado o patrulhamento.

Por estes dias, patrulhas de militares do Exército português centram também esforços e atenções em Cabril, com patrulhamento durante 24 horas por dia.

O objetivo é, segundo o comandante, “reforçar a vigilância, detetar comportamentos de risco nas florestas e lançar o alerta para o fogo o mais rapidamente possível”.

Em períodos de alerta amarelo ou superior, é pré-posicionada uma equipa de combate em Cabril para “encurtar os tempos de resposta”.

“Além disso, quando há disponibilidade e felizmente tem havido, como a freguesia é prioritária, a Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) tem mobilizado dois helicópteros de ataque inicial para que as ocorrências sejam controladas e debeladas em menos tempo”, frisou.

Nestes períodos mais críticos, também o Instituto da Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) coloca equipas de sapadores florestais em permanência em Cabril.

A ANPC lançou um aviso para o aumento do risco de incêndio florestal nas próximas 48 horas, salientando as condições de severidade meteorológica inerentes à continuação de tempo seco e quente, com intensificação do vento de quadrante leste, teores de humidade relativa muito baixos na generalidade do território e com agravamento significativo do risco de incêndio.

Cabril é uma das maiores freguesias, em área, do PNPG, e possui, para Hernâni Carvalho, “um potencial florestal ainda considerável e um património ambiental muito elevado”.

“Não se consegue explicar o porquê destas tentativas continuadas e insistentes de destruição do território, do património e de um pedacinho do céu, que tinha tudo para ser um exemplo, mas que aos poucos se vai degradando, porque os incêndios deixam cicatrizes muitas vezes irreversíveis”, sublinhou.

PLI // JAP

By Impala News / Lusa

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