Transexual Gisberta foi espancada por 14 adolescentes até à morte

Transexual Gisberta foi espancada por 14 adolescentes até à morte

Afonso Reis Cabral, vencedor do prémio Leya 2014, com o seu primeiro romance, volta à ficção, com um livro que parte da história verídica da morte da transexual Gisberta, ficcionando e colocando-se no papel de um dos rapazes agressores.

Editado este mês pela D. Quixote, “Pão de Açúcar” é um “romance vertiginoso sobre um caso verídico que abalou o país” e uma “fascinante incursão nas vidas de uma vítima e dos seus agressores”, descreve a editora.

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À semelhança do que se passou com o seu primeiro romance, “O meu irmão”, que se baseou na relação do autor com o seu irmão mais novo, portador de síndrome de Down, também este novo romance parte de uma história real, a do homicídio de Gisberta Salce Júnior, em 2006.

Um grupo de 14 adolescentes, entre os 12 e os 16 anos, espancaram ao longo de vários dias a transexual brasileira, sem abrigo e seropositiva, tendo finalmente atirado o seu corpo, ainda com vida, para um poço, num prédio abandonado no centro do Porto, onde Gisberta se refugiava.

Foi em fevereiro desse ano, que os Bombeiros Sapadores do Porto resgataram do poço daquele prédio o corpo de Gisberta, com marcas de agressões, nu da cintura para baixo.

Quando tudo aconteceu, Afonso Reis Cabral tinha apenas 16 anos, a mesma idade de alguns dos adolescentes envolvidos no crime, e estava ainda longe de publicar o seu primeiro romance.

Doze anos depois dos acontecimentos, e após um longo trabalho de pesquisa sobre os factos sucedidos na altura, Afonso Reis Cabral recriou a história sob o ponto de vista, inventado, de um dos 14 jovens, a personagem Rafa, que é o narrador da história.

Rafa encontrara o local numa das suas habituais investidas às “zonas sujas”, e aquela espécie de barraca despertou-lhe imediatamente o interesse, refere a sinopse do livro.

“Depois, dividido entre a atração e a repulsa, perguntou-se se deveria guardar o segredo só para si ou partilhá-lo com os amigos. Mas que valor tem um tesouro que não pode ser mostrado?”, acrescenta.

A editora descreve “Pão de Açúcar” como “uma combinação magistral de factos e ficção, com personagens reais e imaginárias meticulosamente desenhadas, que vem confirmar o talento e a maturidade literária de Afonso Reis Cabral”.

 

 

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