Reformados ativos em busca de um envelhecimento saudável em Coimbra

Um cardiologista de 88 anos elogia vinho e café e um biólogo de 83 toma banho frio no inverno e corre diariamente dez quilómetros, dando o mote, em Coimbra, para um envelhecimento saudável.

Reformados ativos em busca de um envelhecimento saudável em Coimbra

Reformados ativos em busca de um envelhecimento saudável em Coimbra

Um cardiologista de 88 anos elogia vinho e café e um biólogo de 83 toma banho frio no inverno e corre diariamente dez quilómetros, dando o mote, em Coimbra, para um envelhecimento saudável.

*** Serviço vídeo disponível em www.lusa.pt ***



Coimbra, 16 jan (Lusa) — Um cardiologista de 88 anos elogia vinho e café e um biólogo de 83 toma banho frio no inverno e corre diariamente dez quilómetros, dando o mote, em Coimbra, para um envelhecimento saudável.


No Centro, que a Comissão Europeia reconheceu como “região de referência” para o envelhecimento ativo e saudável, o cozinheiro Camilo Paiva, de 83 anos, e a voluntária Fátima Familiar, de 68 anos, juntam-se ao médico Polybio Serra e Silva, presidente da Fundação Portuguesa de Cardiologia na região, e ao investigador Jorge Paiva, do Centro de Ecologia Funcional da Universidade de Coimbra (UC).


Camilo é dono e trabalha desde a meninice no restaurante Fika Keto, em Miranda do Corvo, distrito de Coimbra, que pertencia aos pais, quando verdadeiramente não havia na vila estabelecimentos com esta designação, apenas tabernas e casas de pasto.


Apoiado pela mulher e pelo filho na cozinha, é ele o principal obreiro de uma das melhores chanfanas das redondezas.


Há quase 70 anos, começou a ajudar a mãe no negócio, devido à morte do pai, e nunca mais ficou quieto, admite a sorrir.


Além da carne de cabra assada com vinho carrascão, os fregueses elogiam-lhe a dobrada e o bacalhau com grão, entre outras iguarias regadas com vinhos da região.


A este propósito, o professor Polybio salienta a importância do vinho na saúde, em detrimento de outras bebidas alcoólicas. “Vinho tinto, pouco e bom, ao almoço e ao jantar”, preconiza, em declarações à agência Lusa.


Advertindo que o néctar da videira “deve ser bebido com conta, peso e medida”, no máximo três decilitros por dia, o catedrático reformado da Faculdade de Medicina da UC admite que “uma extravagância uma vez por semana não tem grande mal”.


“Vinho de uva tinta e feito por maceração da película”, que possui “um antioxidante fundamental, o resveratrol, que existe mais na tinta do que na branca”, esclarece.


Tendo publicado em novembro o livro em verso “Um Poético Cafezinho”, onde faz o elogio desta bebida, o cardiologista chega a tomar seis cafés por dia.


Está agora a preparar a edição da obra báquica “Vossemecê, senhor vinho”, desta vez a enaltecer as virtudes do tinto, desde que bebido com moderação.


“Naquele tempo”, em meados do século XX, “vendia-se mais vinho do que hoje”, recorda o gastrónomo Camilo, que aos 83 anos está “sempre a mexer” em redor dos tachos no Fika Keto.


Adversário do sedentarismo, Polybio Serra e Silva rejeita o tabaco e a má alimentação e recomenda “atividade física diária, regular e progressiva”.


Passa horas ao computador, em casa, a preparar intervenções públicas na área da cardiologia e da medicina preventiva, a convite de entidades diversas.


Mas, de vez em quando, monta a bicicleta fixa que tem ao lado: “faço várias vezes 20 minutos de pedalada” todos os dias. Ou ele não fosse, também, autor do livro “Aprender a não ser velho”.


Apesar de reformado, Jorge Paiva reparte a vida entre Almada, onde reside, e Coimbra, em cuja universidade continua a trabalhar, viajando sempre nos transportes públicos.


“Tomo banho de água fria logo de manhã. Hoje, apanhei o autocarro às cinco da manhã, do lado de lá do rio Tejo, e às oito e pouco estava no gabinete”, conta à Lusa.


O antigo atleta da Associação Académica de Coimbra não dispensa a sua corrida matinal, de, pelo menos, 10 quilómetros.


“Faço sempre abdominais e umas flexões, para minha manutenção. Precisamos de ter atividade física e intelectual para termos alguma qualidade de vida na velhice e não estarmos à espera da morte”, defende.


Aos 83 anos, o professor universitário já não participa como outrora em manifestações de rua por causas ecológicas.


Continua, no entanto, a produzir trabalho científico, sem nunca abandonar a atividade cívica ambiental, sempre que é convidado.


“Temos de ter os neurónios a trabalhar, senão enferrujam”, sugere, enquanto cita a neurologista italiana Rita Levi-Montalcini, Prémio Nobel da Medicina em 1986, falecida com 103 anos.


Professora de Educação Visual, agora aposentada, Maria de Fátima Familiar trabalha há cinco anos como voluntária na cooperativa cultural Arte-Via, na Lousã.


Diariamente, incluindo alguns fins de semana, apoia na aprendizagem 15 crianças de diferentes idades.


“Acompanho-as no estudo, a pintar e a brincar e até as levo à piscina”, explica Fátima, que todos tratam por Necas na Arte-Via, instituição que tem igualmente a funcionar a Universidade do Autodidata e da Terceira Idade da Lousã, uma das primeiras da região.


Entre os alunos, há filhos de imigrantes ucranianos e russos. “Quando alguns meninos vão ter testes, venho também ao domingo”, refere.


A ex-docente, que queria “fazer mais alguma coisa e não ficar parada em casa” na reforma, optou por este trabalho social gratuito.


As solicitações das crianças surgem de todas as mesas da sala. Também Necas não fica quieta e atende por igual.



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