“Quem matou o meu pai” assinala chegada do Festival de Almada ao Teatro D. Maria II

Três representações de “Quem matou o meu pai”, do dramaturgo francês Édouard Louis, com encenação do belga Ivo van Hove, assinalam, na quinta-feira, a chegada do Festival de Almada ao Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa.

“Quem matou o meu pai” assinala chegada do Festival de Almada ao Teatro D. Maria II

Três representações de “Quem matou o meu pai”, do dramaturgo francês Édouard Louis, com encenação do belga Ivo van Hove, assinalam, na quinta-feira, a chegada do Festival de Almada ao Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa.

A peça inspira-se na vida do pai do escritor, um operário da indústria pesada francesa, e foi escrita em 2018, na sequência de uma vista que Édouard Louis lhe fez, em que o encontra “chocantemente irreconhecível”, como se lê no texto de apresentação da obra, no programa do 38.º Festival de Almada.

“Escrevi isto para o desgraçar”, disse, na altura, no Twitter, o escritor, dirigindo-se ao Presidente francês Emmanuel Macron.

Em “Quem matou o meu pai”, o escritor confronta ainda o espectador com a “violenta homofobia” de quem tem sido vítima por parte da sua família de operários que desde sempre o “ostracizou por causa da sua homossexualidade”.

Destruído muito cedo pela vida de operário na indústria pesada, o pai de Édouard Louis é apresentado na peça como uma “vítima da abjeta exploração que as élites políticas continuam a fazer dos socialmente mais fracos”.

Um homem como outros que, “sem apelo, são obrigados ao trabalho bruto que os mata antes de tempo, com a ajuda determinante do álcool, único escape em vidas marcadas pela violência”, acrescenta a sinopse.

“Um retrato implacável e comovente”, escreveu a crítica, no jornal holandês De Volkskrant, quando da estreia.

“Quem matou o meu pai” é uma adaptação para palco do livro “Who killed my father”, um monólogo pensado de propósito para o ator holandês Hans Kesting, que o protagoniza.

A peça — com cenografia e iluminação de Jan Versweyveld, figurinos de Na D’Huys e música de Geoge Dhauw – terá mais duas representações na sala Garrett, do D. Maria II, na sexta-feira e no sábado.

Entretanto, e devido à impossibilidade da dupla de criadores Laida Goñi (Espanha) e Txalo Toloza (Chile) viajar para Portugal, o espetáculo que protagonizavam, “Terras do Sul”, que iniciava na quinta-feira um ciclo de cinco representações, no Fórum Municipal Romeu Correia, em Almada, foi substituído por “Cenas da vida conjugal”, de Ingmar Bergman, com encenação de Rita Calçada Bastos.

Uma “ode ao amor e ao quotidiano”, a partir da série (e do filme) do dramaturgo e realizador sueco Ingmar Bergman (1918-2007), na qual se reflete “como é que muitas vezes se consegue salvar o amor”, disse Rita Calçada Bastos à Lusa, quando da estreia da sua versão, no passado mês de junho, no Teatro S. Luiz, em Lisboa.

Os atores Ivo Canelas e Katrin Kaasa são os protagonistas desta encenação, que também conta com trabalho em vídeo do realizador João Canijo.

No auditório Fernando Lopes-Graça, “Cenas da vida conjugal”, depois de quinta-feira, tem mais récitas, na sexta-feira, no sábado e no domingo, às 21:30. No sábado, também há uma sessão às 15:00.

CP // MAG

By Impala News / Lusa

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