Quatro detidos na posse de tartarugas mortas

Quatro detidos na posse de tartarugas mortas

Quatro homens foram detidos esta madrugada na ilha cabo-verdiana de Santo Antão por estarem na posse de quatro tartarugas marinhas mortas, sendo os primeiros apanhados a praticar este crime desde o agravamento da lei, em 2017.

Segundo disse à Lusa o comandante José Lima, do posto da polícia em Porto Novo (ilha de santo Antão), os quatro homens foram surpreendidos pelos agentes policiais quando se encontravam num carro, provenientes de uma praia.

No interior da viatura, os polícias encontraram quatro tartarugas marinhas mortas, provavelmente à pedrada ou à paulada, já que tinham a cabeça desfeita.

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O destino que os homens pretendiam dar aos animais não é ainda conhecido, mas deveria passar pela venda para consumo da sua carne, prática proibida por lei, mas que ainda se regista em Cabo Verde.

Segundo a bióloga Gilda Monteiro, de uma associação ambientalista (Projeto Vito) que foi chamada ao local, o agravamento da situação socioeconómica registado em algumas famílias cabo-verdianas tem sido acompanhado do aumento de venda desta carne, apesar de ilegal.

“Não temos como provar, mas temos várias denúncias de pessoas que viram carne de tartaruga a ser vendida em baldes, na rua”, disse.

A bióloga, que confirmou a morte dos animais hoje capturados, adiantou que se trata de tartarugas marinhas com alguma dimensão, ou seja, com cerca de um metro de comprimento.

Para Gilda Monteiro, a lei que entrou em vigor no ano passado em Cabo Verde inibiu algumas pessoas de capturarem ilegalmente animais desta espécie protegida.

No entanto, adiantou, têm surgido cada vez mais relatos da venda ilegal de carne de tartaruga.

O Projeto Vito tem guardas e voluntários que vigiam as praias no sentido de impedirem a captura ilegal destes animais.

“Não chega. Não conseguimos chegar em todas as praias”, disse.

Os quatro homens hoje detidos serão os primeiros a ser presentes ao Ministério Público pelo crime de captura ilegal de tartarugas marinhas desde o agravamento da lei que entrou em vigor no ano passado.

Segundo Gilda Monteiro, os detidos incorrem numa pena de prisão não inferior a seis meses.

 

 

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