Polícia angolana confirma detenção de estudantes em manifestação mas diz que já foram soltos

A polícia angolana anunciou hoje que deteve três manifestantes, na sequência dos protestos de estudantes, em Luanda, contra a subida de propinas e emolumentos nas instituições de ensino, garantindo, no entanto, que “já foram soltos”.

Polícia angolana confirma detenção de estudantes em manifestação mas diz que já foram soltos

Polícia angolana confirma detenção de estudantes em manifestação mas diz que já foram soltos

A polícia angolana anunciou hoje que deteve três manifestantes, na sequência dos protestos de estudantes, em Luanda, contra a subida de propinas e emolumentos nas instituições de ensino, garantindo, no entanto, que “já foram soltos”.

A informação foi transmitida à imprensa pelo porta-voz do Comando Provincial da Polícia em Luanda, inspetor-chefe Nestor Goubel, que disse que os efetivos da polícia agiram para “repor os pressupostos acordados” com os organizadores sobre o percurso da marcha.

“Os manifestantes quiseram descer para a Mutamba e, claro, que não foi o que se havia acordado no encontro que tivemos com os promotores da manifestação, razão pela qual ficámos ali naquele desentendimento”, afirmou o oficial da polícia.

Segundo Nestor Goubel, a polícia estava apenas a “impor” a autoridade “perante este incumprimento”.

Por isso, acrescentou, foram detidos “três indivíduos, foram levados à esquadra, mas já foram liberados”.

A polícia angolana dispersou hoje com tiros e lançamento de gás lacrimogéneo a manifestação de estudantes, promovida pelo Movimento dos Estudantes Angolanos (MEA), em protesto contra a subida de propinas e emolumentos nas instituições de ensino, uma marcha que começou de forma pacífica.

Mais de 250 estudantes e membros da sociedade civil responderam afirmativamente ao apelo do MEA e concentraram-se no Largo das Heroínas.

Sob olhar e proteção policial, a marcha teve início pontualmente as 13:00 locais e com palavras de ordem como “a educação é um direito e não deve ser vendida” e “não matem o sonho da juventude, estudar é um direito”, os manifestantes percorreram a avenida Ho Chi Min.

Com várias paragens ao longo do percurso, a marcha contornou o largo 1º de Maio, mas foi à entrada da rua Nicolau Gomes Spencer que os ânimos dos manifestantes se alteraram uma vez que uns pretendiam marchar até à sede do Ministério das Finanças e outros até ao Largo dos Ministérios, a quinhentos metros onde seria lido um “manifesto”.

Com a tensão a crescer, a polícia reforçou o efetivo no local, com agentes da polícia de intervenção rápida e da brigada canina, e os estudantes romperam o primeiro cordão policial, mas não conseguiram transpor o segundo cordão.

“Insatisfeitos” pela alteração do percurso da marcha, a polícia ainda tentou apaziguar os ânimos, mas acabou por dispersar os manifestantes com tiros e gás lacrimogéneo causando “pânico” aos manifestantes e transeuntes.

Em declarações à Lusa, o presidente do MEA, Francisco Teixeira afirmou que, entre os manifestantes, houve “alguns feridos” e confirmou que os detidos “já foram soltos”.

“Não percebemos como é que mesmo depois de termos chegado ao Largo dos Ministérios ainda assim a polícia veio por cima de nós e nos bateu”, lamentou o líder associativo.

O porta-voz da polícia, na capital angolana, garantiu, contudo, que “não houve qualquer ferido”.

DYAS // VAM

By Impala News / Lusa

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