Pianistas Maria João Pires e Júlio Resende juntos no novo projeto “Diálogos”

Os pianistas Maria João Pires e Júlio Resende iniciam em julho as apresentações ao vivo de um novo projeto conjunto, “Diálogos”, que remonta ao final de 2019, ao Centro de Artes de Belgais, em Escalos de Baixo, Castelo Branco.

Pianistas Maria João Pires e Júlio Resende juntos no novo projeto

Pianistas Maria João Pires e Júlio Resende juntos no novo projeto “Diálogos”

Os pianistas Maria João Pires e Júlio Resende iniciam em julho as apresentações ao vivo de um novo projeto conjunto, “Diálogos”, que remonta ao final de 2019, ao Centro de Artes de Belgais, em Escalos de Baixo, Castelo Branco.

Num comunicado hoje divulgado, a editora discográfica Sony anuncia que “começa no dia 04 de julho uma série de concertos entre Maria João Pires e Júlio Resende”, e que “este novo projeto que reúne os dois músicos chama-se ‘Maria João Pires & Júlio Resende — Diálogos'”.

“Os primeiros concertos dedicados exclusivamente a este projeto serão no dia 09 de julho, na Póvoa de Varzim [no Festival Internacional de Música], e 13 agosto, em Faro [na Sé]. Mas haverá entretanto, no Festival Oeiras Valley [nos Jardins do Marquês, em Oeiras], a 04 de julho, um primeiro concerto excecionalmente em regime de primeira parte de um, e segunda parte de outro músico, com surpresas pelo caminho”, lê-se no comunicado.

De acordo com a editora, neste projeto, Maria João Pires “toca maravilhosas interpretações das notas que já foram escritas pelos grande compositores, tais como Schumann, Chopin, [Domenico] Scarlatti, Bartók, Schubert e Bach, que ela transcende em cada ‘performance'”, enquanto Júlio Resende, “para tocar e procurar transcender-se, precisa que nenhuma nota esteja já escrita, para que haja a liberdade de escrever no momento, em pleno voo, para assim, a partir desses autores e do cancioneiro fadista, poder improvisar, arriscar, criar algo que só será escutado uma única vez pelo público presente, e que nunca mais se repetirá”.

Júlio Resende, citado no comunicado, recorda que “Diálogos” começou em Belgais. Em dezembro de 2019, os dois pianistas apresentaram-se em dois concertos inéditos no Centro de Artes de Belgais, em Escalos de Baixo, Castelo Branco.

Maria João Pires criou em 1999 o Centro Belgais para o Estudo das Artes, em Escalos de Baixo, Castelo Branco, um projeto educativo, pedagógico e cultural, com impacto na região, que chegou a ter o apoio do Ministério da Educação. Dez anos depois, em 2009, o centro encerrou alegando na altura uma “difícil situação económico-financeira”.

Em 2018, o projeto foi renovado e reativado como Centro de Artes de Belgais, disponibilizando retiros musicais, espaço para atuações e oficinas de música. Há ainda uma valência de alojamento e de produção de azeite, como se lê na página oficial.

Maria João Pires nasceu em Lisboa, a 23 de julho de 1944. É a mais internacional e reputada dos pianistas portugueses, com um percurso artístico que remonta a finais dos anos de 1940, quando se apresentou pela primeira vez em público, aos quatro anos.

Entre os prémios conquistados pelo talento artístico contam-se o primeiro prémio do concurso internacional Beethoven (1970), o prémio do Conselho Internacional da Música, pertencente à organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO, 1970) e o Prémio Pessoa (1989).

Na década de 1970, o seu nome tornou-se recorrente nos programas das principais salas de concerto a nível mundial, e nos catálogos das principais editoras de música clássica: a Denon, primeiro, para a qual gravou a premiada integral das Sonatas de Mozart (1974); a Erato, a seguir, nos anos de 1980, onde deixou Bach, Mozart e uma das mais celebradas interpretações das “Cenas Infantis”, de Schumann; e depois a Deutsche Grammophon, a partir de 1989.

No seu percurso, destacam-se as parcerias com o pianista turco Hüseyin Sermet, com os maestros Claudio Abbado, Pierre Boulez, Frans Bruggen, John Eliot Gardiner, Michel Corboz, Armin Jordan, Claudio Scimone e Theodor Guschlbauer, entre outros. Tocou com as mais importantes orquestras, da Filarmónica de Berlim à Filarmónica de Londres.

Em 2015, venceu o prémio Gramophone, com a gravação, para a Onyx, dos Concertos n.ºs 3 e 4 de Beethoven, com a Orquestra Sinfónica da Rádio Sueca e o maestro Daniel Harding.

O pianista e compositor Júlio Resende começou o seu percurso no jazz, passando depois pelo fado, pela palavra e pelo pop-rock.

Depois de gravar em quarteto e trio os três primeiros álbuns, “Amália por Júlio Resende” (2013) foi o primeiro trabalho a solo do pianista.

Em “Poesia Homónima” (2015), musicou poemas de Eugénio de Andrade e de Gonçalo M. Tavares, na voz do psiquiatra Júlio Machado Vaz.

Júlio Resende também fez parte da banda Alexander Search, projeto inspirado na poesia inglesa de Fernando Pessoa em que os músicos, tal como o poeta, assumem personagens e cujo álbum de estreia foi editado em 2017.

Além disso, já tocou com intérpretes como Aldina Duarte, Cuca Roseta, Ana Bacalhau, Cristina Branco, Silvia Pérez Cruz e Ana Moura.

O álbum mais recente de Júlio Resende, “Júlio Resende Fado Jazz Ensemble”, foi editado em outubro do ano passado.

JRS // MAG

By Impala News / Lusa

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