Pandemia, economia e vacinas no primeiro debate da ‘nova’ AL em Macau

Os primeiros discursos dos deputados da nova composição da Assembleia Legislativa (AL) em Macau foram marcados pela pandemia, recuperação económica e apelos à vacinação da população.

Pandemia, economia e vacinas no primeiro debate da 'nova' AL em Macau

Pandemia, economia e vacinas no primeiro debate da ‘nova’ AL em Macau

Os primeiros discursos dos deputados da nova composição da Assembleia Legislativa (AL) em Macau foram marcados pela pandemia, recuperação económica e apelos à vacinação da população.

Lam Lon Wai, que cumpre nesta nova legislatura o seu segundo mandato, afirmou que a recuperação do turismo (praticamente a única fonte de receita de Macau), vital para a recuperação económica, só pode ser feita através do aumento da taxa de vacinação no território.

Só desta forma, o “Governo pode ainda ter mais condições para negociar com o interior da China sobre a retoma das excursões turísticas e da emissão de vistos eletrónicos, bem como lançar medidas que facilitem as deslocações dos residentes entre o interior e Macau, concretizando-se, assim, o fluxo normal de pessoas”, afirmou.

“Em Macau, a taxa de vacinação entre os idosos e os jovens com menos de 18 anos é baixa, por isso, as autoridades devem adotar medidas mais convenientes a favor destes dois grupos, tais como acelerar a vacinação de proximidade em escolas e lares de idosos, etc. E considerar a criação de vias prioritárias para os idosos e crianças em vários postos, para facilitar a vacinação”, frisou Lam Lon Wai, um dos 12 deputados eleitos por sufrágio indireto.

Foram vários os apelos dos deputados para o aumento da taxa de vacinação como meio para a recuperação económica.

“Só a vacinação é a esperança de Macau poder sair, quanto antes, da sombra da epidemia!”, pode ler-se na declaração conjunta de Iau Teng Pio e Chan Hou Seng.

A campanha de vacinação, voluntária, gratuita, e com a possibilidade de escolha entre duas vacinas, a Sinopharm e a BioNTech/Pfizer, arrancou em fevereiro, mas pouco mais de 65% da população quis ser vacinada, até agora.

Macau é um dos únicos territórios no mundo que continua a apostar numa política de casos zero. Desde o início da pandemia, o território registou apenas 77 casos da doença.

Nenhum dos deputados falou sobre o alívio de restrições fronteiriças com o exterior e sobre a entrada de não residentes no território. Apenas Lam U Tou abordou o assunto, mas para pedir ao Governo que permitisse a entrada em Macau de empregados domésticos não residentes.

A entrada em Macau, de fora da China continental, só não está vedada a residentes, e, mesmo esses, têm de fazer pelo menos 21 dias de quarentena obrigatória dentro de um quarto de hotel, mesmo que estejam vacinados e apresentem teste com resultado negativo.

Ainda na Assembleia Legislativa, Ngan Iek Hang, a discursar pela primeira vez no hemicíclico como um dos 14 deputados eleito por sufrágio direto afirmou não estar otimista com a recuperação económica de Macau, já que “as PME continuam a encontrar dificuldades de negócio, os residentes deparam-se com dificuldades no acesso ao emprego, e muitos são obrigados a tirar férias sem vencimento”.

A 12 de outubro, o Fundo Monetário Internacional (FMI) reviu hoje em baixa as previsões para o crescimento económico de Macau em 2021, passando agora para 20,4%, quando em abril antecipava 61,2%.

Em abril, quando o FMI fez a primeira previsão para 2021, a maioria dos dados oficiais e as expectativas governamentais apontavam para um crescimento gradual do turismo no território e subsequentemente para o crescimento das receitas dos casinos na capital mundial do jogo, praticamente o único motor da economia de Macau.

Contudo, o turismo e os gastos em jogo parecem demorar a subir. Ainda assim, o deputado lembrou as novas políticas de apoio às PME e aos empregados, e acredita “que estas medidas podem dar respostas às suas necessidades prementes”.

Por outro lado, Ho Ion Sang lembrou que “as previsões do Governo em relação à receita anual do jogo (…) já não podem ser atingidas e carecem de ajustamento. “

“Face à epidemia, a vida da população está difícil e a sociedade espera que se mantenham inalterados os atuais benefícios e a qualidade de vida, para aliviar os seus encargos económicos”, disse.

O primeiro debate na AL de Macau acontece cerca de um mês depois da realização do processo eleitoral em Macau que ficou marcado pela exclusão do campo pró-democracia, após Tribunal de Última Instância (TUI) de Macau ter mantido a decisão da comissão eleitoral que acusou os pró-democratas de não defenderem a Lei Básica [miniconstituição] e de serem “infiéis” ao território.

MIM // PJA

By Impala News / Lusa

Impala Instagram


RELACIONADOS