Obras de Cruzeiro Seixas vão estar expostas em Nova Iorque, Paris e Londres

O artista Cruzeiro Seixas vai estar representado no próximo ano em exposições em Nova Iorque e em Paris, mas morreu antes de poder ver as obras expostas, isolado pela pandemia, lamentou a diretora da Fundação Cupertino de Miranda.

Obras de Cruzeiro Seixas vão estar expostas em Nova Iorque, Paris e Londres

Obras de Cruzeiro Seixas vão estar expostas em Nova Iorque, Paris e Londres

O artista Cruzeiro Seixas vai estar representado no próximo ano em exposições em Nova Iorque e em Paris, mas morreu antes de poder ver as obras expostas, isolado pela pandemia, lamentou a diretora da Fundação Cupertino de Miranda.

O artista plástico e poeta Artur do Cruzeiro Seixas, o último dos surrealistas portugueses, morreu no domingo no Hospital Santa Maria, em Lisboa, aos 99 anos, a menos de um mês de completar cem anos de vida.

Em declarações à Lusa, a diretora da Fundação Cupertino de Miranda, em Vila Nova de Famalicão, Marlene Oliveira, recordou, com tristeza, que nos últimos tempos Cruzeiro Seixas estava “a desistir” de viver, depois de um breve período de ânimo que sentiu quando foi condecorado, em outubro, com a Medalha de Mérito Cultural.

Cruzeiro Seixas tinha ido viver para a Casa do Artista, em Lisboa, para poder ter permanentemente pessoas que cuidassem dele, devido à idade avançada, mas acabou por se arrepender da escolha, já que o aparecimento da pandemia ditou o seu isolamento.

“Sentia-se sozinho, sentia falta de visitas, ficou sem ter ninguém para lhe ler”, contou, recordando que até então, iam muitas vezes a Lisboa visitá-lo, buscá-lo para passear, para almoçar e sobretudo para o levar à praia: “Era das coisas que mais gostava de fazer, gostava muito de contemplar o mar”.

Para a responsável da fundação, que alberga o Centro Português do Surrealismo, e todo o acervo de Cruzeiro Seixas, fica a mágoa de o artista ter morrido sem “poder ver em vida” aquela que era a “exposição que representava a concretização de um sonho”, uma mostra individual com 80 obras, documentos e tapeçaria.

Esta grande exposição, intitulada “Cruzeiro Seixas — Teima em ser poesia”, foi preparada no âmbito das comemorações dos cem anos de Cruzeiro Seixas e esteve para ser inaugurada no dia 5 de maio, no dia Mundial da Língua Portuguesa, na sede da UNESCO, em Paris.

As restrições impostas pela pandemia de covid-19 obrigaram ao seu adiamento, inicialmente para o próximo dia 3 de dezembro — fazendo coincidir com a data de aniversário de Cruzeiro Seixas — e depois novamente para 5 de maio, de 2021.

Marlene Oliveira adiantou que o artista vai estar também representado no Metropolitan Museum of Art (Met), em Nova Iorque, através de uma sua “obra de referência”, emprestada pela fundação, no âmbito de uma grande exposição sobre o surrealismo internacional — “Global Surrealism” -, com inauguração prevista para o dia 04 de outubro de 2021.

Um curador da exposição esteve na Fundação Cupertino de Miranda, para escolher uma peça para representar o surrealismo português, e de todo o seu acervo, selecionou um objeto de Cruzeiro Seixas, uma obra de 1953, intitulada “O seu olhar já não se dirige para a terra, mas tem os pés assentes nela”, realizada durante o período em que esteve em África.

Esta peça seguirá depois para a Tate Modern, em Londres, a 25 de fevereiro de 2022.

Segundo a diretora da fundação, irá ainda sair este ano no jornal Público uma edição ilustrada por Cruzeiro Seixas do livro “Eu falo em Chamas”.

“Vamos ter algumas exposições com alguns parceiros e vamos terminar as comemorações na Sociedade Nacional de Belas Artes, em setembro de 2021, com uma exposição individual”, acrescentou.

A Fundação Cupertino de Miranda detém, desde 1999, toda a coleção de Cruzeiro de Seixas, doada pelo próprio artista, que inclui mais de 400 obras, bem como toda a sua biblioteca e o seu arquivo, fotografias e correspondência, disse Marlene Oliveira.

Nascido a 3 de dezembro de 1920, Artur Manuel Rodrigues do Cruzeiro Seixas era o último dos surrealistas portugueses, o movimento liderado por Mário Cesariny (1923-2006), no final dos anos 1940.

Autor de um vasto trabalho no campo do desenho e pintura, mas também na poesia, escultura e objetos/escultura, gostava de se intitular “homem que pinta”, pois a designação de pintor aborrecia-o.

Juntamente com nomes como Mário Cesariny, Carlos Calvet e António Maria Lisboa, foi um dos mais relevantes e importantes artistas do Surrealismo em Portugal.

A sua obra está representada em coleções como as do Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado, Fundação Calouste Gulbenkian e Fundação Cupertino de Miranda.

Atualmente, estão em curso várias iniciativas que assinalariam os 100 anos de aniversário do artista plástico, nomeadamente exposições na Biblioteca Nacional de Portugal e da Perve Galeria, em Lisboa, ambas patentes até dezembro, e a edição da obra poética de Cruzeiro Seixas, iniciada em junho e que se estenderá até 2021.

AL (SS/JRS) // MAG

By Impala News / Lusa

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