Obra de artista angolano Kiluanji Kia Henda em destaque na feira de arte Frieze em Londres

O culto do marxismo-leninismo em Angola após a independência do país é o ponto de partida da instalação do artista Kiluanji Kia Henda, patente na feira de arte Frieze, em Londres, que abre hoje e decorre até domingo.

Obra de artista angolano Kiluanji Kia Henda em destaque na feira de arte Frieze em Londres

Obra de artista angolano Kiluanji Kia Henda em destaque na feira de arte Frieze em Londres

O culto do marxismo-leninismo em Angola após a independência do país é o ponto de partida da instalação do artista Kiluanji Kia Henda, patente na feira de arte Frieze, em Londres, que abre hoje e decorre até domingo.

Londres, 05 out (Lusa) – O culto do marxismo-leninismo em Angola após a independência do país é o ponto de partida da instalação do artista Kiluanji Kia Henda, patente na feira de arte Frieze, em Londres, que abre hoje e decorre até domingo.


O artista angolano traça um paralelo com as práticas de feitiçaria durante a guerra civil em Angola e as narrativas de ficção científica usadas pelas potências da Guerra Fria, a União Soviética e os EUA.


A instalação, composta por duas partes, vai evoluindo ao longo do evento, olhando para como a “fantasia fictícia e o seu poder de manipulação se transforma numa arma importante em situações de violência extrema”, refere a organização.


O próprio Kiluanji Kia Henda explica que, “apesar de ser uma ideologia política que rejeitou a religião, a maneira como o marxismo-leninismo foi doutrinado durante a revolução exigia lealdade e crença inquestionável, semelhante à prática religiosa”.


O artista refere que usa um busto de Lenine como objeto central da instalação, “onde as memórias e as narrativas de um dos conflitos mais sangrentos de África são fundidas com a transcendência da feitiçaria e a dimensão dogmática de uma ideologia política”.


Intitulada “Under the Silent Eye of Lenin” [Sob o olhar silencioso de Lenine], a instalação faz parte da plataforma Frieze Projects, um programa sem fins lucrativos para o qual o artista angolano foi selecionado enquanto vencedor do prémio Frieze Artist entre candidatos de mais de 82 países.


Nascido em 1979 em Luanda, onde vive e trabalha, Kiluanji Kia Henda usa vários meios no seu trabalho, como a fotografia vídeo e performance, que já foi exposto em países como EUA, França ou Itália e está em coleções internacionais como o museu de arte contemporânea de Londres Tate Modern.


Criada em 2003, a Frieze é considerada uma das mais influentes feiras de arte mundiais, atraindo anualmente mais de 60.000 visitantes, como curadores, artistas, colecionadores, negociantes de arte e críticos.


As galerias Maisterravalbuena e Múrias Centeno são as representantes portuguesas nesta edição.


Nos mesmos dias, em Londres, decorre em paralelo a Feira de Arte Contemporânea 1:54, considerada a principal feira internacional de arte dedicada à arte contemporânea de África e diáspora, em que participam 42 galerias internacionais, representantes de mais de 130 artistas africanos.



A galeria Arte de Gema, de Moçambique, representa artistas como Pompílio Gemuce, Celestino Mudaulane e Mauro Pinto, enquanto a portuguesa Perve Galeria traz à feira obras de Ernesto Shikhani e Reinata Sadimba, também moçambicanos.


Numa altura em que o mundo da arte se interessa cada vez mais no trabalho de artistas africanos modernos e contemporâneos, os artistas de língua portuguesa (lusófona) de África têm menos visibilidade do que artistas de países anglófonos e francófonos.


“Esta ausência diz-nos que está a ser construída uma cartografia de arte africana errática e é urgente ter uma perspetiva abrangente das várias ‘Áfricas’ existentes”, alerta a Perve, num comunicado sobre a participação na 1:54.


Os artistas Ernesto Shikhani e Reinata Sadimba estão incluídos na Coleção The Lusophonies, da Perve Galeria, que pretende representar a arte lusófona na sua evolução histórica.


“Optámos por incluir obras modernas dos seus artistas representativos, especialmente aqueles que fizeram os passos pioneiros que determinaram a produção artística lusófona desde a ditadura e colonialismo, e possibilitaram, com o seu trabalho artístico, o sucesso das independências dos países africanos de língua portuguesa em 1974/75”, justifica.



BM // VM

By Impala News / Lusa

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